China transforma lixo em energia limpa e exporta tecnologia de gestão de resíduos para o mundo
Fonte: brasil247.com | Data: 27/08/2026 05:52:02
247 – A China está promovendo uma profunda transformação na maneira como suas cidades tratam os resíduos sólidos, substituindo progressivamente os tradicionais aterros sanitários por um modelo baseado em incineração, recuperação de recursos, geração de energia e economia circular. O avanço tecnológico permitiu ainda que antigas instalações associadas a lixo, mau cheiro e degradação ambiental passassem a ser integradas ao espaço urbano.
As informações são do Xinhua Institute, que destaca o Parque Industrial de Fushan, em Guangzhou, como um dos símbolos dessa transformação. O complexo mostra como instalações de tratamento de resíduos podem deixar de ser percebidas como um problema urbano para se transformar em infraestrutura ambiental integrada à cidade.
A mudança faz parte de uma estratégia mais ampla da China para aumentar a segurança ecológica, reduzir a ocupação de terras por aterros, aproveitar economicamente os resíduos e diminuir os impactos ambientais provocados pelo crescimento das grandes cidades.
Incineração já responde por 78,1% do tratamento
A dimensão da transformação aparece nos números.
Em novembro de 2025, a incineração já respondia por 78,1% do tratamento dos resíduos sólidos urbanos da China. A capacidade instalada do país superou a meta anteriormente estabelecida pelas autoridades chinesas.
A evolução representa uma mudança estrutural em relação ao antigo modelo baseado predominantemente em aterros.
A estratégia chinesa busca tratar os resíduos como um recurso potencial. Materiais que antes simplesmente ocupavam grandes extensões de terra passam a ser utilizados para geração de eletricidade e outros processos de recuperação.
Tecnologia reduz emissões das usinas
Um dos fatores que permitiram a expansão do modelo foi o avanço das tecnologias utilizadas nas plantas de incineração.
Novos processos incluem sistemas de fermentação dos resíduos antes da queima, equipamentos desenvolvidos domesticamente e mecanismos inteligentes capazes de controlar continuamente as diferentes etapas do tratamento.
A automação permite ajustar a operação das instalações e monitorar as emissões em tempo real.
Segundo o Xinhua Institute, as tecnologias adotadas pelas plantas mais modernas permitem operar com níveis de emissão de poluentes próximos de zero, enfrentando uma das principais preocupações associadas historicamente à incineração de resíduos.
Lixo passa a abastecer cidades com eletricidade
A transformação dos resíduos em energia também ganhou escala.
Em Changsha, uma planta de tratamento é capaz de gerar eletricidade suficiente para atender aproximadamente 10% do consumo residencial da cidade, segundo os dados apresentados pelo instituto.
Além de produzir energia, o processo reduz a necessidade de aterros e contribui para diminuir emissões de dióxido de carbono.
O conceito transforma a lógica tradicional da gestão de resíduos: em vez de simplesmente encontrar um local para descartar aquilo que as cidades produzem, o objetivo passa a ser recuperar o máximo possível de valor econômico e energético.
China exporta modelo para outros países
Depois de desenvolver uma grande indústria doméstica, empresas chinesas começaram a levar essa experiência para o exterior.
A China participa de 79 projetos internacionais de incineração e aproveitamento energético de resíduos, fornecendo equipamentos, processos industriais, tecnologia e treinamento para profissionais locais.
O modelo de cooperação não envolve apenas a venda de máquinas. Os projetos incluem transferência de conhecimento sobre operação das plantas, manutenção e gestão dos sistemas.
Entre os países que recebem soluções chinesas estão Brasil, Tailândia e Vietnã.
A presença brasileira mostra como a cooperação ambiental entre Brasil e China pode avançar para além das áreas tradicionais de comércio, energia e infraestrutura, alcançando tecnologias ligadas à economia circular e ao tratamento sustentável dos resíduos urbanos.
Tecnologia chinesa ajuda a enfrentar lixões
Em países que ainda enfrentam dificuldades com lixo a céu aberto e infraestrutura insuficiente de saneamento, essas tecnologias podem produzir efeitos ambientais e sociais importantes.
Projetos desenvolvidos com participação chinesa no Vietnã e na Tailândia, por exemplo, procuram simultaneamente solucionar problemas de destinação dos resíduos e ampliar a geração local de eletricidade.
A melhoria do tratamento reduz impactos sobre o solo, a água e a qualidade do ar, além de contribuir para melhores condições sanitárias nas comunidades próximas.
Dessa maneira, uma tecnologia desenvolvida inicialmente para enfrentar os enormes desafios ambientais da urbanização chinesa começa a ser utilizada como solução para problemas semelhantes em outras partes do mundo.
Governança ambiental ganha novo marco
O avanço tecnológico ocorre paralelamente ao fortalecimento da legislação ambiental chinesa.
A Lei do Código de Ecologia e Meio Ambiente, em vigor desde agosto de 2026, reforça a estratégia de combinar inovação tecnológica, instrumentos legais e governança ambiental.
A abordagem parte do entendimento de que o crescimento econômico precisa estar associado à preservação ambiental e ao uso mais eficiente dos recursos naturais.
A gestão de resíduos tornou-se uma das áreas nas quais essa política pode ser observada concretamente.
Da “fábrica de lixo” à economia circular
A transformação das antigas plantas de resíduos também possui uma dimensão urbana e cultural.
Instalações tradicionalmente associadas a mau cheiro, poluição e degradação passaram a incorporar arquitetura, paisagismo, controle ambiental e novas tecnologias, reduzindo o conflito entre essas estruturas e as comunidades vizinhas.
O Parque Industrial de Fushan, em Guangzhou, simboliza essa nova concepção.
O objetivo deixa de ser simplesmente esconder ou afastar o lixo produzido pelas grandes cidades. A proposta é incorporá-lo a um ciclo no qual resíduos são tratados, materiais são recuperados e parte de seu conteúdo energético retorna à sociedade na forma de eletricidade.
A experiência chinesa demonstra, segundo o Xinhua Institute, que a gestão de resíduos pode deixar de representar apenas um custo ambiental e se transformar em componente de uma economia circular baseada em tecnologia, eficiência e geração de energia limpa.
Depois de construir essa capacidade em escala nacional, a China começa agora a exportá-la. Com dezenas de projetos internacionais — inclusive no Brasil —, o país transforma uma solução desenvolvida para seus próprios desafios urbanos em mais uma frente de cooperação tecnológica voltada ao desenvolvimento sustentável.
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