Educação, saúde, IPVA e corrupção: segundo bloco do debate tem troca de acusações entre candidatos – NC News
Fonte: ncnews.com.br | Data: 16/08/2026 22:01:51
O segundo bloco do debate da Band Minas foi marcado por confrontos diretos, troca de acusações e apresentação de propostas para áreas como segurança pública, saúde, educação, arrecadação e combate à corrupção.
Nesta etapa, cada candidato teve direito a fazer uma pergunta e também a responder a um dos adversários. A ordem de quem começaria cada confronto foi definida por sorteio. As perguntas tiveram duração máxima de 30 segundos, enquanto as respostas puderam chegar a dois minutos. Depois, os candidatos tiveram até um minuto e 30 segundos para a réplica e até um minuto para a tréplica.
A rodada começou com Cleitinho Azevedo (Republicanos) questionando Gabriel Azevedo (MDB) sobre a apreensão de veículos por falta de pagamento do IPVA.
Cleitinho e Gabriel discutem apreensão de veículos
Cleitinho afirmou que não é contra as blitzes, mas questionou se o Estado deve apreender veículos de proprietários que não estão com o imposto em dia.
“Eu não sou contra blitz, acho que a blitz é necessária. Mas, na hora que chega uma blitz aí uma pessoa que comprou seu carro, pagou imposto, pagou IPVA, e porque não pagou IPVA o carro é apreendido pelo Estado. Um carro que é seu, que é patrimônio do cidadão. Quero saber se você é a favor desse tipo de apreensão?”, perguntou
Gabriel respondeu defendendo uma atuação do Estado que, segundo ele, seja mais justa com a população. O candidato também criticou a política de benefícios fiscais para grandes empresas e citou problemas na segurança pública.
“Eu acredito num Estado que vai chegar aos poucos para entender como todo mundo paga seu imposto.”, respondeu
Gabriel afirmou que Minas concede bilhões de reais em subsídios e questionou o tratamento dado aos pequenos empresários.
“Você já viu a quantidade de empresário que não paga imposto em Minas Gerais? Nós estamos falando de bilhões de subsídios e, para ter uma ideia, nos últimos oito anos, esse governo concedeu para 4 mil empresas, inclusive o direito de não pagar impostos. Agora você pensa: você tem total de gente com empresa gigantesca tendo perdão, tendo facilidade e não tendo puxão de orelha sequer. Por que que o pequeno está sofrendo?”, disse
Na réplica, Cleitinho afirmou que, caso seja eleito governador, pretende acabar com a apreensão de veículos exclusivamente pelo não pagamento do IPVA.
“Como governador, a primeira coisa que eu vou fazer é não ter esse sistema de recolher carro por não pagamento de IPVA.”, afirmou
O senador também voltou a criticar o Estado pela cobrança de impostos e afirmou que o poder público precisa cumprir suas próprias obrigações.
“O Estado cobra obrigação do cidadão, mas o Estado não faz obrigação dele.”, concluiu
Cleitinho citou ainda problemas na saúde e lembrou medidas que, segundo ele, adotou durante sua trajetória política. Na tréplica, o senador afirmou que pretende administrar os recursos públicos de forma diferente e destacou sua experiência na vida pública.
“Uma das grandes condições é quem vai saber cuidar bem do dinheiro do cidadão. Eu quero me colocar à disposição no sentido em que eu estou há 20 anos na vida pública.”, disse
Gabriel questiona Kalil sobre trabalhadores de aplicativo
O segundo confronto colocou Gabriel Azevedo frente a frente com Alexandre Kalil (PDT).
Gabriel afirmou que leu os planos de governo dos candidatos e questionou Kalil sobre propostas para os trabalhadores de aplicativos. O candidato do MDB lembrou discussões ocorridas durante a gestão de Kalil na Prefeitura de Belo Horizonte.
“Na época que o senhor foi prefeito, o senhor queria proibir os trabalhadores de aplicativo. Eu não vi nada para eles no seu plano. O senhor tem uma proposta para esse enorme número de pessoas?”, perguntou
Kalil rebateu a afirmação e disse que nunca foi contra motoristas de aplicativo. Segundo o ex-prefeito, durante sua gestão houve uma negociação envolvendo motoristas de táxi e de plataformas.
“Isso é mentira, eu não combati ninguém, não. Quando eu estava na prefeitura, eu trouxe pra mesa. O pessoal do Uber, do táxi, sabe disso.”, respondeu
Kalil afirmou que buscou resolver os conflitos entre as categorias e disse que o problema era uma consequência da transformação provocada pela chegada dos aplicativos.
“Eu nunca fui contra um ou contra outro, eu queria resolver um problema que a modernidade impôs na minha época na prefeitura.”, disse
Na réplica, Gabriel voltou a questionar a postura de Kalil e afirmou que um governador precisa ter capacidade de dialogar com diferentes setores.
“Todo mundo sabe, que você não sabe se controlar, e quem não consegue se controlar vai ter muita dificuldade pra governar um estado, quando se tem que conversar com instituições judiciárias e conversar com todo mundo.”, complementa
Gabriel também afirmou que seu plano prevê medidas para os trabalhadores de aplicativos e citou o número de pessoas que atuam no setor.
“Tem 1,65 milhão de pessoas trabalhando no aplicativo. Nosso plano de governo, porque eu li, não assino sem ler, porque eu escrevi, porque estou há um ano rodando, eu converso com motorista, com pessoas que entregam comida, e todo mundo quer melhor condição de trabalho.”, disse
Na tréplica, Kalil afirmou que a expressão utilizada por ele anteriormente não tinha a intenção de desqualificar o adversário.
“Gente, não sou assim. Ar professoral é uma expressão que se refere a quem fala bem ou microfone. Eu não sou seu adversário nesse debate.”, concluiu
Kalil e Mateus Simões trocam acusações sobre corrupção
O terceiro confronto colocou Alexandre Kalil e o governador Mateus Simões (PSD) frente a frente. Kalil questionou Simões sobre corrupção no governo estadual e afirmou que o assunto estava sendo pouco explorado no debate.
Na resposta, Simões defendeu a política de afastamento de servidores e integrantes do governo quando são alvo de investigações.
“Nós temos uma lógica muito clara no governo de Minas há vários anos. Qualquer investigação que se inicia contra qualquer membro do governo leva à exoneração dessa pessoa.”, disse
O governador afirmou que, em uma estrutura com mais de 450 mil pessoas, podem ocorrer desvios individuais, mas defendeu o afastamento dos envolvidos.
“É claro que uma instituição como o governo do Estado de Minas Gerais, formada por mais de 450 mil pessoas, vai ter muitas que agem bem, mas há sempre aqueles que praticam desvios. E estes vão ser afastados.”, disse
Na sequência, Simões direcionou críticas à gestão de Kalil na Prefeitura de Belo Horizonte e citou processos envolvendo o ex-prefeito. Kalil rebateu as acusações e negou qualquer envolvimento com corrupção. Ele também contestou a afirmação de que teria utilizado avião da Prefeitura para viagens particulares.
“Nesse caso de jogar, para mim, é um absurdo. É o pai da mentira. Eu não respondo a um processo de corrupção na minha vida.”, afirmou
Kalil também afirmou:
“Se alguém for na internet falar que eu peguei avião da prefeitura pra jogar, eu nunca fui jogar.”, disse
Na tréplica, Simões voltou a defender a gestão estadual e citou índices de transparência alcançados por Minas Gerais durante a administração de Romeu Zema.
“Eu tenho a tranquilidade de saber que tenho um Estado que está sob o meu comando e do ex-governador Romeu Zema, que saiu da 26ª posição da transparência para a primeira.”, afirma
O governador encerrou o confronto defendendo o combate à corrupção.
“Combater corrupção é compromisso. Vamos continuar tratando com todo respeito e responsabilidade para garantir que qualquer um que lese o mineiro seja responsabilizado.”, disse
Saúde vira tema entre Simões e Roscoe
Na sequência, Mateus Simões escolheu Flávio Roscoe (PL) para um confronto sobre saúde pública.
O governador questionou o candidato sobre a descentralização dos atendimentos médicos no interior e citou pacientes que precisam viajar até Belo Horizonte para realizar tratamentos, como a hemodiálise.
“Um paciente de hemodiálise ficava de duas a três horas na estrada, até o início do nosso governo, dia sim, dia não, pra fazer o seu tratamento. Qual é a sua proposta para mudar a questão da centralização da saúde?”, pergunta
Roscoe afirmou que a Região Metropolitana ainda recebe um grande número de pacientes vindos do interior e defendeu a ampliação da estrutura hospitalar fora da capital.
“É notório que a Região Metropolitana recebe um grande fluxo de pacientes ainda hoje de todo o interior de Minas Gerais.”, respondeu
O candidato defendeu investimentos em hospitais regionais e equipamentos de alta complexidade no interior.
“Nós vamos intensificar esse projeto, trazer os equipamentos, os grandes equipamentos de complexidade para próximo do cidadão.”, disse
Roscoe também citou a necessidade de ampliar os leitos de UTI no interior. Na réplica, Simões afirmou que o governo já ampliou os centros de hemodiálise fora da Região Metropolitana.
“Nós aumentamos o centro de hemodiálise no interior do estado. Pode parecer pouco porque não precisa. Saúde é compromisso do meu governo e é uma questão de dignidade.”, afirma
Na tréplica, Roscoe defendeu uma maior parceria com hospitais filantrópicos.
“Nós vamos intensificar a parceria com os hospitais filantrópicos, porque eles têm mais popularidade de hospitais estaduais e, com isso, vamos melhorar o atendimento.”, concluiu
O candidato também prometeu ampliar investimentos em leitos de UTI e procedimentos realizados no interior.
Educação encerra o bloco
O último confronto do segundo bloco foi entre Flávio Roscoe e Cleitinho. Roscoe perguntou quais seriam as propostas do senador para a educação em Minas Gerais.
Cleitinho citou o Fundeb e defendeu a valorização dos professores e dos servidores de carreira.
“Nós temos o Fundeb e temos que ratear também com os professores. É importante que nós deixemos uma secretária de Estado que entenda os professores, entenda a realidade da sala de aula.”, disse
O senador afirmou que pretende estabelecer diálogo com os profissionais da educação e disse que os próprios professores participariam da escolha da secretária da área.
“Os professores de Minas Gerais vão me indicar uma nova secretária.”, afirma
Cleitinho também prometeu investimentos na estrutura das escolas e defendeu políticas de saúde mental para professores, crianças e adolescentes.
“Eu vou investir nas escolas, na estrutura, para as professoras, principalmente na saúde mental.”, afirma
O candidato ainda defendeu o aumento do tempo de permanência dos alunos nas escolas e afirmou que pretende valorizar as universidades estaduais.
Por fim, Cleitinho falou sobre a remuneração dos professores e comparou os salários da categoria com os vencimentos de políticos.
“O que mais sonho é conseguir aumentar o salário do professor. Vereador ganha 12, 20 mil, o deputado ganha de 25 a 30 mil, senador ganha 40 mil, presidente ganha 40 mil e o teto da professora chega em R$ 3 mil.”, disse