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Acordo entre Fórum SBTVD, ATSC e TTA impulsiona internacionalização da TV 3.0 – TELA VIVA News

Fonte: telaviva.com.br | Data: 18/08/2026 22:21:16

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Madeleine Noland, Ana Eliza Faria e Silva, Gunnar Bedicks e Daejung Kim. (Crédito: Tela Viva)

O Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (Fórum SBTVD), a ATSC e a TTA (órgão sul-coreano) debateram os próximos passos para a padronização global da próxima geração de televisão aberta. O encontro ocorreu em paine no SET Expo 2026, evento que acontece nesta semana em São Paulo. O objetivo da união das entidades é criar um ecossistema interoperável e com escala global para o mercado de radiodifusão televisiva.

O acordo de cooperação técnica, formalizado por meio de um memorando de entendimento assinado em maio deste ano, visa estabelecer bases comuns de tecnologia. “O ATSC 3.0 foi desenvolvido por meio de uma chamada internacional de propostas que selecionou as melhores tecnologias disponíveis para definir um sistema de TV digital extremamente eficiente, flexível e convergente”, relembrou o CTO da Seja Digital, Gunnar Bedicks, mediador do painel. Ele pontuou que o Fórum selecionou tecnologias do padrão norte-americano como base para a TV 3.0 brasileira, a DTV+.

A gerente sênior de Regulatório de Tecnologia da Globo, Ana Eliza Faria e Silva, explicou que a busca por harmonização entre os países traz sustentabilidade para todo o setor. “Internacionalização é importante por conta de escala. E sempre que a gente fala de escala, a gente sempre pensa escala em receptores, e ampliar o mercado para venda de produtos”, afirmou. Segundo a executiva, a cooperação fortalece a indústria nacional de transmissores e cria uma plataforma robusta, permitindo que nações interessadas em atualizar seus parques de radiodifusão não precisem começar os estudos tecnológicos do zero, aproveitando a jornada consolidada pelo Brasil.

A presidente da ATSC, Madeleine Noland, traçou um panorama da adoção do padrão nas Américas, destacando implementações no bloco formado por Estados Unidos, Jamaica e Trinidad e Tobago, além de testes na Índia e no Canadá. Ela apontou a necessidade de o mercado parar de tratar as antenas apenas como transmissores de vídeo e passar a encará-las de forma convergente. “Pensem nisso como uma plataforma de comunicações”, aconselhou. Noland exemplificou os novos casos de uso do espectro, como atualizações de software para automóveis, alertas de emergência resilientes e publicidade direcionada. Sobre o momento regulatório e técnico brasileiro, ela declarou: “Vocês têm o estado da arte, o melhor sistema de televisão do mundo. Sem exceção. Vai demorar um pouco até que outro país eclipse isso”.

Na Coreia do Sul, o padrão já é uma realidade desde 2017 e alcança mais de 80% da população. O vice-presidente e chefe da Divisão de Normalização da TTA, Daejung Kim, detalhou que o memorando de entendimento, assinado pelas três entidades em Seul, na Coreia do Sul, estabelece metas práticas para o setor. “Pela primeira vez, organizações de padronização da América do Norte, América do Sul e Ásia sentam-se dentro de uma única estrutura formal de cooperação”, destacou. Segundo Kim, o grupo trabalhará no desenvolvimento conjunto de tecnologias como a intersecção de banda larga e broadcast, alertas de emergência e certificações de equipamentos.

O próximo passo da iniciativa trilateral prevê o desenvolvimento de especificações harmonizadas para receptores, visando baratear o custo global dos dispositivos. A estratégia engloba ainda a submissão de propostas unificadas do Brasil, Estados Unidos e Coreia do Sul à União Internacional de Telecomunicações (ITU), com o intuito de consolidar o ecossistema como o formato definitivo de radiodifusão do futuro.