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Apostem em Flávio, mas saibam: não vai ter botes para todos – Denise Assis – Brasil 247

Fonte: brasil247.com | Data: 26/08/2026 07:01:32

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Sou jornalista e tenho a exata noção do peso da opinião de uma coluna em um jornal de grande circulação. Exatamente por isso, hoje me peguei indagando: a quem interessa dar corda a um antipetismo inflexível, em um ano eleitoral em que o candidato oposto é tão despreparado quanto nocivo? É disso que se trata. Não são a favor do candidato Flávio. São contra e radicalmente contra o candidato Lula.

Diante do trecho da colunista: “Integrantes do governo relataram que o Lula piadista e bem-humorado de poucas semanas ficou para trás desde que as investigações da Polícia Federal envolvendo o possível tráfico de influência de seu filho, Fábio Luís, e de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, vieram à tona”, eu paro.

O texto em questão deixa uma fresta para interpretações para todos os gostos. Do pai zeloso, preocupado com o destino do filho, ao candidato que antevê a nitroglicerina chegando à porta do seu gabinete, que é ao que ela especificamente se refere.

E aí é o caso de começarmos a nos perguntar: será mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve a vida revirada do avesso aqui e alhures, que cumpriu comportadamente 580 dias de detenção – tal como o personagem de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, o Jean Valjean, que passou 19 anos preso por ter roubado apenas um pão -, estaria assim tão apreensivo com o contágio do enredo de Fábio Luís à sua campanha? É possível, na medida em que um pai estaria zeloso com o destino do filho.

 Lula, no entanto, atingido pela Lava-Jato, uma verdadeira “organização” encabeçada por um juíz obsessivo que se portou como Javert, um inspetor de polícia e inimigo jurado do antagonista de Valjean, no mesmo romance, não parece ter motivos para insônia, a não ser pelo fato de estar assistindo a uma reprise.

E, como em toda reprise, os personagens se repetem, tais como o time de jornalistas que pegavam das mãos da PF o calhamaço de “denúncias” e reportavam como se verdade absoluta, desprezando o princípio básico do jornalismo: ouvir os dois lados. 

O pior dessa história é que eles sabem onde deu esse jogo. Na eleição de um incompetente, radical, vazio, negacionista e, finalmente, criminoso (a despeito das dúvidas do candidato Romeu Zema quanto ao julgamento no STF). Ficaram com cara de “ué”, como se não fosse com eles. Era.

O peso da mão nas “denúncias” naquele momento fez com que Jair Bolsonaro chegasse à cadeira da presidência sem a menor aptidão, apetite ou envergadura para isso. Agora, na reprise, talvez acometidos por amnésia, fazem o mesmo jogo, desprezando a robusta ficha corrida de Flávio Bolsonaro, passando pano para os seus malfeitos e para as distorções de postura cometidas pelo “Javert II”, desta vez na pele do ministro André Mendonça.

Tal “conluio” entre mídia e judiciário resultou em 700 mil mortes, quatro anos de escuridão na política externa, no desmonte da economia, em desemprego, retorno ao mapa da fome, um golpe de Estado e em muitos desmandos em todas as esferas de poder, a ponto de Lula ter que fazer uma “PEC da transição”, para começar a governar.

Pálidos, os comentaristas tiveram de entrar em campo e discorrer sobre planos de assassinatos (Punha Amarelo), aparelhamento da Polícia Rodoviária Federal, lama sobre a instituição Forças Armadas e prisões e condenações de generais e almirante. Não bastou. Não aprenderam que apostar no “quanto pior melhor” à revelia da opinião pública é trabalhar contra o país.

Não se interessam em ir atrás dos US$ 61 milhões recebidos por Flávio Bolsonaro, das mãos de Vorcaro, o maior punguista com capa de banqueiro que o país já teve. Não aprofundam as investigações contra as manobras do (ainda deputado) Mário Frias, para fazer caber na Ancine um projeto capenga, tocado por uma produtora de fundo de quintal, para um filme pangaré. 

Não são capazes de percorrer e pesar as biografias dos candidatos, a ponto de ignorar em que outro buraco vamos nos meter durante quatro anos (?). Pouco se lhes dá, se o Brasil retrocede e é colocado de joelhos por dois moleques incultos, que não precisaram trabalhar, pois encontraram aberta pelo papai, a “porta da felicidade” na política. Continuem agindo como se o amanhã não fosse dos seus filhos e netos. Continuem fazendo de contas que o futuro do país atingido pelo tsunami da incompetência de Flávio Bolsonaro não lhes dissesse respeito. Tal como em Titanic, não vai ter botes para todos, tolinhos.  

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.