Mercado acompanha dados dos EUA, China e balanço do Walmart
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 20/08/2026 07:23:21
A agenda financeira desta quinta-feira (20) concentra no exterior os principais catalisadores da sessão, com a divulgação de indicadores de atividade e emprego nos Estados Unidos, a decisão de juros na China e o balanço da varejista Walmart antes da abertura dos mercados. No Brasil, o dia reserva a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), prevista para as 18h, e o leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional, marcado para as 11h30. O cenário doméstico segue pressionado por incertezas eleitorais, preocupação com o quadro fiscal, patamar elevado dos juros e forte saída de capital externo em agosto.
Indicadores dos EUA entram no radar da sessão
O Federal Reserve da Filadélfia divulga o índice de atividade referente a agosto, com economistas projetando leitura de 25,00. O dado é acompanhado de perto por investidores como termômetro da indústria e das condições de negócios na região atendida pela autoridade monetária, especialmente em um momento em que o mercado busca sinais sobre o ritmo de desaceleração da maior economia do mundo.
Na mesma manhã, o governo americano publica o levantamento semanal dos pedidos de auxílio-desemprego. A expectativa média dos economistas consultados pela Dow Jones é de 210 mil novas solicitações, enquanto a anotação da agenda registra projeção de 201 mil. Leituras abaixo do esperado tendem a indicar um mercado de trabalho ainda aquecido, o que pode reforçar a cautela com o ritmo de corte de juros pelo Fed.
Os números chegam em um contexto de alívio recente nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, após a ampliação das recompras de papéis de longo prazo anunciada pelo Tesouro dos EUA. O movimento perdeu força, no entanto, e os futuros de Nova York operam perto da estabilidade, à espera de novos catalisadores para o dia.
China mantém juros de referência inalterados
O Banco Popular da China (PBoC) decidiu preservar as taxas de juros de referência para empréstimos (LPR) em 3% ao ano para o prazo de um ano e 3,5% para o de cinco anos. As taxas permanecem nesse nível desde maio de 2025, o que indica a manutenção de uma postura acomodatícia por parte das autoridades monetárias chinesas em meio aos desafios de reativação da atividade econômica.
A decisão era amplamente esperada pelo mercado e não deve provocar grandes ajustes nos preços dos ativos nesta quinta. Ainda assim, a trajetória dos juros na China segue sendo observada de perto, uma vez que o país é um dos principais motores do comércio global e influencia diretamente o apetite por commodities e a dinâmica das exportações brasileiras.
Walmart abre a temporada de balanços do varejo americano
Antes da abertura dos mercados em Nova York, a varejista Walmart divulga seus resultados trimestrais. O balanço é um dos mais aguardados do setor porque a companhia é considerada uma referência para o consumo americano, com operação que abrange desde alimentos a eletrônicos e atinge uma base ampla de consumidores de diferentes faixas de renda.
Os números servem como um termômetro para a saúde do consumidor dos Estados Unidos em um momento de juros ainda elevados e de inflação em desaceleração. A leitura das vendas e das projeções da empresa pode influenciar o desempenho das ações do setor varejista e reforçar ou reduzir as apostas sobre o comportamento da demanda nos próximos trimestres.
Brasil acompanha leilão do Tesouro e reunião do CMN
No mercado doméstico, o Tesouro Nacional realiza às 11h30 leilão de NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F) e LTN (Letras do Tesouro Nacional). O resultado do certame pode oferecer pistas sobre a demanda dos investidores por títulos públicos em um ambiente de juros ainda elevados e de atenção redobrada à trajetória fiscal do país.
A leitura sobre a procura pelos papéis é um termômetro importante para a economia brasileira, especialmente depois da sequência de quedas do Ibovespa, que foi interrompida na quarta-feira (19) com alta de 0,9%, aos 167.830,27 pontos, após 11 fechamentos negativos consecutivos. Apesar do alívio, o índice não conseguiu sustentar o patamar de 170 mil pontos alcançado no melhor momento do pregão.
O CMN se reúne às 18h, em encontro que ocorre em meio às críticas sobre a trajetória da dívida pública e das contas do governo. Investidores seguem monitorando qualquer sinal sobre a condução da política econômica no terceiro mandato do presidente Lula, candidato à reeleição, em um contexto de forte saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira em agosto.
Trump amplia pressão econômica contra o Irã
No plano internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a escalar o tom contra Teerã. Em publicação na plataforma Truth Social na quarta-feira (19), afirmou que qualquer país que permita que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam qualquer tipo de ajuda vital ao Irã enfrentará consequências econômicas severas.
A advertência ocorre em meio ao agravamento das tensões na região do Golfo, onde a Marinha americana tem escoltado discretamente petroleiros para garantir o escoamento das exportações de energia diante do risco criado pelo Irã ao tráfego marítimo. O aumento da pressão econômica adiciona incerteza ao cenário global e mantém os preços do petróleo no radar.
Europa monitora aperto no fornecimento de eletricidade
O comissário de Energia da União Europeia, Dan Jorgensen, alertou que a situação do abastecimento de eletricidade no bloco deve continuar apertada nas próximas semanas. O motivo são as ondas de calor recentes, que elevaram a demanda e reduziram a disponibilidade de recursos para a geração de energia.
Segundo Jorgensen, as temperaturas persistentes e os níveis de água muito baixos estão pressionando a geração e o consumo de eletricidade na Europa Central e no Sudeste do continente. O cenário reforça as preocupações com a estabilidade do sistema elétrico europeu e com os custos de energia para famílias e empresas em um momento de recuperação econômica ainda frágil.
Governo discute produção de medicamentos e agenda econômica
Na agenda doméstica, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo pretende elevar para 70%, até 2033, a parcela de medicamentos e insumos farmacêuticos utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) produzida no Brasil. A indústria nacional atende hoje cerca de metade da demanda. A declaração foi dada durante o Fórum Saúde, em Brasília.
Alckmin destacou que a saúde é o segundo déficit da balança comercial brasileira, atrás apenas de tecnologia da informação, e citou a escassez de respiradores durante a pandemia de Covid como exemplo da necessidade de ampliar a produção nacional em áreas estratégicas. A meta, segundo ele, é fortalecer o complexo industrial da saúde.
Em outra frente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenta se reunir com os ex-ministros Pedro Malan e Arminio Fraga, dois dos principais expoentes da política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo com interlocutores, o objetivo é ouvir a visão desses economistas sobre a condução da economia no atual governo, em meio às críticas sobre o desempenho das contas públicas e o crescimento da dívida.