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Beatriz Azevedo destaca a importância da participação jovem nas decisões da COP17 de Combate à Desertificação

Fonte: manauaranews.com.br | Data: 18/08/2026 11:34:27

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A inclusão efetiva dos jovens nos processos decisórios das conferências internacionais sobre meio ambiente ainda é um desafio, apesar do avanço na participação dessa faixa etária nos últimos anos. Essa é a avaliação feita pela advogada cearense Beatriz Azevedo, de 33 anos, que em 2024 foi uma das dez jovens homenageadas como Land Heroes pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

O título de Land Hero reconhece indivíduos e organizações juvenis que promovem ações contra a desertificação, a degradação do solo e a seca, buscando dar visibilidade a agentes transformadores e aproximá-los dos processos da convenção.

Para Beatriz, enquanto há uma expectativa de que os jovens sejam protagonistas na solução da crise ambiental e climática, muitas vezes não lhes são oferecidos estrutura, financiamento e oportunidades profissionais proporcionais a essa demanda.

Em entrevista, a advogada discorre sobre os desafios de converter representatividade em influência política, o financiamento de ações de restauração e as perspectivas para a COP17, que ocorre de 17 a 28 de agosto em Ulaanbaatar, Mongólia, com o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”.

O evento reúne representantes de 197 países, além de cientistas, empresas, organizações da sociedade civil, povos indígenas, pastores, agricultores familiares e jovens, para debater restauração de terras, seca, segurança alimentar, financiamento e resiliência.

Beatriz preside a Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e é fundadora da ABA Climate Solutions, consultoria especializada em financiamento climático.

Ela espera que a COP17 aumente a visibilidade dos problemas que afetam diretamente o Nordeste brasileiro, destacando que, enquanto as negociações climáticas geralmente se concentram na Amazônia, o foco da conferência sobre desertificação coloca a Caatinga e o Semiárido no centro das discussões.

Integração das agendas da UNCCD com a realidade do Nordeste

Beatriz explica que leva as experiências locais para a ONU, aproveitando os espaços de fala que tem em países como Arábia Saudita, China e Panamá para compartilhar as condições do Ceará e as soluções que vem desenvolvendo ao longo de 14 anos.

A convenção enfatiza a contenção e compensação da degradação por meio da conservação e restauração. Atualmente, a consultoria de Beatriz está em processo de adesão à coalizão Business4Land, que reúne empresas que promovem negócios relacionados ao uso sustentável da terra.

Muitos jovens premiados atuam diretamente na implementação, como uma amiga que conduz projeto de restauração com moringa na África e outro colega que trabalha com agricultores na Índia. A iniciativa de Beatriz atua na intermediação entre financiadores e projetos, focando em financiamento e políticas públicas, além de acompanhar políticas estaduais no Conselho Estadual do Meio Ambiente, buscando sempre integrar o local ao internacional.

Participação jovem nos espaços decisórios internacionais

Relatando sua experiência em diversas conferências da ONU, Beatriz destaca que a participação juvenil avançou significativamente desde 2013, quando não existia espaço para jovens na COP da Desertificação. Atualmente, existem fóruns como o Youth Forum, programas Land Heroes, Ecopreneur para empreendedores verdes e o Youth Negotiators, que capacita jovens negociadores.

O desafio atual é como fazer com que as contribuições dos jovens sejam de fato incorporadas nas decisões finais que são tomadas pelos países. Para isso, os jovens precisam atuar diretamente com seus governos nacionais.

Ela ressalta que o governo brasileiro tem historicamente mantido abertura ao diálogo com o Itamaraty e ministérios, essencial para fundamentar as posições nacionais.

Justiça climática e expectativas da juventude

Beatriz observa que a juventude representa diferentes realidades, mas se caracteriza pela energia e disposição para atuar diretamente com projetos de impacto. Além disso, é a geração que será preparada para liderar em um cenário marcado por crises climáticas e eventos mais severos, como o El Niño.

Ela destaca que a formação científica e o conhecimento dos processos decisórios tornam os jovens mais aptos, além de fortalecerem-se redes de articulação com governos e sociedade civil, contribuindo para a formação de lideranças.

Prioridades e exigências para a COP17

Para Beatriz, o governo brasileiro tem enfatizado a bioeconomia, combinando restauração da terra com benefícios socioeconômicos, como geração de emprego e renda. Sua empresa, por exemplo, investiga projetos que relacionam a cultura da macaúba para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) com restauração ambiental, além de iniciativas financiadas pelo mercado de carbono.

Ela destaca a necessidade de decisões que equilibrem viabilidade econômica, ambiental e social, lembrando que não se pode exigir conservação sem garantir meios de subsistência para os cuidadores do território.

Beatriz também ressalta que essas ações devem caminhar junto à demarcação de terras indígenas e garantias de direitos, possibilitando financiamento justo que alcance assentamentos rurais e comunidades locais, promovendo a repartição dos benefícios.

Diferença de visibilidade entre COPs e oportunidades para o Nordeste

A COP da Desertificação costuma receber menor atenção do que as COPs do Clima e da Biodiversidade, sobretudo por ser associada a regiões específicas como o semiárido nordestino. No entanto, Beatriz entende essa situação como uma oportunidade para o Nordeste pautar suas demandas diretamente com o governo e outros países.

Desafios enfrentados pelos jovens ativistas

Beatriz compartilha que entre 2016 e 2021 se afastou do processo da ONU devido à sobrecarga emocional causada pela participação em conferências sem mudanças no ritmo desejado, optando por focar na atuação local.

Ela destaca que há uma narrativa que coloca o jovem como solução, mas que ainda existe pouca estrutura e financiamento disponíveis para esse segmento, sendo o trabalho no terceiro setor frequentemente instável, apoiado em voluntariado e com remunerações precárias.

Embora o ativismo promova visibilidade e abra portas, nem sempre ele gera emprego e renda imediatos, afetando a saúde mental dos jovens envolvidos. Por isso, ao retornar às arenas internacionais, Beatriz passou a concentrar esforços no financiamento, entendendo que esse é o principal gargalo para que recursos cheguem a quem executa os projetos.

Incentivo à participação dos jovens na agenda ambiental

Beatriz deixa uma mensagem de esperança e estímulo, ressaltando que, apesar da complexidade do tema, atuar na agenda ambiental é uma chance de alinhar propósitos pessoais e promover impacto positivo na sociedade por meio de soluções, tecnologias e projetos inovadores.

Ela afirma que vale a pena seguir esse caminho profissional e de vida, enfatizando a importância do engajamento juvenil na pauta ambiental.