Vendedor experiente em proteção veicular, David do Prado lê o avanço do mercado automotivo
Fonte: bluestudio.estadao.com.br | Data: 24/08/2026 11:55:11
Dados da Susep indicam expansão de até 30% na frota protegida em 2026, movimento que redesenha a demanda por associações do setor.
O modelo mutualista já responde por cerca de 8 milhões de veículos protegidos no Brasil, segundo estimativas da Superintendência de Seguros Privados. A projeção da Susep para 2026 aponta um salto de até 30%, com 8 milhões de novos veículos entrando na base. O avanço acompanha a regulamentação trazida pela Lei Complementar 213/2025, que submeteu o setor à supervisão direta do órgão. A frota nacional soma mais de 130 milhões de veículos, o que dá dimensão ao espaço ainda disponível para o crescimento do modelo.
Vendedor com mais de dez anos de experiência no setor automotivo e proteção veicular, David do Prado atua na Aproest Proteção Veicular. Ele acompanha esse movimento diretamente na ponta do atendimento. Nos últimos meses, o volume de procura por planos cresceu de forma consistente, reflexo direto do cenário que os números da Susep já vinham indicando. A regularização trazida pela nova lei entrou na conversa antes mesmo de o motorista perguntar sobre a cobertura.
O tamanho do mercado após a regulação
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras indicam que cerca de 70% da frota brasileira ainda não tem nenhum tipo de cobertura. Nem seguro tradicional, nem associação de proteção veicular. Esse espaço vazio é o que sustenta a projeção de crescimento do setor para os próximos anos, tanto entre seguradoras quanto entre associações mutualistas.
David do Prado observa que a procura recente inclui motoristas sem histórico prévio de cobertura veicular. É um movimento coerente com o espaço ainda desprotegido apontado pela CNseg. Esse público costuma priorizar preço acessível e condições de pagamento simples, características que historicamente sustentam a demanda pelo modelo associativo.
O efeito da governança sobre o preço
O custo médio da proteção veicular segue até 20% menor do que o seguro tradicional, diferença sustentada pelo modelo de rateio entre associados. A regulamentação não elimina essa vantagem de custo. Ela impõe estrutura de auditoria e controle que antes variava de associação para associação, sem padrão mínimo exigido por lei. Um estudo da Ernst Young estima o faturamento anual do setor entre R$ 7,1 bilhões e R$ 9,4 bilhões. O patamar deve subir com a entrada de novos associados prevista para este ano.
David do Prado detalha que a regularidade da associação passou a ser uma pergunta recorrente antes mesmo da negociação de valores. Antes da regulamentação, esse tipo de verificação praticamente não fazia parte da conversa de venda. Hoje, o cadastro na Susep e o vínculo com uma administradora responsável entram na conversa desde o primeiro contato.
O que a consolidação deve trazer
Após a sanção da Lei Complementar 213/2025, mais de duas mil associações formalizaram cadastro junto à Susep. O número tende a diminuir ao longo do período de transição. Entidades menores buscam fusão com administradoras já estruturadas para cumprir as novas exigências de governança e controle atuarial.
David do Prado projeta um mercado mais concentrado, com menos associações e maior volume médio de associados por entidade. É uma leitura coerente com o prazo de adequação até 2028 e com o custo crescente de manter estrutura de auditoria e controle atuarial.
Para o setor automotivo, o efeito prático é um serviço mais previsível, sustentado por uma base de associados que segue em expansão, apesar da consolidação. O ritmo de crescimento projetado pela Susep para 2026 reforça essa leitura. Quanto maior a base de associados, maior a pressão sobre quem ainda não se adequou. Tendem a permanecer no mercado apenas as associações capazes de sustentar a estrutura de governança exigida pela nova lei.
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