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Be Clean: primeiro app brasileiro que cruza saúde e impacto ambiental na hora de escolher cosmético

Fonte: exame.com | Data: 27/08/2026 08:10:01

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Em um mercado que movimenta mais de R$ 242 bilhões por ano e que já é o terceiro maior polo de beleza do mundo, um gesto simples virou hábito de consumo: virar a embalagem e tentar entender o que está escrito no rótulo. 

A Be Clean nasceu para responder a essa dúvida. O aplicativo, criado em 2023 pela advogada Marina Miranda, permite escanear um cosmético e receber, em segundos, uma nota de 0 a 10 baseada em critérios de saúde e impacto ambiental, tornando-se o primeiro do país a cruzar os dois indicadores em uma única avaliação.

A proposta chega em um momento em que o consumidor brasileiro deixou de comprar apenas por marca ou preço. Segundo o relatório State of Beauty 2025, da NielsenIQ, o setor de beleza cresceu 10% globalmente no último ano, com o público cada vez mais atento a saber se os produtos realmente cumprem o que prometem. 

“Estamos vendo uma mudança importante. As pessoas não querem apenas consumir, elas querem entender o que estão consumindo. Isso cria uma relação mais transparente entre marcas e consumidores”, afirma a CEO da marca.

A Be Clean tenta ocupar exatamente essa lacuna entre o desejo por transparência e a dificuldade de interpretar nomenclaturas técnicas.

O corpo deu o sinal, ela criou a resposta

A trajetória de Marina Miranda até a Be Clean não começou no mercado de beleza, e sim em um consultório médico. Advogada de formação, ela passou a conviver com zumbidos e dores constantes nos ouvidos sem receber um diagnóstico conclusivo, mesmo depois de uma série de exames. 

A virada veio ao assistir a um documentário sobre os impactos de ingredientes potencialmente tóxicos em produtos capilares, o que a levou a suspeitar de uma ligação entre os sintomas e anos de uso de processos de alisamento.

“Foi um choque perceber o quanto eu não sabia sobre algo tão presente na minha rotina. E, ao mesmo tempo, entender que essa não era uma dor só minha”, diz Marina.

A partir dali, ela mergulhou no universo de ingredientes, rotulagem e regulamentação cosmética até transformar uma inquietação pessoal em produto. “Empreender, para mim, foi transformar uma vulnerabilidade em potência. A Be Clean nasce de um lugar muito pessoal, mas cresce com um objetivo coletivo, dar às pessoas mais autonomia sobre suas escolhas”, completa a fundadora.

Marina Miranda, fundadora da Be Clean (Arquivo pessoal)

Como funciona a nota de 0 a 10

O aplicativo permite ao usuário escanear o código de barras de um cosmético e acessar, em linguagem simples, uma tradução dos ingredientes presentes na fórmula. Cada produto recebe uma nota de 0 a 10, construída a partir de critérios de saúde e de impacto ambiental, com dados cruzados em pesquisa de mercado e validados por especialistas em ingredientes da indústria cosmética.

A Be Clean também funciona como um hub de conteúdo e educação, reunindo materiais sobre consumo consciente e conectando usuários a marcas alinhadas a esses critérios. Para Marina, o objetivo não é transformar o consumidor em especialista em química, e sim dar contexto ao que antes era apenas uma lista indecifrável.

“Não é razoável esperar que alguém conheça o significado de dezenas de ingredientes escritos em nomenclaturas científicas. Transparência não é apenas disponibilizar uma lista de componentes, é tornar essa informação compreensível para quem vai usar aquele produto”, diz a fundadora.

A regulação também empurra o setor para mais clareza

A demanda por transparência não é apenas uma tendência de comportamento, também virou exigência legal. A Anvisa publicou nos últimos anos uma série de resoluções, entre elas a RDC 898/2024, que tornou obrigatória a apresentação da composição química dos cosméticos em português, além da nomenclatura internacional (INCI) já usada pela indústria. 

A justificativa oficial da agência é a mesma que move a Be Clean: dar ao consumidor acesso real, e não apenas formal, à informação sobre o que compra.

Para quem quer começar a decifrar os próprios produtos, a recomendação da fundadora é direta. “Uma fórmula é resultado da combinação de diversos ingredientes e não da avaliação de um único componente. O consumidor não precisa se tornar especialista em química cosmética para fazer boas escolhas”, diz Marina.