Setor elétrico cobra inovação para enfrentar eventos climáticos extremos
Fonte: acritica.net | Data: 20/08/2026 16:21:11
Representantes do setor elétrico brasileiro defenderam nesta quinta-feira (20), em Brasília, mais investimentos em inovação para enfrentar os impactos provocados por eventos climáticos extremos, durante encontro promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Entre as preocupações apresentadas estão a resistência da infraestrutura, a capacidade de antecipação e a adaptação do sistema diante das mudanças climáticas.
A presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Talita Porto, afirmou que o setor tem investido em modernização, infraestrutura e resiliência, mas destacou a necessidade de avançar também em pesquisa e inovação.
“O Instituto Abrate deve aportar R$ 5 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Um projeto nos próximos 17 meses para estabelecer ferramentas de análise e de aumento da resiliência frente às mudanças climáticas”, afirmou.
Segundo Talita, o setor permanece vulnerável aos efeitos físicos e econômicos das mudanças climáticas, principalmente porque problemas na transmissão podem atingir outras etapas do sistema.
“Nós estamos falando de um segmento estratégico em que qualquer queda de torre afeta tanto a geração quanto a distribuição e o consumo”, disse.
Ventos acima da capacidade da rede entram no debate
A presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Patricia Audi, citou episódios recentes para defender adaptações na rede de transmissão.
“Vimos há duas semanas o Rio de Janeiro acometido por ventos de 140 quilômetros por hora [km/h], quando nós temos uma rede prevista para suportar 80 km/h. Ribeirão Preto, há três semanas, também com eventos de até 160 km/h.”
Os eventos mencionados ocorreram no fim de julho, período em que o El Niño previsto para 2026 e 2027 começou a atuar. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alterações na circulação atmosférica, tornando os volumes de chuva irregulares.
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Marcio Rea, também defendeu a inovação diante dos impactos registrados. Segundo ele, análises técnicas apontaram que os ventos observados em Ribeirão Preto tiveram característica de redemoinho e chegaram a torcer torres de transmissão.
“Não tem estrutura no país ou no mundo que consegue enfrentar esse tipo de ação”, afirmou.
Para Rea, a resposta aos impactos climáticos dependerá de articulação entre os integrantes do setor e de medidas voltadas à capacidade de planejamento e adaptação.
“O El Niño 2026 representa mais do que um evento extremo, ele evidencia a necessidade de ampliarmos a nossa capacidade de antecipação, planejamento e adaptação”, concluiu.