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5 ações entram no radar para uma carteira de longo prazo: veja as escolhidas

Fonte: opetroleo.com.br | Data: 20/08/2026 19:49:13

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Cinco setores, cinco escolhas: quais ações podem fazer sentido para o longo prazo?

Encontrar ações para longo prazo não significa simplesmente procurar os maiores dividendos da Bolsa. Empresas consolidadas também podem atravessar períodos de preços elevados, investimentos pesados, queda de rentabilidade ou mudanças estruturais capazes de alterar completamente a tese de investimento.

Uma análise compartilhada com investidores colocou frente a frente empresas de cinco segmentos tradicionalmente associados a carteiras de longo prazo: bancos, energia elétrica, seguros, saneamento e telecomunicações. A conclusão apontou para Itaú, CPFL Energia, Porto Seguro, Sanepar e TIM como nomes que merecem atenção em seus respectivos setores.

A seleção, porém, representa a visão apresentada no material analisado e não deve ser interpretada como recomendação automática de compra. Preço de entrada, resultados, endividamento, dividendos e perspectivas precisam ser avaliados individualmente.

Setor Ação em destaque Código Principal argumento
Bancos Itaú Unibanco ITUB4 Qualidade e consistência
Energia CPFL Energia CPFE3 Distribuição e previsibilidade
Seguros Porto Seguro PSSA3 Diversificação e rentabilidade
Saneamento Sanepar SAPR11 Investimentos e expansão
Telecom TIM TIMS3 Caixa e remuneração ao acionista

ITUB4: Itaú vence disputa entre os grandes bancos

Entre Banco do Brasil, Santander, Bradesco e Itaú, a análise coloca o Itaú Unibanco como a escolha de maior qualidade operacional.

O ponto central é importante: uma ação aparentemente barata não necessariamente representa a melhor oportunidade. Empresas reconhecidas pela consistência dos resultados normalmente negociam com múltiplos superiores justamente porque o mercado atribui um prêmio à qualidade.

Segundo a avaliação original, o Itaú estaria nessa categoria.

O Banco do Brasil enfrenta um momento que exige maior acompanhamento da qualidade da carteira de crédito, enquanto o Bradesco continua em processo de recuperação de rentabilidade. Santander também aparece fora da preferência do autor do levantamento.

Isso não significa que concorrentes não possam oferecer valorização. A tese apresentada apenas prioriza previsibilidade em uma carteira pensada para atravessar diferentes ciclos econômicos.

Itaúsa também surge como alternativa para quem deseja exposição indireta ao banco por meio de uma holding diversificada.

Energia elétrica: CPFL ganha espaço entre as distribuidoras

O setor elétrico exige uma distinção importante entre geração, transmissão e distribuição.

Na avaliação apresentada, os preços atuais reduziram a atratividade de algumas empresas de geração e transmissão. Por isso, as distribuidoras aparecem em posição mais interessante.

Nesse grupo, CPFL Energia (CPFE3) e Cemig são destacadas, com preferência pela CPFL.

A tese envolve características como previsibilidade da distribuição de energia, investimentos e exposição a regiões economicamente relevantes.

Apesar de historicamente ser considerado defensivo, o setor elétrico não é livre de riscos. Juros elevados afetam empresas intensivas em capital, enquanto revisões tarifárias, investimentos e endividamento podem modificar rapidamente a percepção sobre valuation.

Por isso, comparar apenas dividend yield pode levar o investidor a uma leitura incompleta.

PSSA3: Porto Seguro vai além do seguro de automóveis

Uma das escolhas que mais chama atenção está no setor de seguros.

BB Seguridade e Caixa Seguridade continuam sendo referências quando o assunto é distribuição de lucros, mas a forte valorização observada anteriormente reduziu parte da margem de segurança apontada pelo autor do levantamento.

Nesse cenário, Porto Seguro (PSSA3) ganha protagonismo.

A empresa deixou de depender exclusivamente do tradicional seguro automotivo. Hoje, sua estrutura inclui seguros, saúde, serviços financeiros por meio do Porto Bank e diferentes operações de serviços.

Essa diversificação ajuda a explicar a preferência.

Os números recentes reforçam a dimensão do negócio. No primeiro trimestre de 2026, a Porto divulgou lucro líquido recorrente de R$ 958,3 milhões, com retorno recorrente sobre o patrimônio médio (ROAE) de 24,7%. A área de seguros teve lucro de R$ 467,1 milhões, enquanto Porto Saúde e Porto Bank também apresentaram contribuição relevante.

Isso transforma PSSA3 em uma tese que combina geração de caixa, dividendos e expansão operacional.

SAPR11: saneamento pode deixar de ser apenas uma tese de dividendos

Talvez a principal mudança de perspectiva da análise esteja no saneamento.

Historicamente, muitos investidores procuraram Sabesp, Copasa e Sanepar esperando previsibilidade e dividendos. Mas a necessidade de investimentos bilionários para ampliar a cobertura de água e esgoto coloca o crescimento no centro da estratégia dessas empresas.

O Marco Legal do Saneamento estabelece como objetivo atingir 99% da população atendida com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033.

Isso demanda muito capital.

Somente em 2025, os investimentos da Sanepar alcançaram aproximadamente R$ 2,65 bilhões, avanço de 38,8% em relação a 2024. Já no primeiro trimestre de 2026, foram investidos outros R$ 588,1 milhões, crescimento de 20,8% na comparação anual.

Por outro lado, o investidor precisa observar os resultados mais recentes. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou receita líquida próxima de R$ 1,90 bilhão, mas apresentou resultado líquido negativo de aproximadamente R$ 505 milhões, influenciado por despesas e efeitos extraordinários relevantes.

Portanto, SAPR11 pode ser encarada mais como uma tese de expansão e recuperação do que simplesmente como uma máquina imediata de dividendos.

TIMS3: bilhões destinados à remuneração dos acionistas

Na telecomunicação, a escolha recai sobre a TIM (TIMS3).

O setor apresenta crescimento mais moderado quando comparado a segmentos ligados a tecnologia, mas empresas maduras de telecomunicações podem compensar essa característica com elevada geração de caixa.

E a remuneração dos acionistas continua sendo um componente importante da tese da TIM.

Para 2026, a companhia estabeleceu projeção de R$ 5,3 bilhões a R$ 5,5 bilhões em remuneração total aos acionistas, considerando os instrumentos previstos em sua estratégia. A empresa também projeta crescimento de aproximadamente 5% na receita de serviços e avanço entre 6% e 8% no EBITDA.

Somente nos dois primeiros JCP anunciados para o exercício de 2026, foram destinados R$ 390 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente.

Há, entretanto, um ponto que merece atenção. O consenso divulgado pela própria TIM mostra recomendações divididas entre os analistas que acompanham a companhia: na atualização de agosto, 67% estavam neutros, 28% recomendavam compra e 6% venda.

Ou seja, bons dividendos não eliminam a importância do preço pago pela ação.

A carteira teórica ficaria assim

Considerando exclusivamente os critérios apresentados na análise original, a seleção final reúne:

  • ITUB4, no setor bancário;
  • CPFE3, entre as distribuidoras de energia;
  • PSSA3, no mercado de seguros;
  • SAPR11, no saneamento;
  • TIMS3, em telecomunicações.

A lógica é combinar negócios maduros, setores essenciais e empresas com capacidade de geração de caixa, sem depender exclusivamente de uma única fonte de retorno.

O maior erro é olhar somente para os dividendos

O levantamento também deixa uma mensagem relevante para quem está começando na Bolsa: dividend yield elevado isoladamente não torna uma ação barata.

É necessário analisar pelo menos lucro, fluxo de caixa, dívida, necessidade de investimentos, crescimento esperado e preço da ação.

Uma companhia pode distribuir menos dividendos hoje justamente porque está investindo para ampliar receitas no futuro. O saneamento é um exemplo. Em sentido contrário, uma empresa madura pode direcionar uma parcela maior do caixa aos acionistas porque sua necessidade de expansão é menor.

Também não existe garantia de que pagamentos passados continuarão no mesmo nível.

Para uma carteira realmente pensada para vários anos, diversificação e qualidade dos negócios continuam sendo tão importantes quanto o rendimento imediato.