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IPCA-15 cai 0,4% em agosto com bônus de Itaipu e tem maior deflação em quatro anos

Fonte: www1.folha.uol.com.br | Data: 26/08/2026 11:39:55

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O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação ao registrar taxa de -0,4% em agosto, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quarta-feira (26).

A deflação ocorre quando um índice de preços cai em determinado período. A taxa negativa é o contrário de inflação —alta do custo de bens e serviços.

O IPCA-15 foi puxado para baixo pelo desconto do bônus de Itaipu na conta de luz, cujos preços caíram 6,25% em agosto. Esse alívio, porém, é temporário e tende a ser revertido já em setembro.

Passagem aérea, parte dos alimentos e combustíveis também mostraram recuo de preços em agosto e ajudaram a reduzir o índice, que havia subido 0,06% em julho.

A deflação foi a primeira do IPCA-15 em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos, desde agosto de 2022 (-0,73%).

A taxa de -0,4% caiu mais do que o previsto pelo mercado financeiro. A mediana das estimativas para este mês era de -0,32%, conforme a agência Bloomberg.

Segundo analistas, itens mais voláteis, como a passagem aérea, além dos alimentos, caíram mais do que o esperado. Isso explicaria a surpresa com a baixa mais intensa do IPCA-15.

ALTA DO IPCA-15 PERDE FORÇA EM 12 MESES

A inflação acumulada pelo índice perdeu força em 12 meses. A alta desacelerou a 4,24% até agosto, após marcar 4,52% até julho.

Com o novo resultado, o IPCA-15 ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Isso não ocorria desde abril.

“O resultado melhora o cenário de curto prazo para a inflação, mas não elimina a necessidade de cautela”, disse o economista Gabriel Pestana, da Genial Investimentos.

Segundo ele, enquanto alimentos e parte dos bens industriais mostram um cenário mais benigno, serviços ainda sugerem resistência inflacionária.

O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA. Por isso, sinaliza uma tendência para o índice oficial de inflação. Uma das diferenças entre os dois é o período de coleta dos preços.

A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso de agosto, a coleta foi realizada de 16 de julho a 14 de agosto.

Já o levantamento do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o resultado de agosto ainda não está fechado. Será divulgado pelo IBGE em 11 de setembro.

Após a divulgação do IPCA-15, a consultoria 4intelligence diminuiu a sua previsão para o IPCA nos 12 meses de 2026. A estimativa de alta passou de 5,2% para 5,1% —ainda acima da taxa registrada no ano passado (4,26%).

LUZ E PASSAGEM AÉREA PUXAM IPCA-15 PARA BAIXO

Economistas esperavam a deflação do IPCA-15 em agosto principalmente em razão do bônus de Itaipu, que entrou em vigor neste mês.

Trata-se de um valor distribuído a milhões de consumidores todo ano após a apuração do saldo de comercialização de energia da usina no ano anterior.

Com a deflação de 6,25%, a energia elétrica residencial gerou um impacto de -0,26 ponto percentual no IPCA-15. Foi a principal contribuição individual do lado das baixas em agosto.

A energia elétrica integra o grupo habitação no IPCA-15. A habitação teve a maior queda (-1,41%) e o principal impacto negativo (-0,22 p.p.) entre os nove grupos pesquisados.

O ramo de transportes veio na sequência (-1% e -0,2 p.p.). O segmento inclui as passagens aéreas, cujos preços caíram 13,3% em agosto.

A redução dos bilhetes de avião ocorreu após aumento de 11,7% em julho, quando as tarifas costumam subir devido à demanda maior por viagens de férias.

Do lado das quedas, o impacto individual das passagens aéreas em agosto (-0,12 p.p.) só foi inferior ao da energia elétrica (-0,26 p.p.).

As baixas de combustíveis como gasolina (-1,23%) e etanol (-3,63%) também ajudaram a reduzir a taxa de transportes.

Folha Mercado

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PREÇOS DE ALIMENTOS VOLTAM A CAIR

Outro grupo que gerou alívio foi o de alimentação e bebidas, com deflação pelo segundo mês consecutivo. A queda em agosto (-0,57%) foi menos intensa do que a verificada em julho (-0,66%).

Houve redução na alimentação no domicílio (-0,97%), com destaque para os recuos do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%).

Analistas associam as deflações principalmente a questões sazonais. A oferta de parte dos alimentos in natura costuma subir no meio do ano, o que em tese ajuda a reduzir os preços.

Entre os avanços de agosto, o IBGE citou o leite longa vida (3,41%) e as frutas (3,11%).

Os preços da alimentação fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, subiram 0,42% neste mês. A taxa foi inferior à inflação de julho (0,55%).

A carestia de leite (3,41%), cigarro (5,56%) e conserto de automóvel (1,5%) gerou as principais pressões individuais do lado das altas no IPCA-15 (0,03 p.p. cada). O índice é composto por 367 bens e serviços.

PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO E JUROS

Na mediana, as projeções do mercado financeiro apontam alta de 5,02% para o IPCA em 2026, conforme o boletim Focus, divulgado pelo BC. A estimativa está acima do teto da meta (4,5%).

O Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao BC, reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano neste mês. A baixa na Selic foi de 0,25 ponto percentual pela quarta vez seguida.

Para o Copom, a inflação continua pressionada pela demanda, e esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia.

Apesar da deflação do IPCA-15, a composição do índice ainda mostra resiliência das pressões de serviços, segundo o economista Rafael Rondinelli, da MAG Investimentos.

“O resultado mantém a trajetória desinflacionária, mas reforça a cautela necessária em relação à dinâmica dos núcleos e de serviços para os próximos passos da política monetária”, disse.

Um dos fatores que preocupam no segundo semestre é o fenômeno climático El Niño, que desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas.

Em caso de perdas no campo, os preços dos alimentos podem ficar mais caros para o consumidor. O evento também ameaça pressionar os custos de setores como o de energia.

“Apesar do alívio nos últimos meses, ainda vemos fatores que devem manter a inflação pressionada daqui para frente, como o mercado de trabalho aquecido e a perspectiva de desvalorização do real”, afirmou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.

O banco prevê IPCA de 5% neste ano e Selic de 14% até o fim de 2026. O C6, contudo, não descarta a possibilidade de novos cortes na taxa de juros nos próximos meses.

A mediana das previsões do mercado indica Selic de 13,75% ao final do ano, conforme o Focus.