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Ônibus: Aumentar o requinte e a tecnologia, mas simplificando

Fonte: diariodotransporte.com.br | Data: 22/08/2026 07:14:22

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Publicado em: 22 de agosto de 2026



Pode parecer contraditório, porém diante do quadro de redução do número de passageiros e indefinições sobre a forma de custeio da mobilidade, é a resposta da indústria para atender às necessidades de usuários, gestores públicos e empresários

ADAMO BAZANI

Os lançamentos das fabricantes de veículos apresentados na Lat.Bus 2026 mostram que o mercado parte para duas direções que não são opostas, mas que se complementam. De um lado os gestores públicos exigindo qualificação dos serviços e redução das emissões de poluição e, de outro, os empresários buscando redução de custos e aumento da eficiência, com modelos que se adaptam às mais variadas características de operação.

Sobre a chamada descarbonização, um dos destaques foi simplificar e variar: A Eletra veio com um ônibus elétrico midi, o micrão, com potência de superarticulado para dar conta das características severas de linhas de periferia. Com o mesmo propósito, a Mercedes-Benz apresentou o eCity, um ônibus elétrico de piso alto, com menos baterias, para linhas menores alimentadoras, de tráfego difícil e para pequenas e médias cidades. A Volkswagen e a BYD apresentaram novos modelos elétricos de piso alto. A busca de modelos mais indicados para demandas onde os padrons não dão conta, mas que os articulados são muito grandes, fez com que Volvo e Scania apresentassem ônibus elétricos de 15 metros e três eixos, com maior capacidade, mas sem a necessidade da articulação, a chamada sanfona.

A Marcopolo e a Volare, na área de descarbonização, mostraram uma nova versão do integral elétrico Attivi, com uma altura menor para operação em áreas restritas como de aeroportos, e o micro-ônibus híbrido etanol e elétrico que já passa a ser comercializado

Scania e Iveco apresentaram ônibus a Gás Natural e Biometano, também modelos com alternativas de descarbonização, mas sem serem elétricos.

Nessa Linha, a Volvo lançou um modelo de 15 metros já totalmente preparado com sensores para operar com 100% de biocombustíveis.

O fretamento também parte para a era da redução de poluição. Diferentemente das edições anteriores da Lat.Bus, mas em linha com o que conferimos no ano passado na Busworld em Bruxelas, a maior feira do setor do mundo; em 2026, marcas que atuam no Brasil apresentaram modelos de ônibus elétricos específicos para fretamento. Foram os casos da BYD e Volkswagen. A Eletra também anunciou o lançamento para 2027 de ônibus de fretamento elétrico e um passo mais ousado: um rodoviário elétrico que poderá fazer rotas médias, como Rio de Janeiro a São Paulo, por exemplo.

A ainda na simplificação em busca da qualidade e rentabilidade, a Iveco apresentou seu primeiro ônibus de quatro cilindros, o BUS 17-210, mas com as mesmas soluções de chassis e resistência de estrutura do irmão maior o mais velho, o seis cilindros BUS 17-280.

Os segmentos de carrocerias e de rodoviários também trouxeram novidades.

Nestes casos, a ordem foi aumentar o requinte simplificando. Pode parecer contraditório, mas diante do quadro de redução do número de passageiros e indefinições sobre a forma de custeio da mobilidade, é a resposta da indústria para atender às necessidades de usuários, gestores públicos e empresários.

Um dos maiores exemplos disso foi o novo Torino, da Marcopolo. O veículo, que já está há 36 anos no mercado, é feito para operações urbanas severas com motor dianteiro. Mas a versão lançada na Lat.Bus 2026, conseguiu unir itens de design e conforto com soluções que reduzem peso, consumo e facilitam a manutenção. Entre os exemplos do lado do conforto estão os novos conjuntos óticos, distribuição do ar-condicionado 40% mais eficiente e tomadas para os passageiros carregarem os celulares no meio das poltronas e não mais a lateral dos ônibus facilitando o acesso e o uso, nova central elétrica que reduz o tempo de manutenção, portas mais leves com estruturas mais resistentes, tecnologia de monitoramento que aponta as necessidades de manutenção e que interage com o motorista. Tudo com a promessa de reduzir o consumo e o tempo em que o ônibus fica parado para manutenção.

A Caio também atualizou sua linha de urbanos, com o Apache Vip 6 e o eApache Vip 2, para chassis de piso alto e elétricos. Os modelos trazem novo design e elementos mais leves nas carrocerias. A fabricante também exibiu as novas linhas do Millennium, ônibus de padrão superior para atendimento urbano, tanto nas versões a diesel, elétrico e a biometano e GNV.

Entre os segmentos de fretamento e rodoviários, a ordem também foi oferecer ônibus mais bonitos, chamativos e confortáveis, mas que façam o empresário fechar a conta.

A linha G8 Tec, da Marcopolo, é de ônibus de alto padrão. A versão apresentada tem cabine-cama, camarote para casal, frigobar e até sala de estar. Não é motorhome, é ônibus para linha mesmo. Mas, ao mesmo tempo, ele possui aerofólios laterais que usam a própria aerodinâmica para forçar menos o motor: o resultado? Economia comprovada de 8% no consumo do diesel, em testes de operação real. É possível aplicar a mesma solução em configurações mais simples, só com poltronas convencionais. Rodoviário exige segurança maior. Por isso, a linha oferece de série uma câmara anti-incêndio de motores e de partes críticas e, como opcional, uma caixa preta que registra todos os dados da viagem em tempo real, inclusive imagens, e deixando gravadas numa estrutura super resistente, para averiguação de causas de acidentes e diagnósticos de falhas para melhorar o treinamento dos motoristas.

A Busscar veio na linha de qualificar o simples e apresentou novas gerações de ônibus para fretamento, o FT 325, e rodoviários de curta distância, o 325L da nova família de design chamada NB1. Já um modelo de maior padrão, o Panorâmico 410, também da família NB1, traz sofisticação para o segmento rodoviário que necessita de grandes bagageiros, seja em linhas regulares, como em turismo de compras.

A Irizar destacou o novo I6 S, um ônibus de alto padrão e que, nem por isso deixa de pensar na economia. Com soluções aerodinâmicas do I6 Efficient, reduz o consumo de combustível e, ainda, facilita a troca de peças e componentes.

A Mascarello apostou em trazer uma nova geração de microônibus, com três modelos diferentes e para diversas aplicações, desde urbanos a receptivo de luxo, que assumem a mesma identidade visual da empresa, já aplicada no Horizon, o ônibus elétrico da marca.

Essa é a tendência do mercado de ônibus. Ampliar a eficiência e reduzir os custos operacionais, mas, ao mesmo tempo, trazer produtos que possam conquistar o passageiro que hoje em dia tem mais opções para se deslocar.

LANÇAMENTOS EM DETALHES

A Lat.Bus 2026 mostrou que a diversificação não ocorreu apenas entre diferentes fontes de energia. As fabricantes procuraram ampliar as opções dentro de uma mesma tecnologia, criando veículos para faixas de demanda e condições operacionais específicas.

Isso ficou evidente nos ônibus elétricos. Se nas primeiras etapas da eletrificação brasileira grande parte das atenções estava concentrada no modelo padron de aproximadamente 12 a 13 metros, a feira mostrou chassis de piso alto, veículos de 15 metros e três eixos, modelos menores e soluções destinadas ao fretamento.

Como mostrou o Diário do Transporte durante a cobertura da Lat.Bus 2026, a tecnologia disponível avançou, mas a capacidade de financiar a renovação das frotas continua sendo um dos principais desafios para que essas novidades cheguem efetivamente às ruas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/08/11/especial-lat-bus-2026-tecnologia-dos-onibus-avanca-mas-financiamento-desafia-renovacao-das-frotas/

Outro aspecto percebido durante a feira foi justamente a atenção dos operadores às soluções mais simples e de aplicação imediata, capazes de reduzir consumo, manutenção e tempo de ônibus parado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/08/14/altas-tecnologias-para-o-setor-de-transportes-marcam-lat-bus-mas-solucoes-pe-no-chao-despertaram-mais-atencao-de-quem-faz-a-mobilidade-urbana-acontecer/

ELETRA: DO “MICRÃO” AO PROJETO DE RODOVIÁRIO ELÉTRICO

A Eletra mostrou que a eletrificação não precisa ficar limitada aos ônibus padron ou articulados.

Um dos exemplos foi a ampliação da parceria com a Mascarello por meio do Horizon elétrico na categoria de aproximadamente 10 toneladas.

A proposta é atender operações nas quais um ônibus convencional pode ser grande e pesado demais, mas nas quais um micro-ônibus tradicional não oferece capacidade ou desempenho suficientes.

Apesar das dimensões menores, a Eletra trabalhou com uma configuração de motorização capaz de enfrentar operações severas, justamente uma das características das linhas alimentadoras e periféricas brasileiras.

A parceria com a Mascarello também representa uma diversificação da própria Eletra, que amplia as opções de carrocerias para sua plataforma elétrica.

A fabricante ainda indicou os próximos passos: veículos elétricos destinados ao fretamento e um projeto rodoviário elétrico capaz de realizar viagens de média distância.

MERCEDES-BENZ eCity: ELÉTRICO TAMBÉM COM PISO ALTO

A Mercedes-Benz ampliou sua família de elétricos com o eCity.

Em vez de reproduzir simplesmente a arquitetura dos modelos elétricos de piso baixo, a fabricante adotou uma configuração baseada na tradicional concepção dos chassis da família OF.

O objetivo é atender linhas alimentadoras, operações em regiões de topografia mais severa e municípios de pequeno e médio portes, nos quais um ônibus elétrico mais sofisticado e com maior quantidade de baterias pode não ser economicamente necessário.

O eCity se soma à família elétrica da Mercedes-Benz, que já conta com o eO500U padron e passa a incluir também o eO500UA articulado.

A estratégia, portanto, é criar diferentes níveis de capacidade e configuração dentro da eletrificação, em vez de oferecer apenas um tipo de ônibus elétrico para todas as operações.

VOLKSWAGEN AMPLIA A FAMÍLIA e-VOLKSBUS

A Volkswagen Caminhões e Ônibus também usou a Lat.Bus para ampliar a oferta de veículos elétricos.

A fabricante iniciou oficialmente a comercialização dos e-Volksbus 22H e 18H, complementando o e-Volksbus 22L.

O “H” indica justamente a arquitetura de piso alto, uma das tendências que ganharam força nesta edição da feira.

Segundo a Volkswagen Caminhões e Ônibus, os novos modelos ampliam a aplicação dos elétricos para operações urbanas, corredores e fretamento.

A empresa chegou à Lat.Bus 2026 informando ter atingido a marca de 300 chassis e-Volksbus 22L comercializados.

Além dos veículos, a fabricante apresentou soluções relacionadas à conectividade e treinamento, como a plataforma Volks|Care School, que utiliza inteligência artificial e informações telemétricas para auxiliar na capacitação dos motoristas.

SCANIA: 15 METROS ELÉTRICO E BIOMETANO

A Scania apresentou uma estratégia de descarbonização baseada em mais de uma fonte de energia.

Na eletrificação, uma das principais novidades foi o K 300 de 15 metros, configuração 6×2 e três eixos.

A proposta ocupa uma faixa intermediária entre o ônibus padron convencional e o articulado. A maior distância entre eixos e o terceiro eixo permitem elevar a capacidade sem recorrer à articulação.

A configuração pode receber quatro ou cinco conjuntos de baterias, permitindo adequação da autonomia e do peso às características da operação.

Ao mesmo tempo, a Scania reforçou a aposta no gás natural e, principalmente, no biometano.

Um dos modelos apresentados foi o K 280 4×2 gMillennium, desenvolvido em parceria com a Caio e em processo de homologação para os padrões da SPTrans.

O veículo apresentado possui 13 metros e capacidade para até 88 passageiros, podendo o chassi receber carrocerias de até 14 metros.

O motor desenvolve 280 cv e 1.350 Nm de torque, associado à transmissão automática ZF Ecolife 2. A autonomia informada pela fabricante fica entre 300 km e 350 km.

Outra mudança está nos reservatórios. São quatro cilindros do tipo 4, construídos em fibra de carbono e instalados no teto, que, segundo a Scania, são aproximadamente 70% mais leves.

A fabricante informa que o ônibus pode utilizar gás natural, biometano ou mistura dos dois combustíveis e que, com biometano, a redução das emissões de CO₂ pode chegar a 90%.

Além do K 280 4×2, a gama a gás da Scania inclui modelos de 15 metros e articulados, ampliando a possibilidade de aplicação do combustível em diferentes capacidades de transporte.

VOLVO: ELÉTRICO DE 15 METROS E B100

A Volvo também apostou nos ônibus de 15 metros e três eixos como alternativa para operações que precisam transportar mais passageiros, mas não justificam necessariamente a utilização de um articulado.

Além da eletrificação, a fabricante levou à feira uma alternativa de descarbonização baseada em biocombustível.

O B320R 6×2 B100 Flex foi apresentado como uma solução capaz de utilizar diesel e biodiesel B100 em diferentes proporções.

O veículo de 15 metros pode transportar até aproximadamente 120 passageiros, dependendo da configuração da carroceria.

Com B100, a fabricante aponta possibilidade de redução de emissões de gases de efeito estufa de até 90% na comparação com o diesel fóssil, considerando o ciclo do combustível.

A proposta é permitir uma transição que aproveite infraestrutura e características operacionais já conhecidas pelas empresas, paralelamente ao avanço dos veículos elétricos.

IVECO BUS 17-210: QUATRO CILINDROS PARA REDUZIR CUSTOS

Um dos exemplos mais claros da busca pela simplificação foi apresentado pela Iveco Bus.

O BUS 17-210 possui motor de quatro cilindros e 210 cavalos e foi desenvolvido para ocupar uma faixa abaixo do BUS 17-280, de seis cilindros.

A proposta é manter características estruturais e de robustez da família, mas utilizar um conjunto mecânico dimensionado para operações nas quais a potência maior do 17-280 não é necessária.

A Iveco informou durante a feira que operadores participaram do desenvolvimento do modelo, inclusive em etapas de testes com chassis já encarroçados.

A lógica é evitar carregar diariamente peso, potência e consumo que determinadas operações não exigem.

A fabricante também mostrou alternativas de motorização a gás, reforçando que a descarbonização poderá seguir caminhos diferentes de acordo com infraestrutura, disponibilidade energética e perfil operacional.

NOVO TORINO: UMA NOVA GERAÇÃO

Entre as carrocerias urbanas, um dos lançamentos de maior destaque foi a nova geração do Torino.

O modelo da Marcopolo está presente no mercado brasileiro desde 1983 e se tornou uma das carrocerias mais conhecidas das operações urbanas com motor dianteiro.

Na geração apresentada na Lat.Bus 2026, as alterações vão além do desenho externo.

A Marcopolo trabalhou na redução de peso de componentes, facilidade de manutenção, distribuição do ar-condicionado, ergonomia e sistemas eletrônicos.

A distribuição interna do ar-condicionado, segundo as informações apresentadas durante o lançamento, teve ganho de eficiência de aproximadamente 40%.

As tomadas para carregamento de celulares foram reposicionadas para áreas entre as poltronas, facilitando o acesso dos passageiros.

Portas e outros componentes passaram por alterações para reduzir peso sem comprometer a resistência estrutural.

A nova central elétrica e os sistemas de monitoramento também buscam reduzir o tempo necessário para diagnóstico e manutenção.

O objetivo final dessas alterações é simples: aumentar conforto e tecnologia sem elevar desnecessariamente os custos de operação.

G8 TECH: LUXO COM ECONOMIA DE COMBUSTÍVEL

Na linha rodoviária, a Marcopolo apresentou a evolução tecnológica da família G8.

O veículo demonstrativo chamou a atenção pelo elevado padrão interno, com soluções como cabine-cama, camarote para casal, frigobar e espaço semelhante a uma sala de estar.

Mas a principal evolução técnica não está necessariamente no acabamento.

A Marcopolo desenvolveu soluções aerodinâmicas, incluindo elementos laterais destinados a melhorar o fluxo de ar ao redor da carroceria.

Em testes de operação real apresentados pela fabricante, a redução de consumo chegou a aproximadamente 8%.

A tecnologia pode ser aplicada também a configurações convencionais de ônibus rodoviários, sem os equipamentos de luxo do modelo demonstrativo.

Outro ponto é a segurança.

O veículo possui sistema de combate a incêndio em áreas críticas e pode receber uma espécie de “caixa-preta”, capaz de registrar informações operacionais e imagens.

A finalidade é permitir análise posterior em caso de acidentes, falhas ou situações operacionais que precisem ser investigadas.

CAIO RENOVA APACHE VIP E MILLENNIUM

A Caio apresentou a sexta geração do Apache Vip e a segunda geração do eApache Vip.

O Apache continua voltado principalmente aos chassis convencionais de motor dianteiro, enquanto o eApache foi desenvolvido para plataformas elétricas.

A atualização inclui desenho, iluminação, componentes internos e soluções destinadas à redução de peso e facilidade de manutenção.

A fabricante também apresentou evoluções da família Millennium, destinada a veículos urbanos de padrão superior.

A gama mostra justamente a diversidade tecnológica encontrada na feira: diesel, eletricidade, gás natural e biometano convivem dentro de uma mesma família de carrocerias.

O Millennium também foi utilizado no modelo Scania K 280 4×2 a gás/biometano apresentado na Lat.Bus e preparado para testes dentro dos padrões da cidade de São Paulo.

BUSSCAR E A NOVA IDENTIDADE NB1

A Busscar apresentou a nova identidade denominada NB1.

Entre os produtos estão o FT 325, destinado principalmente ao fretamento, e o 325L, voltado a operações rodoviárias de menor distância.

A estratégia foi atualizar desenho, acabamento e funcionalidade sem deslocar os produtos das faixas de mercado em que já atuam.

No segmento superior, o Panorâmico 410 representa uma aplicação da nova identidade em ônibus de maior capacidade de bagagem e padrão de acabamento.

É uma configuração destinada tanto às linhas rodoviárias regulares como ao turismo, inclusive operações nas quais o volume transportado nos bagageiros é um fator importante.

IRIZAR I6S: AERODINÂMICA TAMBÉM PARA ECONOMIZAR

A Irizar mostrou o i6S com soluções derivadas do trabalho aerodinâmico desenvolvido para o i6S Efficient.

A busca é diminuir a resistência ao deslocamento e, consequentemente, reduzir o consumo de combustível.

O desenvolvimento também considera manutenção e substituição de componentes, aspecto que ganha importância para empresas que precisam maximizar a disponibilidade dos ônibus.

É mais um exemplo da lógica que atravessou a Lat.Bus 2026: tecnologia não apenas como item de sofisticação, mas como ferramenta para reduzir o custo por quilômetro.

MASCARELLO RENOVA OS MICRO-ÔNIBUS

A Mascarello apresentou uma nova família de micro-ônibus, com três modelos e aplicações que vão desde o transporte urbano até serviços de receptivo com padrão superior de acabamento.

A família adota elementos da identidade visual iniciada com o Horizon.

A estratégia é ampliar o número de aplicações utilizando uma mesma linguagem de produto, permitindo versões mais simples para transporte coletivo e configurações superiores para fretamento e receptivo.

O Horizon, por sua vez, também ganhou importância na eletrificação ao ser utilizado na parceria com a Eletra, ampliando as possibilidades de configuração elétrica da carroceria.

VOLARE: HÍBRIDO ETANOL-ELÉTRICO E ATTIVI MAIS BAIXO

No segmento de veículos menores, a Volare reforçou uma estratégia que combina eletrificação com combustíveis renováveis disponíveis no Brasil.

O micro-ônibus híbrido etanol-elétrico avança para a etapa comercial, utilizando o etanol como parte da solução de redução de emissões.

Já o Attivi ganhou uma configuração com altura reduzida, destinada a locais onde existem restrições físicas, como determinadas áreas de aeroportos.

São exemplos de que a transição energética também passa pela adaptação do veículo ao ambiente em que efetivamente vai operar.

BYD AMPLIA AS CONFIGURAÇÕES ELÉTRICAS

A BYD levou à Lat.Bus novas configurações de ônibus elétricos e reforçou a diversificação das aplicações de sua tecnologia de baterias.

Entre as tendências apresentadas está a ampliação dos chassis de piso alto, arquitetura que pode facilitar a eletrificação de operações hoje realizadas por ônibus convencionais.

A fabricante também avançou no segmento de fretamento, outro mercado que começa a receber veículos elétricos específicos, em vez de adaptações de produtos originalmente concebidos apenas para o transporte urbano.

A estratégia acompanha a mudança observada na própria feira: o ônibus elétrico deixa de ser um produto único para começar a formar famílias destinadas a diferentes tipos de serviço.

MAIS TECNOLOGIA, MAS PARA CABER NA OPERAÇÃO

No conjunto, a Lat.Bus 2026 mostrou uma indústria que não abandonou as tecnologias sofisticadas. Pelo contrário.

Eletrificação, telemetria, inteligência artificial, monitoramento remoto, novos materiais, sistemas de segurança, aerodinâmica e combustíveis renováveis ganharam espaço.

Mas talvez a principal diferença desta edição tenha sido a preocupação em fazer essas tecnologias caberem na realidade operacional.

Ônibus elétricos menores, elétricos de piso alto, veículos de 15 metros sem articulação, motores de quatro cilindros, biometano, B100, componentes mais leves e sistemas capazes de diminuir o tempo de manutenção são respostas diferentes para um mesmo problema.

A tecnologia só produz resultado para o transporte coletivo quando consegue permanecer economicamente viável dentro da garagem e, principalmente, chegar às ruas.

É justamente nesse ponto que os lançamentos da Lat.Bus 2026 se encontram com o debate realizado paralelamente pela NTU sobre financiamento do transporte coletivo.

A indústria mostrou que há ônibus mais limpos, confortáveis, conectados, seguros e eficientes disponíveis ou próximos de chegar ao mercado.

O desafio seguinte é encontrar uma estrutura permanente de financiamento e custeio capaz de permitir que essa evolução tecnológica deixe os estandes das feiras e chegue ao passageiro.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes