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Festival de Gramado: morte percorre filmes e homenagens

Fonte: otempo.com.br | Data: 22/08/2026 09:40:06

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GRAMADO. A morte – real e fictícia – foi um personagem à parte na programação do Festival de Cinema de Gramado de 2026. O tema esteve presente do primeiro ao último dia de programação – neste sábado (22) acontece a cerimônia de premiação, no Palácio dos Festivais, com grandes chances de um filme que tem na morte uma das suas questões sair como vencedor.

Já na abertura, em sessão hors concours, “Antártida”, um filme de apelo mais comercial dirigido por Bruno Safadi, trouxe o tema, ainda que por meio de um personagem menor da trama. Mas já era um indício. No dia seguinte, o cearense “Feito Pipa”, de Allan Deberton, mostrou os reflexos do assassinato de uma mulher na vida de um garoto e sua avó.

A temática não é tratada com grande pesar em “Feito Pipa”, que acompanha a bonita entre neto e avó, com destaque para as ótimas atuações de Yuri Gomes e Teca Pereira (favorita para ganhar o Kikito de melhor atriz). A morte virou assunto central nos dois filmes posteriores da programação, “Pele de Rinoceronte” e “Chorão: Só os Loucos Sabem”.

Protagonizado por Débora Falabella, na pele de uma jornalista fascinada por crimes, “Pele de Rinoceronte” cria uma trama fictícia em torno de um fato real: o assassinato da socialite Ângela Diniz em 1976, pelo namorado Doca Street. O fato mexeu com a sociedade e com a Justiça, que passou a não aceitar a alegação de “legítima defesa” (por suposta traição da mulher).

“Chorão” é uma cinebiografia sobre o líder da banda Charlie Brown Jr, que morreu em 2013 por overdose. Embora não bem explorada como deveria, a trajetória do cantor (vivido por José Loreto, que deve levar o troféu de ator) é marcada por grandes perdas, dos pais aos amigos, sempre diante de seus olhos. Um herói trágico em essência.

“Leite em Pó”, de Carlos Segundo, já se inicia com o suicídio da avó do personagem de Vinícius de Oliveira, que se enforca na sala de casa e deixa um diário aterrador sobre os anos que sofreu ao lado do marido, além de exigir que o neto – que vive às custas dela – passe a caminhar sozinho. Um filme desconcertante que pode surpreender na noite de premiação.

A mostra competitiva chegou ao fim com o surpreendente “Nosso Segredo”, estreia de Grace Passô em longa de ficção. É um horror, bem à maneira, sobre o despedaçamento de uma família após o falecimento do patriarca, carregado de cenas fortes e metafóricas. Se depender da reação da plateia e dos críticos, deverá ser o grande ganhador da noite.

Na noite de encerramento foi exibido o chileno “La Perra”, de Domingo Sotomayor, que tem participação especial de Selton Mello. É justamente no momento em que o brasileiro está em cena que ocorre uma inesperada morte que abalará profundamente a protagonista. A beleza da ilha onde mora contrasta com a profunda tristeza que leva por toda a sua vida.

Passando da ficção para o mundo real, o festival foi impactado com a morte das atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes, no mesmo dia. Elas tinham sido homenageadas em Gramado em anos anteriores – Glória em 2005, e Laura há três anos. No Palácio dos Festivais, houve uma bela despedida das duas grandes damas da dramaturgia brasileira.

Maria Fernanda Cândido e Andréa Beltrão, homenageadas deste ano, reverenciaram Glória e Laura em seus discursos. Já Selton Mello, recebedor do Kikito de Cristal, emocionou o público ao observar que era o prêmio que recebia sem ter os pais na plateia. A mãe Selva faleceu em 2024 e o pai Dalton se foi neste ano, há pouco mais de um mês.

(*) O repórter viajou a convite da organização do Festival de Cinema de Gramado