Baixar Notícia
WhatsApp
Email

PF identifica novos diretores do BRB em apuração sobre operações com o Master

Fonte: brasil247.com | Data: 21/08/2026 16:37:00

🔗 Ler matéria original

247 – A Polícia Federal identificou a possível participação de novos integrantes da diretoria do Banco Regional de Brasília (BRB) nas operações envolvendo a compra de carteiras consideradas fraudulentas do Banco Master e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 60 dias para concluir a investigação.

As informações foram divulgadas pela Agência Estado, e repercutidas pelo InfoMoney. O pedido de prorrogação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, após a conclusão de novos laudos periciais que, segundo a PF, permitiram individualizar a atuação de agentes que ainda não apareciam formalmente entre os investigados.

A corporação afirma que pretende ouvir integrantes da Diretoria Colegiada do BRB que participaram da aprovação das operações financeiras realizadas com o Master. Os nomes dos novos suspeitos não foram informados no pedido enviado ao Supremo.

Até o momento, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é o único dirigente da instituição que chegou a ser preso no âmbito da Operação Compliance Zero.

Os novos elementos surgiram a partir de uma perícia sobre o funcionamento interno do banco e o processo que levou à aprovação das operações investigadas. De acordo com a PF, o trabalho encontrou indícios de descumprimento de normas internas, falhas de governança, concentração elevada de risco e aprovação de negócios fora dos procedimentos regulares de controle.

O laudo também apontou a participação individual de integrantes da diretoria colegiada em deliberações relacionadas às transações investigadas.

“As conclusões constantes desse trabalho pericial revelaram fatos novos e permitiram a individualização da atuação de agentes que até então não figuravam formalmente entre os investigados, tornando necessária a inclusão de integrantes da DICOL no polo passivo da investigação e a realização de suas respectivas oitivas, providências essenciais para o completo esclarecimento dos fatos”, afirmou a Polícia Federal.

Perícia aponta falhas no processo decisório

O relatório parcial foi encaminhado ao STF na quinta-feira (20), acompanhado dos laudos elaborados pelos peritos. O material passou a integrar o inquérito que apura as operações entre o BRB e o Banco Master.

Segundo a PF, uma das perícias “identificou elementos relacionados ao processo decisório interno da instituição financeira, apontando possíveis descumprimentos de normativos internos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco, aprovação de operações em desacordo com os procedimentos regulares de controle e a participação individualizada de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB (DICOL) em deliberações relacionadas aos fatos sob investigação”.

A investigação deverá resultar também no primeiro indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro por crimes financeiros relacionados ao caso, segundo as informações apresentadas pela Polícia Federal ao Supremo.

Outro laudo produzido no curso da investigação examinou as cessões de carteiras atribuídas à empresa Tirreno e posteriormente negociadas entre o Banco Master e o BRB.

De acordo com a PF, os peritos encontraram indícios de que a capacidade operacional e financeira da Tirreno não seria compatível com o volume bilionário das transações.

PF aponta inconsistências nas carteiras

A segunda perícia também encontrou falta de evidências de liquidação financeira efetiva das operações e inconsistências relevantes nos documentos analisados.

“O referido laudo concluiu, em síntese, pela existência de elementos indicativos de incompatibilidade entre a estrutura operacional e econômico-financeira da empresa Tirreno e o volume bilionário das operações realizadas, pela ausência de evidências de liquidação financeira efetiva das cessões analisadas, por inconsistências documentais relevantes e pela existência, no âmbito do Banco Master, de mecanismos internos de controle, monitoramento e governança que possuíam condições de identificar as irregularidades apontadas”, registra o relatório da PF.

Os investigadores sustentam, portanto, que estruturas de controle existentes dentro do próprio Banco Master teriam condições de detectar as inconsistências apontadas nas operações antes de sua conclusão.

A PF ainda aguarda informações solicitadas ao Banco Central para dimensionar o eventual prejuízo causado ao BRB pelas transações. Esses dados são considerados necessários para fechar a análise financeira do caso.

Além dos documentos pendentes, a corporação afirma que ainda precisa realizar novos depoimentos e concluir outras diligências abertas depois da produção das perícias.

“Diante do exposto, considerando a recente disponibilização dos laudos periciais acima mencionados, a pendência de informações essenciais requisitadas ao Banco Central do Brasil, a necessidade de realização de novas oitivas e a existência de diligências investigativas ainda em curso, requer-se a prorrogação do prazo para conclusão das investigações por mais 60 (sessenta) dias”, afirmou a PF no pedido encaminhado ao STF.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.

Apoie o jornalismo independente do 247:

Cortes 247