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Eve prepara fábrica de táxi aéreo em Taubaté e mira breakeven até 3 anos após certificação

Fonte: brasil247.com | Data: 21/08/2026 15:35:26

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247 – A Eve Air Mobility prevê instalar nos próximos meses, em Taubaté, no interior de São Paulo, sua primeira linha de produção de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas pela sigla eVTOL. O projeto receberá US$ 88 milhões e começará com capacidade para fabricar até 120 unidades por ano, segundo informou o CEO da companhia, Johann Bordais, em entrevista ao portal Broadcast.

A empresa planeja concluir a certificação do chamado táxi voador em 2028 e alcançar o ponto de equilíbrio financeiro entre dois e três anos depois, quando espera produzir de 90 a 100 aeronaves por ano. A primeira entrega deverá ocorrer em até uma semana após a autorização dos órgãos reguladores e será destinada à Revo, que possui um pedido firme de até 50 unidades, além de serviços de pós-venda.

A fábrica será instalada em uma unidade de apoio industrial da Embraer. O projeto executivo está concluído e passa por validação. A estrutura inicial terá um módulo, mas o espaço poderá receber quatro, elevando a capacidade total para até 480 eVTOLs por ano.

A expansão dependerá do ritmo das encomendas. “Não sabemos o quão rápido vamos chegar nesse patamar. Vai depender da demanda”, afirmou Bordais.

O cronograma prevê o primeiro voo com piloto humano no segundo semestre de 2027. A Eve trabalha para obter, no ano seguinte, as certificações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Federal Aviation Administration (FAA), autoridade reguladora dos Estados Unidos.

Carteira chega a 2,7 mil aeronaves

A Eve informa possuir uma carteira de aproximadamente 2,7 mil eVTOLs, distribuída entre 28 clientes de dez países. A companhia estima em cerca de US$ 500 milhões o valor potencial da carteira atual e em US$ 13,5 bilhões o montante quando considerado todo o livro de pré-vendas.

Cada aeronave deverá custar aproximadamente US$ 5 milhões. Segundo a empresa, o custo operacional poderá ser 25% inferior ao de um helicóptero. A propulsão elétrica também deve reduzir os níveis de ruído, um dos fatores que restringem atualmente a circulação de helicópteros em áreas urbanas.

O modelo da Eve fará decolagens e pousos na vertical, como um helicóptero, e voará horizontalmente como um avião. A configuração foi desenvolvida para transportar passageiros em trajetos urbanos e regionais.

Criada pela Embraer em 2020, a Eve tem a fabricante brasileira como acionista controladora, com participação de 72%. A empresa também recebeu pouco mais de R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e abriu seu capital na Bolsa de Nova York em 2022.

Caixa até a certificação

A companhia registra uma queima anual de caixa entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões e dispõe de US$ 531 milhões em liquidez. Bordais descartou, ao menos no curto prazo, a necessidade de uma nova captação no mercado.

“Temos caixa suficiente para chegar à certificação. A disciplina de gastos é uma prioridade”, declarou o executivo.

O plano é fazer com que as vendas das aeronaves passem a financiar as operações depois da certificação. Além da estrutura industrial, técnica e comercial da Embraer, a Eve conta com 22 fornecedores, entre eles a britânica BAE Systems, responsável por baterias; a japonesa Nidec Aerospace, fabricante de motores elétricos; e a americana Beta Technologies, que produz sistemas de propulsão.

A companhia possui 176 funcionários próprios. Outros 800 profissionais da Embraer trabalham integralmente no desenvolvimento do eVTOL por meio de contratos de prestação de serviços, em áreas como engenharia, suprimentos, finanças, conformidade e pós-venda.

Bordais afirmou que a discussão sobre a viabilidade do projeto deixou de se concentrar em “se vai dar certo” e passou a considerar “quando e quanto”, de acordo com a escala da infraestrutura e do ecossistema de mobilidade aérea.

“O eVTOL nasceu da necessidade do cliente. E a Eve tem o mesmo DNA da Embraer, que é uma referência mundial na área de aeronáutica, com know-how de 57 anos, completados nesta semana”, disse.

O executivo também apontou a rede global de manutenção da Embraer como vantagem competitiva. “Nossos contratos já incluem a venda, garantia do fornecedor de serviço, de atendimento pro resto da vida da aeronave. Isso aí traz muita confiança para nossos clientes”, afirmou.

Mercado potencial de US$ 280 bilhões

A Eve estima que a frota mundial de eVTOLs poderá atingir 30 mil unidades até 2045. Segundo a projeção da empresa, as aeronaves seriam necessárias para atender a 3 bilhões de passageiros no período e poderiam gerar receita de US$ 280 bilhões.

O estudo considera dados de 1.800 cidades, cerca de 1.000 aeroportos e mais de 27 mil helicópteros civis em operação. Também avalia fatores sociais, regionais e diferentes possibilidades de uso da mobilidade aérea urbana.

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou em teleconferência de resultados que a Eve terá participação relevante na estratégia de longo prazo do grupo.

“Estamos muito confiantes com relação à contribuição da Eve com o crescimento da Embraer, principalmente em 2029 e 2030, para complementar a nossa estratégia de crescimento no início da próxima década”, declarou.

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