Busca por novas reservas de óleo e gás e abertura de fronteiras ganha impulso em países produtores | eixos
Fonte: eixos.com.br | Data: 26/08/2026 07:08:20

NESTA EDIÇÃO. Foco em exploração volta ao radar de grandes produtores de petróleo.
O papel da Petrobras no plano de recuperação extrajudicial da Braskem.
Resolução do CNPE reafirma indústria de base como prioridade nos leilões de gás da União.
Grupo de trabalho da eletromobilidade deve ter pelo menos sete ministérios e três agências reguladoras.
Assim como o Brasil, outros grandes países produtores de petróleo e gás, como Estados Unidos e Noruega, têm sinalizado que a busca por novas reservas voltou ser uma prioridade, em meio à alta global dos preços do barril e aos questionamentos sobre a viabilidade de fontes menos poluentes.
- O novo foco na exploração ocorre num contexto em que grandes produtores globais estão enfrentando dificuldades para manter as exportações devido às guerras entre Rússia e Ucrânia e aos conflitos no Oriente Médio.
Maior produtora da Europa e principal fonte de suprimento de óleo e gás do continente depois das sanções à Rússia, a Noruega corre para encontrar novas reservas e reduzir o declínio da produção até 2050.
- “Precisamos de medidas e elas precisam ser tomadas agora. É necessária uma atuação conjunta do governo, das empresas de petróleo, da indústria de fornecedores e de todo o setor, com esforços paralelos para aumentar a recuperação de campos existentes, desenvolver campos adicionais e viabilizar novas descobertas, sejam de pequeno ou grande porte”, disse o ministro da Energia norueguês, Terje Aasland, durante o Offshore Northern Seas (ONS) 2026, em Stavanger.
- “Nossa capacidade de fornecer petróleo e gás, tanto a curto quanto a longo prazo, é importante para a Noruega, para a Europa e para o mundo”, acrescentou.
- Empresas na região já sinalizaram que vão em busca de novas descobertas no Mar do Norte, revertendo a tendência das últimas décadas do foco em redesenvolvimento de ativos e no aumento do fator de recuperação de áreas já produtoras.
- Para ficar de olho: Equinor, Aker BP e Vår Energi fecham parceria para nova guinada em exploração na Noruega.
O ministro norueguês sinalizou, inclusive, que o Mar de Barents, no Ártico, tende a fazer parte desses esforços, com a abertura de uma nova fronteira de exploração.
- Em mensagem enviada à abertura do ONS na segunda-feira (24), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembrou que a redução do uso de combustíveis fósseis e a ampliação da geração renovável serão cruciais para reduzir a vulnerabilidade do bloco a choques externos.
- Mas o ministro norueguês questionou as propostas para moratórias à exploração no bloco europeu: “Quando falamos com a Alemanha e a Polônia, eles querem esse gás natural (do Ártico)”, disse.
As águas geladas do norte também são uma das apostas dos Estados Unidos, maior produtor global. O Alasca é visto pelo governo de Donald Trump como uma das regiões com maior potencial para a área de energia no mundo, com “enormes” reservas de petróleo e gás.
- Trump já deixou claro que tem interesse em anexar a Groenlândia, de olho nos recursos naturais da região, incluindo minerais críticos e hidrogênio.
- Vale lembrar que um dos slogans da campanha do republicano foi “drill, baby, drill”.
- Para lembrar: Secretários de Trump cobram mais produção de petroleiras americanas.
No Brasil, a principal aposta é a Margem Equatorial, cuja exploração é questionada por ambientalistas. Há ainda grande expectativa sobre a Bacia de Pelotas.
- Na visão da diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, a fronteira na região já está aberta após a descoberta anunciada este mês na Bacia da Foz do Amazonas.
De volta à casa dos US$ 80. O Brent caiu 3,6% na terça-feira (25/8), cotado a US$ 87,27 por barril, à medida que aumenta o otimismo entre os traders em torno da navegação no Estreito de Ormuz. Irã e Omã acertaram a criação de um corredor marítimo conjunto e temporário, além de ações para a retirada de minas na região.
- Na manhã de quarta (26), a commodity acelerou a queda, com negociações a US$ 84,8 por barril no momento do fechamento desta edição.
- Sob ataque. O setor energético, incluindo infraestrutura e cadeia de suprimentos, passou a ser alvo de ataques, mesmo em momentos que não são de guerra declarada. E isso exigirá a ampliação da resiliência na indústria de energia, indicaram executivos durante a Offshore Northern Seas (ONS) 2026 na terça-feira (25/8).
Petroquímica em crise. O plano de recuperação extrajudicial protocolado pela Braskem na segunda (24/8) na Justiça de São Paulo formaliza o papel da Petrobras na reestruturação de US$ 10,9 bilhões (R$ 56,5 bilhões) em dívidas da petroquímica: a estatal será garantidora de última instância, ao lado da gestora IG4, sócia via Shine I Fundo de Investimento em Participações.
Gás para a indústria de base. O governo publicou na terça (25) a resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que estrutura os leilões de gás natural da União.
- Entre outros destaques, a norma reafirma a indústria de base como destino prioritário da política; define diretrizes para precificação da molécula; e detalha como se dará a relação com a Petrobras como agente comercializador. Confira os principais pontos da resolução
Combustível nuclear. O governo publicou também a resolução do CNPE que cria as diretrizes para o monitoramento dos preços do combustível nuclear nos mercados nacional e internacional. A ENBPar será a responsável pelo estudo comparativo dos preços, que deverá incluir todas as etapas do ciclo de vida e considerar referências internacionais.
Eletromobilidade no CNPE. A pauta da reunião do Conselho de 2 de setembro prevê a criação do grupo de trabalho dedicado à eletromobilidade, que deve reunir pelo menos sete ministérios e três agências reguladoras. O objetivo do GT é apresentar as bases para uma estratégia nacional para o setor.
- A discussão chega em meio a um cenário de disputas tecnológicas e por mercado na mobilidade urbana.
Redução na tarifa de energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que as tarifas de distribuição serão reduzidas a partir desta quarta-feira (26/8) para consumidores de baixa tensão da Energisa Tocantins (TO), Sulgipe (SE), Energisa Acre (AC), Enel Ceará (CE) e Energisa Rondônia (RO).
- A redução será de 1,36% (TO) a 10,63% (RO), a depender da concessão, e será possível após repactuação do encargo conhecido como Uso de Bem Público (UBP) – e que está, aliás, no radar do Tribunal de Contas da União (TCU).
- Na semana passada, o ministro Antonio Anastasia chegou a bloquear o repasse de R$ 5,03 bilhões da repactuação do encargo às distribuidoras, para atenuar reajustes nas tarifas, mas depois recuou e revogou a cautelar. A revogação não encerra, contudo, a discussão, já que o mérito do processo ainda não foi julgado pelo TCU.
Orçamento climático. iCS e Cicef vão trabalhar em parceria com a rede global C40 Cidades para ajudar sete metrópoles brasileiras a identificar, classificar e monitorar gastos a partir de critérios climáticos.
- A iniciativa envolve Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas e será desenvolvida até março de 2027.