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Vantagens do mercado livre para o consumidor vão além do preço, avaliam agentes

Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 20/08/2026 17:33:26

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Painel “Estamos preparados para a abertura do varejo?”, no MinutoMega Talks

Apesar de ser uma grande vantagem na migração para o mercado livre, o preço não será o único ganho de consumidores que optarem pela migração. “Quando pensamos em benefício para o consumidor, primeiramente é o próprio poder de escolha”, avalia a diretora de Operação do Mercado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Gerusa Côrtes.

Para ela, além da competitividade entre os fornecedores e energia, que tende a se refletir no preço da energia, o consumidor poderá escolher a fonte de seu abastecimento e contar com uma oferta diversificada de serviços. Assim, a competição entre os fornecedores não deve se dar apenas nos preços.

“Os comercializadores varejistas trazem também uma perspectiva futura de oferecimento de serviços de gestão para esse consumidor de uma forma mais qualificada”, diz Côrtes.

O diretor-executivo da Ultragaz, Lucas Witzler, também destaca o fim da “passividade do consumidor” que, com o preço horário, poderá gerenciar melhor seus custos de energia, além de ter oportunidade de escolher fornecedores que ofereçam outros benefícios além da entrega de energia.

Para a head de Inovação da LUZ, Débora Mota, os benefícios podem ser ainda maiores com medidores inteligentes, ainda que estes equipamentos não sejam obrigatórios para a migração. “A conta de luz deixa de ser aquela informação que chega tarde, o consumidor passa o mês inteiro consumindo e só depois ele descobre quanto veio”, diz. “No momento em que ele tem o acesso à medição em tempo real, ele consegue ter uma visibilidade, ele consegue ter previsibilidade e ele consegue eventualmente melhorar seus hábitos de consumo, entender eventuais desperdícios e com isso ele tem mais uma linha de encontrar benefícios financeiros”, adianta.

Migração fluida e simplificada pode levar ao fim do mercado regulado

Para potencializar as migrações, os especialistas também avaliam que será importante ter um processo simplificado, fluido e seguro para o consumidor, assim como uma experiência de consumo positiva após a migração.

Uma das melhorias está na conta única, já que atualmente os consumidores livres recebem duas faturas: uma da energia e outra do fio. 

Também será necessário dar ao consumidor clareza às atribuições de cada agente. “A parte da infraestrutura, do transporte, da energia, o cabeamento, ele continua sendo de responsabilidade da distribuidora, da mesma concessionária como já é hoje”, indica Mota. “A possibilidade de negociar é comercial, negociar contratos e preços”, conclui.

Com um processo de migração eficiente, Witzler é otimista sobre a adesão dos consumidores brasileiros. Em sua avaliação, a curva de migração de consumiores da alta tensão, a partir de 2024, foi mais acelerada no Brasil do que em países europeus.

Nessa perspectiva, o executivo vislumbra até mesmo o fim do mercado regulado. “Eu acho que no longuíssimo prazo, a gente olha daqui 10 anos, eu diria que o grande sucesso da abertura do mercado livre vai ser a extinção do mercado regulado”, avalia.

Com isso, a abertura do mercado livre à baixa tensão, com volume muito maior de consumidores, também representa desafios às fornecedoras. “A gente passa a ter uma escala de uma complexidade muito diferente nesse de setores comercialização. Então, isso traz um desafio tecnológico, a necessidade de ter estrutura e investimento, para suportar esse crescimento”, analisa Witzler.

Para ele, a Ultragaz já tem experiência no gerenciamento de grande volume de clientes, por meio da medição individualizada no fornecimento de gás liquefeito de petróleo (GLP).

O executivo também destacou a necessidade de blindar o mercado da atuação de comercializadoras aventureiras, como forma de garantir um ambiente seguro ao consumidor. “Acho que é muito importante a gente garantir que que os comercializadores varejistas operem dentro de um limite seguro operem com uma alavancagem controlada. Não dá para fazer trade com o consumidor”, pontua.


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