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Especialista lista ações para reduzir curtailment

Fonte: alemdaenergia.engie.com.br | Data: 18/08/2026 19:26:24

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Para mitigar o desperdício de energia renovável no Brasil, que se estima que tenha sido de 20% de toda a geração desse tipo entre janeiro e outubro de 2025, o professor Felipe Buchbinder, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), propõe uma série de medidas.

Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, ele listou as ações que podem reduzir o efeito do curtailment nesse tipo de fonte. Em seu texto, Buchbinder destacou, também, que o governo acaba mantendo o funcionamento das termelétricas em detrimento das renováveis, principalmente por uma questão regulatória e contratual.

O especialista ressalta que os acordos vigentes impõem a operação contínua das usinas termelétricas, sob pena de multas financeiras caso haja interrupção na produção.

Como o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) fica legalmente impedido de desligar as termelétricas devido a essas amarras contratuais, a única saída encontrada para evitar uma instabilidade no sistema ou um apagão por excesso de energia é interromper as fontes limpas, desligando as usinas solares e eólicas.

E há uma razão para isso: se toda a carga excedente fosse jogada de uma vez na rede elétrica, causaria uma forte instabilidade no sistema, podendo levar a um apagão.

Além desse gargalo contratual, há um problema logístico e natural de descasamento entre a geração e o consumo: o pico de geração da energia solar ocorre durante o dia, entre 9h e 16h, mas o pico de demanda da população acontece apenas no início da noite, entre 18h e  21h.

Em outras palavras: quando o consumo atinge seu nível máximo, a insolação necessária para a geração solar já não está mais disponível, o que força o sistema a depender de outras fontes que já estão ligadas.

Para Buchbinder, existem alguns caminhos para resolver o dilema citado acima.

  1. Revisão dos contratos das termelétricas: para ele, é fundamental rever as regras que obrigam as usinas termelétricas a operarem sem parar sob risco de multa. Ao permitir que essas usinas reduzam a geração de energia sem sofrer penalidades, o ONS não precisaria mais desligar usinas solares e eólicas para compensar o excesso de carga na rede.
  2. Flexibilidade para micro e minigeradores: atualmente, esses geradores são obrigados a injetar energia na rede de forma contínua. A solução proposta é permitir que eles também participem dos cortes de fornecimento em situações de excesso de energia no sistema.
  3. Leilões diários de preço: a implementação de leilões diários serviria para disciplinar o mercado de energia, com a vantagem de não exigir a criação de novas legislações.
  4. Antecipação das linhas de transmissão: segundo Buchbinder, a solução para o gargalo logístico já existe e as linhas de transmissão necessárias estão contratadas, mas é preciso antecipar os prazos de entrega, que atualmente estão previstos apenas para depois de 2029. Isso permitiria escoar a energia gerada no Nordeste para o Sudeste, onde se concentra o consumo.
  5. Tarifas variáveis e medidores inteligentes: a adoção de medidores inteligentes viabilizaria a cobrança de tarifas que variam conforme o horário. Isso ajudaria a deslocar a demanda de consumo, que costuma ter pico entre 18h e 21h, para os horários de abundância energética, como o pico de geração solar que ocorre entre 9h e 16h.
  6. Carregamento inteligente de veículos elétricos: aproximadamente 500 mil veículos elétricos no país poderiam otimizar o uso de energia, carregando suas baterias nos períodos de sobra energética, convertendo potencial desperdício em eficiência energética.