Microsoft e Google falam sobre seu impacto no meio ambiente
Fonte: jornalempresasenegocios.com.br | Data: 20/08/2026 20:03:32
O crescimento acelerado dos data centers, especialmente em função da inteligência artificial e dos serviços de processamento na nuvem, coloca as big techs na berlinda.
Vivaldo José Breternitz (*)
Documentos recentes de Microsoft e Google revelam os desafios de conciliar a abertura de novos data centers com metas de preservação do meio ambiente.
Em seu último relatório de sustentabilidade, a Microsoft reportou um aumento de 25% nas emissões de gases de efeito estufa em relação ao ano anterior, alcançando cerca de 20,3 milhões de toneladas de CO2.
A empresa diz estar trabalhando na construção de novas estruturas de geração de energia eólica e solar, mas enquanto essas estruturas não entram em operação, os números refletem as emissões geradas pelo aumento do consumo de energia gerada por fontes “sujas”.
Já o Google, detalhou sua estratégia hídrica, com a meta de se tornar “water positive” até 2030, devolvendo às comunidades mais água do que consome. O plano prevê 165 projetos em 97 bacias hidrográficas vulneráveis, capazes de regenerar mais de 71 bilhões de litros por ano até o fim da década, volume superior ao dobro do consumo registrado em 2024.
Com esse objetivo, a empresa reservou mais de US$ 500 milhões para modernizar sistemas públicos de tratamento de água, mesmo que esses sistemas não sejam afetados pelas operações do Google;
Os efeitos da expansão tecnológica sobre os compromissos ambientais mostram que, embora os data centers sejam motores da economia digital, seu impacto ecológico segue como um dos principais pontos de tensão no setor, já havendo, inclusive no Brasil, movimentos organizados se opondo à instalação de novas estruturas desse tipo.
A sociedade deve ficar atenta à prática do “greenwashing”, uma prática de marketing enganosa em que empresas se apresentam como “sustentáveis” ou “ecológicos” sem realmente adotar medidas significativas para reduzir seu impacto ambiental.
Em outras palavras, é quando o discurso verde é maior do que a prática.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].