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Zema reduz ataques a Flávio para evitar novos atritos com PL e tenta diversificar pautas de olho no eleitorado à direita

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 26/08/2026 03:53:46

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Ex-governador mineiro diminuiu críticas ao adversáro após mal-gestar gerado com parcela do próprio partido que é coligada com a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro

Romeu Zema na sabatina O GLOBO, CBN e Valor
Romeu Zema na sabatina O GLOBO, CBN e Valor — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Na largada da disputa presidencial, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) passou a evitar ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL), com quem ele disputa o eleitorado de direita, para impedir novos atritos na relação entre o PL e o Novo. Como estratégia, a campanha do ex-mandatário mineiro tem apostado, para além das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), em novas bandeiras de campanha, como o fim das bets e os direitos dos trabalhadores por aplicativo.

Em aparições nas sabatinas da TV Globo, na segunda-feira, e dos jornais GLOBO e Valor e da rádio CBN, no dia seguinte, Zema não fez menções diretas nem a Flávio nem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao tratar da dívida de Minas com a União, por exemplo, o mineiro não atribuiu a origem do problema ao desempenho do ex-governador petista Fernando Pimentel, que o antecedeu no comando do Executivo local e é um alvo frequente desde que foi eleito pela primeira vez, em 2018.

Já em relação a Flávio, o ex-mandatário afirmou que não voltaria nas críticas ao senador, mas negou que estaria sendo proibido pelo Novo de subir o tom contra o adversário. Embora tenha argumentado que o rival precisará “dar explicações” sobre o caso Dark Horse, Zema também pediu o fim de “investigações tendenciosas”, citando o processo ao qual responde por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, do STF.

— Não tiro nada do que eu disse (sobre Flávio). Está postado nas redes. Não mudo em nada. E o Brasil precisa acabar com essas investigações tendenciosas. Estou respondendo ao processo do Gilmar Mendes, né? Eu cometi algum crime? Aquele jornalista lá do Maranhão cuja fonte está sendo perseguida? Nós estamos tendo um Judiciário que está sendo utilizado nitidamente para fazer política — disse na entrevista desta segunda-feira.

Morde e assopra

Crítico ao que chama de “intocáveis”, rótulo usado em suas redes sociais para descrever parte da classe de políticos e de integrantes do Judiciário, Zema chegou a subir o tom contra Flávio no início do ano após a descoberta da relação dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e acusado de comandar um esquema de fraudes financeiras.

Em maio, quando foram revelados os áudios enviados pelo senador ao banqueiro cobrando dinheiro para o financiamento do filme Dark Horse, o ex-governador mineiro descreveu o episódio como um “tapa na cara dos brasileiros” em um vídeo publicado nas redes sociais. Nas semanas seguintes, reiterou as reprimendas ao então pré-candidato do PL em pelo menos outras cinco ocasiões. Ainda em maio, disse que estaria “rompendo com aquilo que condena” e classificou como “extremamente infeliz” a sinalização de que Flávio indicaria o irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para o Itamaraty, caso eleito.

Já em junho, o ex-governador afirmou que as pessoas que mantêm relações próximas com Vorcaro deveriam ser observadas com cautela, em indireta a Flávio, e foi respondido por Eduardo nas redes sociais. Em outras ocasiões, ele afirmou estar “muito decepcionado” com o senador, disse que “nunca foi próximo a Flávio” e declarou que os eleitores “entregariam a eleição a Lula” se decidissem votar no presidenciável do PL. A partir de julho, no entanto, as críticas pararam, e o ex-governador passou a sinalizar que o que tinha para comentar sobre o adversário já havia sido dito, posição mantida até hoje.

Por trás da inflexão, há um entendimento fixado pelo Novo após o mal-estar provocado com o aumento das críticas ao senador. Na época, em resposta aos comentários feitos pelo ex-governador, os diretórios do partido no Paraná e em Santa Catarina, onde a sigla está coligada ao PL, publicaram notas contrárias a Zema. Ele também chegou a ser desconvidado de um evento organizado por correligionários catarinenses.

— O principal adversário do Zema é o Lula, disparado, a ponto de ele chegar a dizer que não irá a debate sem que o Lula vá. As críticas estarão concentradas no governo e no PT, porque também é quem o ex-governador venceu em Minas Gerais e de quem ele recebeu um estado quebrado. Em relação ao Flávio, houve um entendimento político por parte da campanha e do Novo de que o importante agora é concentrar o foco em quem de fato é o nosso adversário, e não nos nossos concorrentes no campo da oposição e da direita. É nesse sentido que a campanha vai seguir — disse ao GLOBO Renato Pereira, marqueteiro responsável por conduzir a campanha de Zema.

Pereira prevê, por sua vez, que o tema “corrupção” estará colado na figura de Lula, em função das investigações que rodeiam Lulinha, filho do presidente, e o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Ambos são investigados pela Polícia Federal (PF) pela relação com a empresária Roberta Luchsinger, próxima ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O governo e a campanha do petista têm evitado se manifestar sobre o assunto.

— E os intocáveis tratam exatamente dessa casta que reúne muitos privilégios e esquemas, que vive em Brasília muito bem, enquanto os brasileiros vivem muito mal. E o Lula sempre foi retratado como um desses intocáveis — disse Pereira.

‘Chega de bets’ e apoio de trabalhadores por aplicativo

O assunto deverá dividir espaço nas redes sociais do candidato com pautas consideradas mais populares e recentemente incorporadas na campanha. Uma delas é a defesa do fim das bets, assunto que não foi incluído no plano de governo divulgado pelo candidato, mas virou recentemente um mote por influência do senador Eduardo Girão (Novo-CE), escolhido para a vice e contrário às apostas em sua atuação no Senado.

Na última semana, Zema publicou vídeos sobre o assunto, que incluíram também críticas a influenciadores como Virgínia Fonseca, que depôs na CPI das Bets pela divulgação de plataformas online de apostas. O ex-governador também tem usado, durante o cumprimento das agendas, uma camisa preta com a frase “chega de Bets” e escolheu mantê-la, por orientação do comando da campanha, durante a sabatina realizada pelo GLOBO, CBN e Valor nesta terça-feira, em vez da tradicional camisa “laranja” do Novo. Internamente, há a avaliação de que o tema diferencia o ex-governador dos outros candidatos e o aproxima da população, majoritariamente contrária às bets.

Em paralelo, passou a buscar articulação com o segmento de trabalhadores por aplicativo em São Paulo, maior colégio eleitoral do país e onde também se concentra o GQ da campanha, defendendo que o grupo se cadastre como MEI (Microempreendedor Individual).

— Nós estamos diante desse novo fato do mercado, que há dez ou 12 anos não existia. Esse motorista de aplicativo, entregas e passageiros. Minha opinião é que todo motorista de aplicativo, como muitos fazem, e aplicativos exigem, deve ter, no mínimo, o MEI. Vai ter contribuição, vai contar tempo de serviço — disse.

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