Casos Master e Lulinha devem atravessar eleição sem conclusão da PF
Fonte: goias246.com.br | Data: 22/08/2026 10:52:40
CNN Brasil
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Duas das investigações que mais têm alimentado a disputa política nas eleições de 2026 devem atravessar toda a campanha sem uma conclusão definitiva da Polícia Federal. Tanto o inquérito relacionado ao Banco Master quanto as apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), têm cronogramas que apontam para desfechos somente depois do pleito.
No caso do Banco Master, a previsão inicial era de que o inquérito fosse concluído ainda em agosto. O calendário, porém, mudou. A Polícia Federal pediu mais 60 dias para aprofundar a investigação sobre a compra de títulos do Master pelo Banco de Brasília (BRB), enquanto sucessivos adiamentos de depoimentos solicitados pelas defesas também dificultaram o cumprimento do cronograma originalmente traçado.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, deveria prestar depoimento na quinta-feira (20), mas a oitiva foi adiada a pedido de sua defesa e ainda não tem nova data. O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, já teve o depoimento remarcado três vezes e também permanece sem data definida. O senador Jaques Wagner (PT-BA), que seria ouvido no mesmo período, teve sua oitiva adiada após solicitação da defesa.
Apuração sobre Lulinha deve avançar até o fim do ano
A investigação envolvendo Lulinha também não deve ser encerrada durante a campanha. A expectativa dentro da Polícia Federal é de que essa frente seja concluída somente no fim do ano. A apuração também alcança Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-assessor presidencial.
Neste momento, os investigadores concentram a análise no material encontrado no celular da empresária e lobista Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha. A PF pretende concluir a perícia técnica no aparelho antes de decidir se será necessário convocar os envolvidos para prestar depoimento.
O cronograma pode se tornar ainda mais longo caso sejam necessárias medidas de cooperação internacional. Lulinha vive atualmente na Espanha, circunstância que pode tornar mais complexas eventuais intimações e oitivas. O filho mais velho de Lula, porém, já indicou que pretende retornar ao Brasil caso seja chamado pela Polícia Federal.
Lulinha é alvo de três inquéritos derivados da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a cobranças indevidas sobre benefícios do INSS. A extensão dessas apurações para além do calendário eleitoral significa que eventuais conclusões sobre responsabilidades não deverão estar disponíveis antes de os brasileiros escolherem o próximo presidente.
Investigações viram munição eleitoral sem desfecho
O cenário cria uma situação especialmente sensível para a campanha. O caso Master passou a ser explorado politicamente por adversários de Flávio Bolsonaro, enquanto as investigações envolvendo Lulinha alimentam ataques contra Lula. Ao mesmo tempo, a ausência de conclusões da PF significa que boa parte do embate eleitoral ocorrerá em torno de suspeitas e elementos ainda sob investigação, e não de resultados definitivos.
Com os dois casos avançando em ritmo mais lento do que o inicialmente previsto, a tendência é que Banco Master e Lulinha continuem presentes no debate político durante toda a campanha. O desfecho jurídico, porém, deve ficar para depois das urnas.