Motorista de acidente que matou dez na BR-040 corria para ver o nascer do sol, diz sobrevivente
Fonte: otempo.com.br | Data: 17/08/2026 17:00:13
Uma das sobreviventes do acidente na BR-040, que deixou dez mortos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, afirma que o motorista do ônibus estava em alta velocidade desde o início da viagem em Belo Horizonte. Maria Luíza Pereira, de 27 anos — que perdeu uma das filhas, de 7 anos, e a irmã, de 31 —, conta que, em determinado momento do trajeto, um funcionário da empresa que acompanhava a viagem avisou aos passageiros que o condutor iria acelerar para que o grupo chegasse a Copacabana a tempo de ver o nascer do sol.
A diarista, que mora na Vila Acaba Mundo, na região Centro-Sul de BH, relata que aceitou fazer a viagem porque vários familiares estariam presentes. “Confesso que, no início, não queria ir, pois tenho muito medo de rodovias. Sempre tive receio de viajar. Minha irmã acabou insistindo e, então, aceitei”, diz.
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Maria Luíza viajou com os quatro filhos, entre eles Lavínia Eduarda, que morreu no acidente. “O nosso embarque foi nas proximidades da Prefeitura de Belo Horizonte, por volta das 21h de sábado (15/8). Depois, o motorista passou por outros pontos, e me chamou a atenção o fato de dirigir em alta velocidade. Antes de sairmos de BH, reclamei com o funcionário que acompanhava o motorista para que pedisse a ele para ir mais devagar.”
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Já na rodovia a caminho do Rio de Janeiro, a diarista conta que não conseguiu dormir “de tanto que o motorista corria”. “Uma tia até falou para eu tentar descansar durante o trajeto, mas eu não conseguiria. Por volta de 1h, o ônibus fez uma parada e, depois disso, senti que ele correu ainda mais.”
Maria Luíza relembra que, em determinado momento, os passageiros foram avisados de que o motorista iria acelerar para que todos pudessem ver o nascer do sol. “Nessa hora, disse que o que eu queria era chegar viva, mas ele me respondeu dizendo que ‘é a coisa mais linda o nascer do sol em Copacabana’.”
Na serra, Maria Luíza afirma que notou um barulho como se alguma parte do veículo estivesse arrastando na pista. “Quando olhei pela janela, notei que o ônibus estava em zigue-zague. Ele bateu em algo, saiu da pista e bateu na ribanceira. Comecei a gritar. Saíam faíscas do ônibus e todo mundo em desespero, dizendo que ia morrer. Eu só clamei por Deus.”
Das 47 pessoas que estavam no coletivo, dez morreram. Maria Luíza recebeu alta médica nesta segunda-feira (17/8). “Machuquei a testa e o rosto, tive muitos arranhões e meu olho ficou muito roxo”, descreve sobre os ferimentos.
Maria Luíza desabafa sobre a situação após a morte da filha e da irmã. “Esse motorista acabou com a vida da minha família. Eu falei com ele que crianças estavam sendo transportadas ali”, diz.
Procurada, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que o motorista foi socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde. A instituição foi questionada sobre os desdobramentos e os procedimentos legais aplicáveis ao condutor após a alta médica. O retorno é aguardado.