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Grace Passô apresenta longa instigante em Gramado

Fonte: correiodopovo.com.br | Data: 21/08/2026 12:59:30

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A sessão do filme “Nosso Segredo” encerrou as exibições da Mostra Competitiva de Longas brasileiros de Ficção do Festival de Cinema de Gramado, na quinta-feira à noite, visto que, nesta sexta-feira, o filme a ser exibido é “La Perra”, fora de competição. “Nosso Segredo” é um dos filmes mais instigantes desta seleção.
Conforme informa a sinopse, uma família vive o luto pelo pai e cada um à sua maneira reage ao sentimento de perda. O menino da casa, interpretado por Efraim Santos, começa a ouvir sons do andar superior da casa, parte ainda em construção. Fatos estranhos ocorrem, como lama escorrendo pelas paredes e tremores, o que dá um tom de mistério à narrativa.

Escrito e dirigido por Grace Passô (MG), o filme se passa majoritariamente dentro da casa, tendo poucas cenas externas. A casa serve como local de abrigo e afeto, mas também de fugas.

As sequências realizadas externamente, como a que começa o filme, com o filho mais velho que trabalha como motorista de aplicativo, vivido pelo ator Robert Frank, conduz um cliente simpático, mas enigmático, interpretado pelo músico baiano Mateus Aleluia. Em outro momento, o filho jovem, vivido pelo ator Flip, conversa em uma festa com uma amiga que lhe dá conselhos, encenada pela cantora Tássia Reis.

“Muitos artistas que estão no filme também são músicos”, diz a diretora. “Tanto Mateus Aleluia quanto Tássia Reis são arquétipos de mentores, que preparam os personagens para o que virá”, explica Grace. Outra atriz que também é cantora é Jéssica Gaspar, que canta em determinado momento do filme em um momento de poesia e desabafo.

Estas escolhas foram algumas das opções reveladas pela diretora Grace, que em outros momentos preferiu não “explicar” o filme. Sobre uma criatura que é descoberta no segundo piso da casa, ela prefere deixar a interpretação para o espectador. “Jamais responderei a esta pergunta”, enfatizou ao ser questionada sobre o significado daquele ser.

E é desta maneira que a cineasta conduz o filme, procurando investir e pesquisar a linguagem visual e menos em diálogos, baseados em palavras. Além disso, esta produção apresenta muitas camadas, abordando questões como racismo, famílias periféricas e afeto. Não tem receio de deixar a câmera circular pela casa com momentos contemplativos.

Vale destacar o excelente trabalho sonoro feito pelo engenheiro de som gaúcho Tiago Bello, incluindo os ruídos misteriosos da casa. Ele já trabalhou em vários longas realizados no RS, como Raia 4, Tinta Bruta, Hamlet, Rifle, entre outros. É um forte candidato a ganhar um kikito nesta categoria.