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Veja o que se sabe sobre acidente com avião que caiu em área de mata no interior de MG

Fonte: noticias.r7.com | Data: 26/08/2026 02:11:07

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Um avião de pequeno porte caiu em uma área de mata em Minas Gerais, mas o piloto, único ocupante, acionou o paraquedas da aeronave e saiu ileso.
  • A aeronave, de matrícula PR-VMI, decolou do Aeroporto da Pampulha e sofreu uma pane durante um voo intermunicipal, resultando em um pouso de emergência.
  • O sistema de paraquedas, parte do modelo Cirrus SR22, foi crucial para a segurança, permitindo uma descida controlada e amortecendo o impacto no solo.
  • A Força Aérea Brasileira (FAB) está investigando o incidente para entender as circunstâncias da queda e evitar casos semelhantes no futuro.

Produzido pela Ri7a – a Inteligência Artificial do R7

Piloto conseguiu sair com vida após queda do avião Reprodução/RECORD MINAS

O vídeo que mostra o momento da queda de um avião de pequeno porte em uma área de mata em Mateus Leme, a 66 km de Belo Horizonte, impressionou pelo flagrante. Na imagem, é possível ver a aeronave caindo, sustentada por um paraquedas. O piloto Gustavo Couto, de 29 anos, que estava sozinho, conseguiu acionar o sistema de segurança a tempo e saiu sem ferimentos.

O paraquedas que permitiu o avião chegar ao solo surpreendeu por sustentar toda a estrutura e não somente o piloto. Especialistas explicam que o sistema não funciona como os equipamentos utilizados individualmente por paraquedistas.

Um caso parecido, com uma aeronave do mesmo modelo, aconteceu em março de 2023. Na ocasião havia seis pessoas a bordo, que também conseguiram sair ilesas após o piloto acionar o paraquedas do avião.

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que enviou investigadores para apurar as circunstâncias da queda.

Como aconteceu

O avião, de matrícula PR-VMI, caiu em uma área de mata no Distrito de Serra Azul, em Mateus Leme. O avião havia decolado do Aeroporto da Pampulha e realizava um voo intermunicipal para uma manutenção de rotina. Durante o trajeto, a aeronave apresentou uma pane, seguida de uma pequena explosão e um princípio de incêndio. O piloto, único ocupante, acionou o paraquedas da própria aeronave e realizou um pouso de emergência.

Após a queda, moradores retiraram o piloto do avião em segurança. Conforme os bombeiros, ele estava consciente e orientado, sem escoriações e sem queixas de dores. Após atendimento em uma UPA da região, ele foi encaminhado pelo SAMU para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Veja o momento da queda:

Para onde o avião seguia

O aeroporto da Pampulha confirmou que a aeronave decolou de Belo Horizonte, por volta das 7h45 de terça-feira (25). Segundo o piloto, o objetivo era chegar em Bom Despacho, a 160 km da capital mineira, para uma manutenção de rotina de troca de óleo.

Segundo a assessoria do aeroporto, durante a operação de decolagem, não houve qualquer comunicação entre o piloto e a Torre de Controle do Aeroporto da Pampulha relatando emergência, pane ou outra ocorrência.

Paraquedas acionado por foguete

O paraquedas acionado pelo piloto não funciona como os equipamentos usados individualmente por paraquedistas. No modelo Cirrus SR22, o dispositivo faz parte de um sistema de segurança desenvolvido para permitir que toda a aeronave desça de paraquedas em uma situação de emergência.

Segundo Estevan Velásquez, piloto e instrutor da Cirrus Aircraft, o paraquedas não é apenas um acessório instalado no avião. “Diferentemente do que muita gente pensa, não é um acessório que esse avião tem, o paraquedas. No caso específico do Cirrus, a aeronave inteira foi desenvolvida e fabricada em volta de um sistema de salvar vidas”, explica.

O acionamento é feito pelo próprio piloto por meio de uma alavanca instalada no teto da cabine. Ao puxá-la, um foguete é ativado e retira o paraquedas do compartimento onde fica armazenado, permitindo que ele seja aberto rapidamente. “O paraquedas tem um foguete para puxar esse paraquedas para fora, justamente para ele abrir o mais rápido possível, você perder a menor altitude possível e poder usar esse paraquedas o quanto antes”, afirma Velásquez.

O sistema não se limita ao paraquedas. Segundo o instrutor, diferentes componentes do avião são projetados para ajudar a absorver a energia do impacto quando a aeronave chega ao solo.

“A aeronave inteira foi feita e estruturada em volta do sistema do paraquedas. A gente tem desde amortecedores que seguram a queda, no caso da rodinha da frente, que a gente chama de bequilha. A gente tem bancos com um forro específico, que a gente chama de colmeia de alumínio, também para amortecer. Os pilotos têm airbag nos cintos”, detalha.

Estado de saúde do piloto

Após o ocorrido, Gustavo foi atendido no Hospital João XXIII, por ter respirado muita fumaça, mas já recebeu alta e está bem. Gustavo conta que no momento do acidente se esforçou para tirar a aeronave de cima da cidade de Mateus Leme, para evitar algo pior.

“Tive uma perda de potência e quando vi que não teria mais controle da aeronave, tirei ela de cima da cidade de Mateus Leme e procurei um lugar melhor para um pouso de emergência. Aí vi que estava pegando fogo, aciono o paraquedas e esperei o impacto no chão. Aí saí do avião e ele pegou fogo, porque ainda estava com muito combustível”, conta Gustavo.

Ao sair da aeronave, sem ferimentos, o piloto conta que procurou ajuda de moradores da região. “Eu pedi socorro não porque estava em perigo, mas para tomar água porque eu estava com a garganta seca, me deram água, me colocaram em um carro e me levaram para um posto de saúde onde fui bem atendido”.

Histórico na aviação

Segundo Gustavo, a primeira carteira dele para pilotagem foi em 2015, mas antes disso ainda trabalhou em outras áreas da aviação. “Trabalhei em várias áreas da aviação desde angar, administração, hoje me encontro em uma empresa na Pampulha, que me deu o treinamento da aeronave. Foram vários meses voando com outro piloto do lado, fazendo todos os procedimentos, para ter esse êxito”.

Após o susto, o piloto contou, ainda, que o filho dele completa dois meses de vida nesta quarta-feira (26), e que está muito feliz por nada pior ter acontecido e poder celebrar a data ao lado da família. “Estava doido para ver ele, ir lá e comemorar. E amanhã estamos pilotando de novo”, completa Gustavo.

Caso parecido em 2023

Um acidente envolvendo uma aeronave do mesmo modelo do avião que caiu em Mateus Leme, terminou sem feridos há três anos. Em março de 2023, um Cirrus SR22 perdeu potência durante um voo na Grande BH e o piloto acionou o paraquedas da própria aeronave. As seis pessoas que estavam a bordo, entre elas duas crianças, saíram ilesas.

O caso aconteceu em 11 de março de 2023, na região do bairro Morro Vermelho, entre Sabará e Caeté. A aeronave, de matrícula PS-VAC, transportava quatro adultos, uma criança de 3 anos e um recém-nascido de apenas três dias. Segundo informações divulgadas na época, o avião sofreu uma perda abrupta de potência do motor durante o voo.

O piloto chegou a tentar procedimentos para recuperar o funcionamento e decidiu retornar ao Aeroporto da Pampulha, de onde havia decolado. Durante a tentativa, porém, o comandante percebeu que a aeronave não teria altitude e alcance suficientes para chegar à pista apenas planando. Diante da situação, decidiu acionar o sistema de paraquedas do avião.

Foi então que o piloto acionou o paraquedas. O dispositivo permitiu que o avião realizasse uma descida controlada e chegasse ao solo com menor impacto. As seis pessoas que estavam a bordo ficaram conscientes e orientadas e não apresentaram ferimentos. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros destacou que o sistema foi fundamental para reduzir a gravidade da ocorrência.

FAB irá investigar

A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou investigadores para apurar as circunstâncias da queda do avião. Integrantes do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio de Janeiro, foram acionados para realizar a chamada Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave de matrícula PR-VMI.

Nesta primeira etapa, profissionais fazem a coleta e a confirmação de dados sobre a ocorrência. Também são verificados os danos sofridos pela aeronave ou provocados por ela, além de outras informações consideradas relevantes para a investigação, que busca identificar possíveis fatores que tenham contribuído para a ocorrência e evitar casos semelhantes.

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