Casa Branca cita Ford e montadoras para defender fábricas nos EUA, mas confunde Rolls-Royce de carros com a empresa de
Fonte: noticiasautomotivas.com.br | Data: 22/08/2026 11:01:29

Uma confusão entre duas empresas chamadas Rolls-Royce levou a Casa Branca a apresentar investimentos ligados à aviação como parte do fortalecimento da indústria automotiva americana.
O governo citou a Rolls-Royce ao defender que a agenda comercial do presidente Donald Trump estaria estimulando fabricantes a ampliar produção e investimentos dentro dos Estados Unidos.
Entre os exemplos corretos aparece a Ford, que decidiu encerrar gradualmente as importações do Lincoln Nautilus atualmente produzido na China para o mercado americano.
A companhia anunciou na semana passada que pretende fabricar mais veículos Lincoln nos Estados Unidos a partir de 2030, dentro de uma reorganização de sua produção.
General Motors, Stellantis, Honda, Toyota e Mercedes também foram mencionadas pela Casa Branca entre as empresas que estão deslocando atividades produtivas para território americano.

Parte desses movimentos está relacionada às tarifas elevadas sobre veículos importados, que aumentam o interesse das fabricantes em ampliar capacidade produtiva dentro do país.
A situação muda completamente, porém, quando o governo inclui a Rolls-Royce em sua relação de investimentos ligados diretamente à fabricação de automóveis.
Segundo a Casa Branca, a Rolls-Royce está investindo US$ 75 milhões (R$ 378,8 milhões) para aumentar a produção de motores em Aiken, na Carolina do Sul.
O comunicado também cita uma expansão recentemente concluída de US$ 24 milhões (R$ 121,2 milhões) na unidade localizada em Mankato, no estado de Minnesota.
Os investimentos existem, mas pertencem à Rolls-Royce plc, empresa dedicada principalmente à aviação civil, defesa e sistemas de geração e propulsão.

Essa companhia não é a responsável pelos automóveis de ultraluxo vendidos com a marca Rolls-Royce, apesar de ambas compartilharem o mesmo nome e uma origem histórica comum.
Rolls-Royce plc e a operação automotiva seguiram caminhos separados ainda na década de 1970, tornando-se empresas distintas com atividades e estruturas empresariais independentes.
Atualmente, a Rolls-Royce Motor Cars responsável pelos automóveis pertence integralmente ao BMW Group e não possui ligação societária com a Rolls-Royce plc.
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A própria Rolls-Royce Motor Cars mantém um aviso explicando essa separação e identificando a outra companhia como fabricante de motores aeronáuticos e sistemas de propulsão.
Portanto, os investimentos em Aiken e Mankato não representam aumento de produção dos carros Rolls-Royce nem expansão industrial da divisão automotiva nos Estados Unidos.

Mesmo assim, a Casa Branca afirmou que empresas antes atraídas por mão de obra mais barata no exterior agora estariam direcionando capital para fábricas americanas.
O governo apresentou esse movimento como resultado da agenda “America First”, associando novos investimentos industriais à fabricação doméstica destinada a trabalhadores e consumidores americanos.
A confusão também não é inédita, pois em janeiro a Casa Branca já havia usado outro investimento da Rolls-Royce plc para destacar sua estratégia relacionada ao setor automotivo.
Na ocasião, o projeto apareceu como parte do esforço do governo Trump para fortalecer vendas, produção e investimentos associados à indústria de veículos nos Estados Unidos.
A semelhança dos nomes causa equívocos frequentes também fora do governo, com publicações e autores confundindo ao longo dos anos as duas empresas Rolls-Royce.
Neste caso, porém, a diferença é fundamental, porque investimentos em motores aeronáuticos foram usados oficialmente como evidência de expansão da fabricação de automóveis em território americano.
Ford e outras montadoras realmente ampliam atividades locais diante das novas condições comerciais, mas os projetos da Rolls-Royce plc pertencem a um setor industrial completamente diferente.
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