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Salvaterra homenageia Mestre Damasceno um ano após sua morte com cortejo de bois-bumbás

Fonte: oliberal.com | Data: 26/08/2026 08:20:04

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Há um ano, a cultura brasileira perdia Damasceno Gregório dos Santos, o Mestre Damasceno, falecido aos 71 anos. Na mesma data, é celebrado o Dia Municipal do Carimbó em Belém, instituído em homenagem ao nascimento de Mestre Verequete, figura fundamental para a consolidação e preservação do ritmo na região.

O calendário cultural paraense é marcado por símbolos emblemáticos da Amazônia. Reconhecido em vida com diversas homenagens por seu entusiasmo e força animadora, Mestre Damasceno será lembrado nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, em Salvaterra, no Marajó, sua terra natal. De acordo com o Mestre Robledo, o cortejo de dois bois-bumbás tomará as ruas da cidade em tributo ao artista.

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Mestre Damasceno nasceu em 22 de julho de 1954 na Comunidade Quilombola do Salvá. Neto de indígena e descendente de escravizados, ele viveu no território até os 13 anos, convivendo com as manifestações de boi-bumbá organizadas por seu pai, Theodomiro Pereira dos Santos, e seu avô, Antônio Paulo Pereira.

Ao atingir a maioridade, mudou-se de Salvaterra para Belém e conseguiu emprego na construção civil, mas, apenas três meses depois, sofreu um grave acidente de trabalho que causou a perda total de sua visão. De volta à terra natal, passou por reabilitação e, ainda no mesmo ano, conquistou seu primeiro título como colocador de boi-bumbá em uma disputa no município vizinho de Soure, no Marajó. Mais tarde, com o auxílio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Salvaterra, obteve a aposentadoria por invalidez.

A vivência como pessoa com deficiência visual fez com que Mestre Damasceno priorizasse a acessibilidade em todos os seus projetos. Suas apresentações contavam com estruturas adaptadas, oficinas inclusivas e símbolos marcantes, como os olhos brancos pintados no minibúfalo construído para o neto, uma representação direta da inclusão social das pessoas com deficiência.

Ao longo de sua carreira, Mestre Damasceno acumulou mais de 400 composições autorais e lançou sete trabalhos discográficos, consolidando-se como um símbolo de resistência e da força cultural do Norte do Brasil. Sua trajetória de gravações teve início em 1999, com o álbum “Salvaterra Canta Carimbó”. Em 2013, o artista participou dos discos “Carimbó da Terra” e “Terruá Pará”, voltando a lançar trabalhos autorais em 2020 com “Canta o Encanto do Marajó” e, em 2022, com “Encontro D’água”. Seus lançamentos mais recentes ocorreram em 2023, ano em que apresentou ao público os álbuns “Búfalo-Bumbá” e “Chegou Meu Boi”.

Em vida, acumulou expressivos reconhecimentos nacionais. A lista de honrarias teve início em 1973, quando conquistou seu primeiro título como campeão de colocador de boi-bumbá em Soure, aos 19 anos. Em 2009 e 2017, foi contemplado com dois prêmios da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural do extinto Ministério da Cultura. O artista também recebeu o Prêmio Mestre da Cultura Popular do Estado do Pará (SEIVA) em 2015, concedido pela Fundação Cultural Tancredo Neves, e teve seu saber reconhecido como mestre de carimbó pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2017. Mais recentemente, sua obra foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará, em 2023, culminando com a concessão da Ordem do Mérito Cultural (OMC) em 2025, a mais alta honraria outorgada pelo Ministério da Cultura.

Recentemente, o principal terminal hidroviário de Salvaterra, no Marajó, passou a se chamar Terminal Hidroviário Mestre Damasceno.