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Drones vão dividir o convoo com caças nos porta-aviões dos EUA

Fonte: aerojota.com.br | Data: 18/08/2026 07:58:47

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Porta-aviões dos EUA começam a abrir espaço para aviões sem piloto

Durante décadas, olhar para o convoo de um porta-aviões norte-americano significou encontrar caças, aviões de alerta aéreo, aeronaves de transporte e helicópteros. Agora, uma nova categoria começa a conquistar definitivamente seu espaço nesse ambiente.

A Marinha dos Estados Unidos avança na preparação de seus navios para operar também aviões não tripulados, uma mudança que poderá alterar a composição das futuras alas aéreas embarcadas.

Um dos protagonistas dessa transformação será o Boeing MQ-25A Stingray, desenvolvido para operar diretamente a partir dos porta-aviões.

Avião não tripulado Stingray irá dividir espaço no convoo de porta aviões dos EUA_Imagem ilustrativa 1
USS Theodore Roosevelt se prepara para a nova aviação embarcada

O USS Theodore Roosevelt (CVN-71) está sendo preparado para integrar o MQ-25 às operações da ala aérea embarcada.

A mudança envolve muito mais do que encontrar espaço no convoo para estacionar outra aeronave. Os porta-aviões precisam receber sistemas capazes de controlar e acompanhar os aviões não tripulados durante suas operações.

Essa estrutura é conhecida como Unmanned Air Warfare Center (UAWC). A partir dela, operadores poderão comandar o MQ-25 utilizando o sistema de controle desenvolvido para as operações embarcadas.

Entretanto, o Theodore Roosevelt não é o primeiro porta-aviões norte-americano a receber essa tecnologia. Em dezembro de 2024, a U.S. Navy anunciou a instalação do primeiro UAWC plenamente operacional e integrado no USS George H.W. Bush (CVN-77).

A importância do processo atual está justamente na expansão dessa capacidade para a frota.

Isso não significa, porém, que o Theodore Roosevelt já esteja operando o Stingray. A capacidade operacional inicial do MQ-25 está prevista para 2029. Para atingir esse estágio, a Marinha dos Estados Unidos considera uma estrutura com três aeronaves, pessoal treinado e equipamentos suficientes para operar a partir de um porta-aviões preparado para o sistema.

Atualmente, o programa prevê 76 MQ-25A, incluindo aeronaves destinadas ao desenvolvimento e aos testes.

MQ-25 Stingray será o primeiro passo

O MQ-25 terá como missão principal o reabastecimento aéreo das aeronaves da ala embarcada.

Atualmente, parte dessa tarefa pode ser realizada pelos próprios F/A-18E/F Super Hornet, equipados para transferir combustível a outras aeronaves. Com o Stingray, mais caças poderão permanecer disponíveis para suas missões principais.

Além disso, a mudança deverá aumentar o alcance operacional da ala aérea embarcada. A própria Marinha norte-americana considera o MQ-25 um precursor da integração entre aeronaves tripuladas e não tripuladas nos porta-aviões.

Portanto, o Stingray representa algo maior do que a chegada de um novo avião-tanque.

O desafio também será integrar uma aeronave sem piloto à intensa rotina de um convoo. O MQ-25 terá de compartilhar o mesmo ambiente das aeronaves tripuladas, participando das operações de movimentação, lançamento, missão e recuperação a bordo.

Na prática, isso significa colocar caças e aviões não tripulados dentro da mesma rotina operacional de um porta-aviões.

Assim, o Stingray abre caminho para que futuros sistemas não tripulados passem a dividir regularmente o convoo, as catapultas e as operações aéreas com caças e outras aeronaves tripuladas.

Aviao-nao-tripulado-Stingray-ira-dividir-espaco-no-convoo-de-porta-avioes-dos-EUA_Imagem-ilustrativa-3
Stingray já entrou em uma nova fase

Enquanto os porta-aviões recebem as modificações necessárias, o próprio MQ-25 avançou significativamente em 2026.

Em 25 de abril, o primeiro MQ-25A representativo da configuração operacional realizou seu voo inaugural nas instalações da Boeing em Illinois. A missão durou aproximadamente duas horas e avaliou controles de voo, motor e características de pilotagem.

Poucas semanas depois, em maio, o programa recebeu a aprovação Milestone C, autorizando sua passagem para a fase inicial de produção em baixa cadência.

Já em julho, a aeronave realizou seu segundo voo de testes. Dessa vez, foram realizados ciclos de recolhimento e extensão do trem de pouso, além da utilização de uma nova versão de software destinada à futura expansão do envelope de voo.

Ainda existe, portanto, um caminho de testes até que o Stingray faça parte da rotina operacional dos porta-aviões.

Mas a transformação já começou nos próprios navios.

A imagem tradicional de um convoo ocupado apenas por aeronaves tripuladas começa a mudar. Caças, helicópteros e aviões de apoio deverão passar a dividir espaço com aeronaves sem piloto a bordo, abrindo uma nova fase na história da aviação naval norte-americana.