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Summit Talks destacou usos da IA e protagonismo do médico

Fonte: correiodopovo.com.br | Data: 20/08/2026 07:05:23

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A inteligência artificial já vem sendo utilizada em larga escala na medicina, seja para reduzir tarefas administrativas, auxiliar no diagnóstico, diminuir custos ou prever e simular situações clínicas. Para utilizar a ferramenta da melhor forma, é necessária uma formação continuada, que estimule o pensamento crítico e valorize o papel central do médico e do atendimento humanizado. O uso da IA, no entanto, não retira a responsabilidade civil do médico, que segue responsável por validar as decisões.

Todos esses assuntos foram temas do Summit Talks: IA na Medicina, evento promovido pelo Correio do Povo nesta quarta-feira, no Campus II da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo. O evento reuniu quase 200 pessoas, que acompanharam três painéis com médicos, professores e advogados sobre os impactos da inteligência artificial na prática médica.

No primeiro painel, “Devolvendo o Médico ao Paciente: Como a IA Pode Eliminar a Fricção da Saúde”, o médico do trabalho e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Thiago Dal Bosco, apresentou estudos que indicam que o médico dedica exclusivamente à atenção do paciente apenas 27% do seu tempo, enquanto 47,2% são destinados a trabalhos administrativos e de documentação. Ou seja, menos de um terço do tempo é dedicado diretamente ao paciente.

“A IA não faz medicina, mas potencializa a medicina. Acho que todo mundo pode estar preparado para usar a IA, com critério, ética e evidência”, destacou Dal Bosco. Segundo ele, as ferramentas colaboram para que o médico passe mais tempo com o paciente e, também, proporcionam mais segurança ao atendimento, com maior qualidade na tomada de decisões e menor carga administrativa.

Também participaram do painel o conselheiro do Cremers e consultor de IA na medicina Vinicius Lain e o gerente de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Vento, Felipe Cabral. A mediação foi do vice-presidente do Cremers, Eduardo Trindade.

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No painel sobre a formação médica na era digital, o coordenador do curso de Medicina da Feevale, Leandro Orlandini, destacou que a IA possibilita a formulação de questões, a simulação de casos clínicos e a personalização da formação dos alunos, entre outras utilidades. No entanto, o protagonismo do médico deve ser preservado.

“A gente precisa manter os pés no chão com tanta coisa nova que vem acontecendo. Precisamos manter a humanidade, o atendimento correto, o olho no olho”, disse Orlandini. O coordenador médico de Governança Clínica, Ensino e Pesquisa da Unimed Vale do Sinos, Damásio Macedo Trindade, também participou do painel, mediado pelo professor da Feevale Claudio Kolling.

No terceiro e último painel, intitulado “Bioética, Responsabilidade Civil e Regulação da IA Médica”, os participantes abordaram a Resolução 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que entra em vigor em 26 de agosto e regulamenta o uso da inteligência artificial na medicina brasileira.

O médico e advogado André Stüker afirmou que a normativa não deverá trazer grandes mudanças na rotina dos médicos, mas reforçará a transparência na relação médico-paciente e dará mais segurança ao consentimento do paciente.

“Não modifica nada do que já se tem de responsabilidade. Não altera o Código de Ética, não altera a regulação da telemedicina, não altera como a gente é responsável de acordo com o Código Civil, a responsabilidade penal. Ela tem um caráter regulatório”, afirmou.

A resolução deverá repercutir na responsabilidade dos profissionais e nos atendimentos, desde hospitais até clínicas, principalmente na necessidade de informar ao paciente que a tecnologia está sendo utilizada no atendimento, qual ferramenta está sendo empregada e qual é o seu nível de atualização.

Também participaram do painel o advogado Maurício Brum Esteves e o conselheiro do Cremers Vinicius Lain. A mediação foi do vice-presidente do Conselho de Administração da Unicred Eleva, Paulo Rech.

O Summit Talks: IA na Medicina foi uma realização do Correio do Povo, Universidade Feevale e Cremers, com patrocínio da Unimed Vale dos Sinos e da Unicred.