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Termelétrica Suape II entra em operação com alerta de El Niño

Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 21/08/2026 04:32:46

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Usina Termelétrica Suape II
Usina Termelétrica Suape II/Foto: divulgação

A Usina Termelétrica Suape II, instalada no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, passou a ser acionada para entregar mais energia ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O movimento é impulsionado pela ocorrência do El Niño.

O reforço da geração térmica ocorre após o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovar, em julho, medidas para ampliar a segurança energética diante da elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño acima da média neste segundo semestre de 2026 e das incertezas sobre os preços dos combustíveis. O fenômeno pode reduzir a oferta de energia no Norte e elevar o consumo elétrico no país em razão das temperaturas mais altas.

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Somando-se a isso, há a sazonalidade da geração eólica, cuja oferta tende a diminuir a partir de setembro, período em que os ventos perdem intensidade e a produção dos parques eólicos recua. “Com menos energia eólica, temos que ter um despacho térmico mais forte”, afirmou José Faustino Cândido, diretor-técnico da Energética Suape II S.A, empresa responsável pela usina.

Desde a última quarta-feira (19), portanto, a termelétrica em Suape passou a ser acionada diariamente das 18h à meia-noite, horário considerado de pico e momento em que a geração solar deixa de contribuir para a oferta de energia. A usina Suape II tem capacidade instalada de 381,2 MW e é despachada de forma centralizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por determinar quando a planta deve entrar em funcionamento, de acordo com as necessidades do sistema.

O alerta para o El Niño foi reforçado pelo CMSE em 5 de agosto. Na ocasião, o Ministério de Minas e Energia informou que a probabilidade de ocorrência de um fenômeno de maior intensidade no segundo semestre havia chegado a 70%. Entre as ações anunciadas estão o monitoramento mais intenso das condições hidrometeorológicas, a preservação dos reservatórios e a adoção de medidas preventivas envolvendo agentes de geração, transmissão e distribuição.

Embora o período de maior intensidade do El Niño esteja previsto para os últimos meses do ano, Faustino revela que o fenômeno já começa a pesar sobre as condições de operação do sistema elétrico. A principal preocupação é a necessidade de preservar a água armazenada nas hidrelétricas. Em períodos de menor disponibilidade hídrica, as térmicas passam a ser acionadas para evitar uma redução mais acentuada dos níveis dos reservatórios.

José Faustino Cândido, diretor técnico da Suape Energia
José Faustino Cândido, diretor técnico da Suape Energia

“Quando você não tem sol, quando você não tem vento, quando você tem um reservatório baixo, tem que usar térmicas para reforçar a oferta de energia. Elas entram no cálculo da segurança energética”, explicou o diretor.

Faustino recorda que as piores crises hídricas enfrentadas pela térmica Suape II em seus 15 anos de atividade foram as de 2014 e 2021, que levaram a um despacho mais intenso da usina. Em 2021, segundo ele, a planta chegou a operar por quase 11 meses. “Provavelmente, com este El Niño chegando aí muito forte, é possível que, desta vez, o despacho também se alongue”, estima.

A usina Suape II é considerada por seu operador a maior termelétrica a motores da América Latina. A planta foi contratada em leilão realizado em 2007 e concebida para permanecer disponível como uma estrutura de garantia para o setor elétrico.

A proximidade com a subestação de Suape e a infraestrutura existente no complexo também favorecem a utilização da planta nos momentos de necessidade do Sistema Interligado Nacional. “Esse papel de geração de segurança das térmicas vem ganhando importância diante de um sistema elétrico com participação crescente de fontes intermitentes e sujeito às oscilações provocadas pelas condições climáticas”, ressalta o diretor.

Etanol na Suape II

Parte da energia que está sendo gerada pela Suape II vem de uma experimentação com etanol. Em parceria com a multinacional finlandesa Wärtsilä, a termelétrica testa um motor de 4 MW adaptado para operar com o biocombustível, em um projeto considerado inédito nessa escala. A iniciativa busca comprovar a viabilidade do etanol como alternativa renovável para a geração térmica, mantendo a função das termelétricas de dar segurança ao sistema elétrico.

A expectativa é que os testes abram caminho para o uso do etanol em novas térmicas de reserva de capacidade e em operações que exigem fornecimento contínuo de energia, como data centers e grandes indústrias. A tecnologia também pode permitir a substituição gradual de combustíveis fósseis por fontes renováveis em plantas já existentes.

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