BYD Tan muda completamente e estreia nova geração na China – Auto+ TV
Fonte: automaistv.com.br | Data: 25/08/2026 07:40:32
Quando falamos que as fabricantes chinesas vêm atualizando carros atrás de carros, a BYD é um ótimo exemplo. O Tan, primeiro carro de passeio da marca no Brasil e que recebeu uma reestilização em 2025, acaba de ganhar uma nova geração na China. E, desta vez, a mudança vai muito além do visual. Apresentado no Salão de Chengdu, o SUV cresceu, mudou completamente por dentro e estreou uma nova geração da Blade Battery.
Além disso, a BYD aproveitou para reposicionar um dos carros mais importantes de sua história recente. Isso porque o novo BYD Tan estreia na China como um SUV de cinco lugares. Para quem conhece o modelo brasileiro justamente pelos sete assentos, a decisão parece estranha. Todavia, ela começa a fazer sentido quando olhamos para tudo o que aconteceu com a gama da BYD nos últimos anos.
Novo BYD Tan cresceu, mas abriu mão de dois lugares
A mudança de geração aparece na fita métrica. O novo Tan agora tem 5,04 metros de comprimento (antes 4,97 m), 1,98 m de largura e 1,76 m de altura. O entre-eixos, porém, concentra a maior evolução: saltou de 2,82 para 2,95 metros.
São 13 centímetros extras entre os eixos dianteiro e traseiro, justamente a medida que mais interfere no espaço interno. Curiosamente, a BYD não aproveitou esse ganho para acomodar melhor uma terceira fileira. Fez exatamente o contrário.
A terceira geração estreia posicionada como um grande SUV de cinco lugares, deixando todo o espaço disponível para apenas duas fileiras. Atrás, a fabricante promete mais de um metro para as pernas, enquanto os encostos podem reclinar até 130 graus.
Se pegarmos o Tan vendido no Brasil, ele sempre teve sete lugares como um dos de seus diferenciais, principalmente diante de outros elétricos. Agora, a prioridade passou a ser o conforto de quem realmente ocupa as duas primeiras fileiras.
E a explicação para isso é que a BYD possui uma família muito maior de SUVs grandes na China e não precisa mais fazer o Tan cumprir todas as funções sozinho. O chamado Tang L (aqui Atto 8), por exemplo, já oferece as três fileiras e está acima do Tan, chamado de Tang na China.
Acima deles, a fabricante ainda criou o gigantesco Da Tang, de 5,26 metros, que assume o posto de SUV de sete lugares mais sofisticado da família. Ou seja, enquanto os outros modelos cuidam de quem precisa levar mais passageiros, o novo Tan pode se concentrar em tecnologia, espaço e conforto para cinco ocupantes.
Nova geração da Blade Battery
Por baixo da carroceria está uma das mudanças mais relevantes. O novo BYD Tan estreia a segunda geração da Blade Battery, com opções de 88,7 kWh e 105,8 kWh. Dependendo da configuração, a autonomia declarada varia entre 730 e 850 km pelo ciclo chinês CLTC.
Esse último número impressiona, mas vale lembrar que o otimismo de homologação chinês é gigantesco quando comparado com nosso Tan que oferece 430 segundo o Inmetro, graças a bateria de 108,8 kWh. Isso porque esses resultados têm metodologias completamente diferentes.
Mais interessante, porém, é o que acontece quando a bateria acaba. O novo Tan adota a tecnologia Flash Charging da BYD e, em condições ideais, consegue carregar de 10% para 70% em aproximadamente cinco minutos. Para alcançar 97%, são cerca de nove minutos.
Potência ainda guarda surpresas
Até agora, a configuração homologada na China utiliza um motor elétrico traseiro de 408 cv. Com ele, o SUV pode alcançar 250 km/h. O número de potência é inferior aos 517 cv do Tan vendido no Brasil, mas isso não significa que a nova geração ficou mais fraca. A configuração conhecida até agora representa apenas uma parte da gama.
A BYD também prepara versões com tração integral e um segundo motor no eixo dianteiro. A fabricante, contudo, ainda não revelou a potência combinada oficial nem todos os números de desempenho.
Por isso, também não há um tempo oficial de 0 a 100 km/h para nos colocarmos frente a frente com os 4,9 segundos do Tan brasileiro.
Suspensão agora se prepara para o buraco
Enquanto a bateria e recarga avançaram bastante, a parte dinâmica também mudou profundamente. Na dianteira, o antigo conjunto McPherson deu lugar a uma arquitetura de duplo A, como de picapes e carros esportivos, enquanto a traseira utiliza um sistema multilink de cinco braços.
A principal novidade, contudo, está na suspensão pneumática DiSus-A de duas câmaras. Além de controlar a altura da carroceria, o conjunto trabalha com um sistema capaz de analisar antecipadamente as condições do piso.
Assim, as câmeras identificam irregularidades à frente e permitem que o sistema prepare a suspensão antes de as rodas passarem pelo trecho ruim. É um nível de sofisticação bem acima do DiSus-C utilizado atualmente pelo Tan brasileiro, que controla eletronicamente os amortecedores, mas não usa bolsas pneumáticas.
Dependendo da versão, a nova geração também terá tração integral inteligente. O sistema consegue alterar a distribuição de força entre os eixos conforme as condições de aderência.
Duas telas somam mais de 65 polegadas
Se existe um lugar onde fica impossível confundir as duas gerações, é dentro da cabine. Praticamente nada lembra o Tan que conhecemos por aqui.
Sai a conhecida central multimídia giratória de 15,6 polegadas e entra uma solução bem mais ousada. Na parte superior do painel há uma tela de 35,4 polegadas, instalada próxima ao para-brisa e responsável por concentrar informações normalmente exibidas pelo quadro de instrumentos.
Logo abaixo aparece outra tela panorâmica de 30 polegadas. Somadas, são 65,4 polegadas de superfícies digitais, embora cada uma tenha formato e função diferentes. Ao menos alguns comandos físicos continuam no console central.
A tecnologia também vai além das telas. O novo Tan utiliza o God’s Eye B e leva um sensor LiDAR no teto, acompanhado por câmeras e radares. Na China, esse hardware permite sistemas avançados de condução assistida em cidades e rodovias, além de estacionamento automatizado.
Caso o SUV venha ao Brasil, porém, não significa necessariamente que todas essas funções estarão liberadas por aqui, já que dependem de software, mapas e homologação local.
Visual deixa o Tan atual definitivamente no passado
Por fora, a transformação acompanha o restante do projeto. A dianteira abandona boa parte do desenho conhecido no SUV atual e passa a seguir uma interpretação mais limpa da identidade da linha Dynasty.
Uma faixa horizontal domina a frente e integra a assinatura luminosa, enquanto as extremidades do para-choque concentram entradas verticais. A tradicional linha chamada de bigode de dragão vista já no Tan brasileiro, no novo Song Pro e Atto 2 e 8 continuam presente, porém mais discretas.
Na lateral, as maçanetas ficam parcialmente embutidas e as rodas podem ter 20 ou 21 polegadas. Já a traseira vai na tendência atual da marca, com lanternas conectadas atravessando praticamente toda a tampa.
E o novo BYD Tan no Brasil?
As vendas chinesas começam apenas no quarto trimestre de 2026. Por enquanto, a fabricante também não confirmou a terceira geração para o Brasil. Ainda assim, poucos modelos da fabricante têm uma ligação tão forte com a história da empresa no país.
Foi justamente o Tan que abriu a ofensiva de automóveis de passeio da BYD por aqui, quando a marca ainda estava muito distante do volume de vendas e da gama que possui atualmente.
O problema é que o cenário mudou bastante desde então. Hoje, o Tan custa R$ 426.800 e divide espaço com produtos muito mais recentes da própria fabricante. O principal deles é o Atto 8. Por R$ 399.990, o híbrido plug-in tem sete lugares, 5,04 metros de comprimento e os mesmos 2,95 metros de entre-eixos da nova geração do Tan.
Portanto, ele ocupa justamente parte do espaço que antes pertencia quase exclusivamente ao elétrico. Contudo, por ser um elétrico, o Tan ainda tem menos espaço e sempre serviu como uma vitrine de luxo da capacidade que a BYD tem no Brasil, algo que agora já conseguimos ver com a submarca de luxo Denza.
Por isso, ainda é cedo para cravar se essa nova geração desembarcaria por aqui. Mas vindo da BYD, que aumenta cada vez mais sua ofensiva de produtos em terras tupiniquins, não seria muito difícil de imaginar nos próximos anos o SUV por aqui.
E você, prefere a nova proposta de cinco lugares ou acha que o BYD Tan deveria continuar com sete assentos? Deixe seu comentário!