DISLIPIDEMIAS E PREVENÇÃO DA ATEROSCLEROSE
Fonte: 360fatos.com.br | Data: 24/08/2026 15:53:48
DISLIPIDEMIAS E PREVENÇÃO DA ATEROSCLEROSE
Atualizado conforme a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025
O que é dislipidemia? É a alteração dos níveis de gorduras (lípides) no sangue, principalmente colesterol e triglicérides. Essas alterações podem favorecer a formação e a progressão da aterosclerose, doença caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
IMPORTANTE: colesterol alto geralmente não causa sintomas. A prevenção depende de medir, conhecer o risco cardiovascular e tratar quando indicado.
ENTENDENDO O PERFIL LIPÍDICO
- LDL-colesterol (LDL-c): É a principal lipoproteína relacionada à aterosclerose e o principal alvo do tratamento. Quanto maior o risco cardiovascular, menor deve ser a meta de LDL-c.
- HDL-colesterol (HDL-c): Participa do transporte reverso do colesterol. HDL baixo pode se associar a maior risco, mas não se recomenda usar medicamentos apenas com o objetivo de aumentar o HDL.
- Triglicérides (TG): Podem aumentar com excesso de peso, diabetes, álcool, alimentação inadequada e fatores genéticos. Valores muito elevados aumentam o risco de pancreatite.
- Lipoproteína(a) – Lp(a): É determinada principalmente pela genética e costuma permanecer relativamente estável ao longo da vida. Sua dosagem pode ajudar a refinar a avaliação do risco cardiovascular.
QUAL É O MEU LDL IDEAL?
Não existe um único valor de LDL adequado para todas as pessoas. A meta depende do risco cardiovascular individual, definido pelo médico a partir da história clínica, fatores de risco, diabetes, doença renal, antecedentes de infarto/AVC, presença de aterosclerose e, quando necessário, exames complementares.
| Risco cardiovascular | Meta de LDL-c |
| Baixo | < 115 mg/dL |
| Intermediário | < 100 mg/dL |
| Alto | < 70 mg/dL |
| Muito alto | < 50 mg/dL |
| Extremo | < 40 mg/dL |
Atenção: essas são metas terapêuticas e não devem ser interpretadas isoladamente como “normal” ou “alterado”. A categoria de risco deve ser definida pelo médico.
O QUE AUMENTA O RISCO DE ATEROSCLEROSE?
- pressão arterial elevada
• diabetes
• tabagismo
• obesidade, especialmente abdominal
• sedentarismo
• história familiar de doença cardiovascular precoce
• doença renal cronica
• LDL muito elevado ou hipercolesterolemia familiar
• Lp(a) elevada
• idade e outros fatores clínicos
COMO REDUZIR O COLESTEROL E O RISCO CARDIOVASCULAR?
- Alimentação: Priorize verduras, legumes, frutas, feijões, cereais integrais, castanhas em porções adequadas, peixes e fontes de gorduras insaturadas. Reduza gorduras saturadas e evite gorduras trans. A diretriz recomenda gordura saturada abaixo de 7% do valor calórico total.
- Fibras: Busque uma alimentação rica em fibras; a diretriz utiliza como referência cerca de 25 g/dia.
- Atividade física: Adultos devem acumular pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, quando clinicamente apropriado.
- Peso corporal: Se houver sobrepeso ou obesidade, a redução de peso melhora triglicérides e outros fatores de risco cardiovascular.
- Tabagismo: Não fumar e interromper o uso de produtos derivados do tabaco é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco cardiovascular.
- Álcool: Não é recomendado iniciar ou utilizar bebida alcoólica como estratégia para prevenir ou tratar aterosclerose. O excesso pode aumentar triglicérides e trazer outros riscos.
QUANDO SÓ A MUDANÇA DO ESTILO DE VIDA NÃO É SUFICIENTE
O tratamento é definido pelo risco cardiovascular e pela distância até a meta de LDL-c. Quando há indicação de medicamento, as estatinas são a primeira opção na maioria dos pacientes. Dependendo da meta e da resposta, o médico pode associar outros tratamentos, como ezetimiba, terapias direcionadas à PCSK9/inclisirana ou ácido bempedoico. Em pessoas de alto, muito alto ou extremo risco, frequentemente é necessário tratamento mais intensivo ou combinado.
NÃO SUSPENDA O REMÉDIO POR CONTA PRÓPRIA. Se surgirem dores musculares ou outro efeito adverso, converse com seu médico. Existem estratégias para investigar intolerância e alternativas para manter a proteção cardiovascular.
E OS TRIGLICÉRIDES?
Triglicérides elevados exigem atenção ao peso, diabetes, alimentação, álcool e causas secundárias. Quando permanecem ≥ 500 mg/dL, a diretriz recomenda considerar fibrato para reduzir o risco de pancreatite, além das medidas de estilo de vida e do tratamento das causas associadas.
ACOMPANHAMENTO
Após iniciar ou ajustar uma estatina, o perfil lipídico costuma ser reavaliado em cerca de 4 semanas. Depois de atingir as metas e com tratamento estável, o acompanhamento pode ser anual, salvo situações em que o médico indique controle mais próximo.
A principal mensagem: quanto maior o risco cardiovascular, mais rigorosa deve ser a meta de LDL. Reduzir o colesterol aterogênico de forma sustentada ajuda a prevenir infarto, AVC e outras complicações da aterosclerose.
Dr. Fábio Argenta • CRM-MT 4194
Cardiologista • RQE 2859
Doutorando UNICAMP
Fellow of European Society of Cardiology
Diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia