Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Tecnologia a favor da humanização no SUS

Fonte: diariodonordeste.verdesmares.com.br | Data: 21/08/2026 06:10:44

🔗 Ler matéria original

Chegar a uma unidade de saúde pública sem saber quanto tempo vai esperar ou em que etapa do atendimento está, é tão comum que quase deixou de ser visto como problema e já faz parte da rotina. Mas para quem está ali, fragilizado ou em urgência, a espera sem informação pesa muito mais além do tempo perdido.

É na falta de previsibilidade da fila, não na fila em si, que a tecnologia pode mudar a experiência do paciente sem grandes investimentos em estrutura física. Cadastro automatizado, acompanhamento em tempo real e integração de dados não substituem médicos nem leitos, mas atacam a sensação de estar perdido.

Estudos mostram que a falta de comunicação pesa tanto quanto o tempo de espera, quem sabe que vai esperar 40 minutos e entende o porquê lida melhor do que quem espera sem informação. É esse gargalo que o autoatendimento tenta resolver, automatizando o cadastro, antes feito em balcão e devolvendo visibilidade sobre o próprio percurso.

Venho observando essa mudança em unidades de pronto atendimento no Ceará e em Sergipe, onde o Instituto de Gestão e Cidadania (IGC Brasil), que administra hospitais e UPAs, coloca em prática a ideia de que o cuidado começa antes da consulta, na forma como o paciente é recebido.

Na prática, um totem simples permite que o paciente faça o próprio cadastro sem a fila do balcão. Parece pouco, mas devolve minutos à recepção e, com um app em desenvolvimento capaz de iniciar o atendimento antes da chegada, promete que o paciente saiba em que ponto do percurso está, algo que hoje não existe na maioria dos serviços públicos.

Resolvida a etapa administrativa, o desafio é integrar os dados entre os pontos de contato do paciente com o sistema, prontuário eletrônico e conexão com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) fazem a informação viajar com o paciente, reduzindo erros.

O efeito mais importante talvez não seja visível ao paciente: é o tempo que a digitalização devolve às equipes, um minuto a mais para acolher quem chega, o que na urgência pode ser determinante. Se bem aplicada, a tecnologia é o que sobra de tempo e clareza para um cuidado mais atento, e para o paciente deixar de esperar no escuro. Iniciativas como essa podem ser uma luz no fim do túnel para o atendimento no SUS.