Homilia — Solenidade da Ascensão do Senhor — Ano B (Mc 16,15-20) – Homilias
Fonte: homilias.com.br | Data: 16/08/2026 12:43:25
Este domingo cai em
17/05/2026 · 13/05/2029 · 09/05/2032
Leituras da Missa
- 1ª Leitura
- At 1,1-11
- Salmo
- Sl 46
- 2ª Leitura
- Ef 4,1-13
- Evangelho
- Mc 16,15-20
Perguntas frequentes deste Evangelho
O que celebramos na Ascensão do Senhor?
A Ascensão (Mc 16; Lc 24; At 1) celebra Jesus Ressuscitado sendo elevado corporalmente ao Céu quarenta dias após a Páscoa, sentando-Se à direita do Pai. Não é despedida — é entronização. Cristo assume gloriosamente a Sua humanidade no seio da Trindade e continua ativo na Igreja pelo Espírito Santo. A Ascensão prepara Pentecostes: para que Ele venha por toda parte pelo Espírito, precisou deixar de estar visivelmente em um lugar apenas. O Catecismo (CIC 659-667) trata desta solenidade.
‘Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho’ — como aplicar hoje?
O mandato missionário é dado à Igreja inteira, não apenas a missionários profissionais. Todo batizado tem obrigação de anunciar Cristo pelo próprio estado de vida — pela coerência, pela caridade, pelo testemunho verbal, pela oração pelos que ainda não conhecem o Evangelho. A Ascensão nos deixa órfãos visualmente para nos tornar responsáveis. Se cada cristão fosse missionário como devia, o mundo já teria sido evangelizado. O Catecismo (CIC 849-856, 863) ensina que a Igreja é toda missionária pela sua natureza.
O que os sinais prometidos — expulsar demônios, curar, línguas — significam?
São os sinais que acompanharam a Igreja apostólica e continuam acompanhando os santos ao longo dos séculos. Alguns fiéis recebem carismas extraordinários (curas, glossolalia, discernimento de espíritos), sempre para edificação da Igreja e não para exibição pessoal. Mas os maiores sinais da presença de Cristo entre nós são os ordinários e permanentes: a Eucaristia diária, a graça dos Sacramentos, a santidade vivida de milhões, a unidade da Igreja através de dois mil anos. O Catecismo (CIC 799-801, 2003) trata dos carismas.
Rezar hoje com este Evangelho
Amados irmãos, celebramos hoje a Solenidade da Ascensão do Senhor. Quarenta dias após a Páscoa, no Monte das Oliveiras, diante dos apóstolos que O contemplavam, Cristo Ressuscitado elevou-se ao Céu e uma nuvem O ocultou aos seus olhos.
Marcos — a versão apostólica
São Marcos, no epílogo canônico do Evangelho, resume: O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles saíram e pregaram por toda parte, cooperando o Senhor com eles e confirmando a Palavra pelos sinais que se seguiam.
Duas realidades simultâneas: Ele foi elevado — Cristo se ausenta visivelmente. Eles saíram — a Igreja começa a agir. O Cristo que sobe ao Céu não é ausência real; é presença nova. Passa de visível localizado a invisível universalizado pelo Espírito Santo.
A Ascensão — entronização gloriosa
É preciso corrigir uma visão superficial: a Ascensão não é a Cristo se cansando da Terra e voltando para casa. É a solene entronização da humanidade de Cristo na glória da Trindade.
Antes da Encarnação, o Filho estava eternamente à direita do Pai — mas segundo a natureza divina. Com a Ascensão, o Cristo — Deus e homem — leva ao seio da Trindade a natureza humana assumida em Belém. É a humanidade elevada a Deus. É a nossa carne — a mesma carne que temos — introduzida no Céu.
Por isso a Ascensão é festa de esperança para nós. Onde nossa Cabeça já está, ali estarão os membros. Cristo é a primícia da humanidade glorificada — primogenitus multorum fratrum, primogênito de muitos irmãos (Rm 8,29). Aonde Ele foi, iremos nós — se permanecermos fiéis.
‘Sentou-Se à direita de Deus’
Esta expressão do Credo é altamente teológica. À direita de Deus não é lugar geográfico — Deus não tem direita nem esquerda. É posição de máxima glória, poder e intercessão.
Cristo à direita do Pai é Sumo Sacerdote eterno (Hb 8,1), que vive sempre para interceder por nós (Hb 7,25). Cada Missa que celebramos na Terra é união com aquela liturgia celeste eterna — o Sacerdote celeste ofertando ao Pai o Sacrifício redentor que também se atualiza sobre nossos altares.
Cristo à direita do Pai é Cabeça da Igreja, que enche todas as coisas em tudo (Ef 1,23). Nada acontece à Igreja sem que passe por Suas mãos gloriosas. Toda perseguição, toda dificuldade, todo sofrimento eclesial está sob Sua supervisão amorosa.
O mandato missionário
Antes de subir, Cristo dá o mandato: Ide por todo o mundo. Pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado.
Palavras dificílimas para nossa geração que quer relativizar tudo. Mas são de Cristo — não do Papa, não da Igreja institucional, não de teólogos rigoristas. Do próprio Cristo Ressuscitado, no dia da Ascensão. Portanto:
Ide por todo o mundo — universalismo. Cristo não é para um povo apenas. É para todos. Toda religião não-cristã, por mais respeitável que seja em elementos parciais, é incompleta. Só em Cristo há salvação plena (At 4,12).
Pregai o Evangelho — anúncio explícito. Não basta ‘testemunho silencioso’. Cristo pede pregação, palavra clara, kerigma explícito. O anúncio verbal é insubstituível.
Quem crer e for batizado será salvo — necessidade da fé e do Batismo. A fé sem o Batismo é insuficiente (o Batismo é meio ordinário de salvação — CIC 1257). O Batismo sem a fé pessoal do adulto é inválido (recebe água, não graça).
Quem não crer será condenado — realidade do inferno. Cristo não retirou nenhuma palavra. A condenação eterna existe e é possível. Nossa geração não gosta desta verdade — mas verdade não deixa de sê-lo por não gostarmos.
Isto não anula o ensinamento do Concílio Vaticano II (Lumen Gentium 16) sobre a possibilidade de salvação para os que, sem culpa, ignoram o Evangelho e seguem a lei natural. Mas: (1) esta possibilidade não anula o mandato missionário, antes o urge; (2) quem já ouviu o Evangelho e conscientemente o rejeita, incorre em responsabilidade objetiva. Ler CIC 846-848.
Atos 1 — a promessa do Espírito
A primeira leitura, de Lucas em Atos, dá detalhes do dia da Ascensão. Cristo promete: Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.
Este é o programa geográfico do cristianismo primeiro. E a promessa se cumpre em Pentecostes, nove dias depois. Toda a estratégia missionária é: não vamos sozinhos — vamos com o Espírito Santo. Sem Ele, tudo é esforço estéril; com Ele, tudo é frutífero mesmo em fraqueza.
‘Homens da Galileia, por que estais olhando para o Céu?’
Detalhe belíssimo: enquanto os apóstolos ficam paralisados olhando para o alto, dois anjos aparecem e os interpelam: Homens da Galileia, por que estais olhando para o Céu? Este Jesus, que dentre vós foi elevado ao Céu, assim virá do mesmo modo como O vistes ir.
Dois ensinamentos:
Primeiro: não fiquem paralisados. A Ascensão não é convite à contemplação passiva. É envio à ação. Voltem, esperem o Espírito, e depois ide.
Segundo: Ele voltará. A segunda vinda de Cristo — a Parusia gloriosa — é dogma católico. Cristo voltará visivelmente, gloriosamente, para julgar os vivos e os mortos (CIC 668-682). Rezamos isto em cada Credo. Toda vida cristã se orienta para este encontro definitivo.
Efésios 4 — a Igreja edificada
A segunda leitura, de Paulo aos Efésios, mostra o efeito da Ascensão sobre a Igreja: Subindo às alturas, levou os cativos, e concedeu dons aos homens. E Ele mesmo constituiu uns apóstolos, outros profetas, outros evangelistas, outros pastores e mestres — para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo.
Do Céu, Cristo distribui carismas e ministérios. A hierarquia eclesial — Papa, bispos, presbíteros, diáconos — é dom do Cristo glorificado. Os carismas variados dos leigos — dons de ensino, misericórdia, governo, exortação — também vêm do Alto. Nada é acidente na Igreja; tudo é providência do Cabeça glorificado.
Aplicação
Três compromissos concretos:
Primeiro: assuma a missionariedade batismal. Você é responsável pela evangelização — em seu ambiente, sua família, seu trabalho. Não delegue a padres e freiras. Todo batizado é missionário por natureza (CIC 863).
Segundo: viva com os olhos no Céu. Não instale seu coração em bens passageiros. Buscai as coisas do Alto (Cl 3,1). Isto não significa desprezar as coisas terrenas — significa relativizá-las à luz da eternidade.
Terceiro: prepare-se para a Parusia. Cristo voltará — não sabemos quando. Devemos viver como quem O espera a qualquer momento. Confissão frequente, comunhão fervorosa, obras de misericórdia, oração fiel. Se Ele viesse hoje, você estaria pronto?
Jesus subiu ao Céu não para se ausentar, mas para estar mais presente. Está no Céu à direita do Pai — e nos Sacrários de cada paróquia. Amém.
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