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Créditos de carbono podem movimentar até R$ 3,5 bilhões no agro brasileiro até 2035 – Portal IN – Pompeu Vasconcelos

Fonte: portalin.com.br | Data: 27/08/2026 12:14:04

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Na projeção mais conservadora, o agro poderia gerar 25,6 milhões de créditos de carbono

O mercado de carbono pode abrir uma nova frente de receitas para o agronegócio brasileiro na próxima década. Estudo divulgado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) estima que o setor tenha potencial para gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono entre 2025 e 2035, ampliando a capacidade do País de transformar práticas de baixa emissão em ativos negociáveis internacionalmente.

As projeções fazem parte do estudo O Agronegócio Brasileiro no Mercado Internacional de Carbono – Oportunidades Econômicas, Elegibilidade e Impactos na NDC, elaborado pela Carbonn Nature, Instituto Equilíbrio e Instituto de Estudos do Agronegócio (IEAg). O levantamento avalia as possibilidades de inserção do setor no mercado internacional previsto pelo Artigo 6 do Acordo de Paris.

Além da contribuição ambiental, a abertura desse mercado pode representar uma fonte adicional de recursos para produtores e empresas que investem na redução ou remoção de gases de efeito estufa. Dependendo do modelo de comercialização adotado, as operações podem movimentar até R$ 3,5 bilhões.

O levantamento apresenta três cenários para o período até 2035. Na projeção mais conservadora, o agro poderia gerar 25,6 milhões de créditos de carbono. Em uma situação intermediária, seriam 230 milhões. No cenário de maior aproveitamento, considerando projetos em desenvolvimento, o volume alcançaria 314,3 milhões.

Entre as atividades capazes de sustentar esse mercado estão o manejo mais eficiente das terras agrícolas, a recuperação de áreas degradadas, o tratamento de dejetos animais e iniciativas destinadas à redução das emissões de metano.

O potencial ganha relevância porque a agropecuária ocupa uma posição particular na agenda climática brasileira: ao mesmo tempo em que representa parcela significativa das emissões nacionais, dispõe de áreas e tecnologias capazes de ampliar a captura de carbono e reduzir emissões associadas à produção.

Nesse cenário, o carbono deixa de ser apenas uma variável ambiental e passa a integrar a estratégia econômica das propriedades rurais, com possibilidade de remunerar investimentos em sistemas produtivos mais eficientes.

Mercado

Uma das possibilidades analisadas pelo estudo considera a autorização para comercializar internacionalmente um volume equivalente a um impacto de até 4% sobre a segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil.

Nesse cenário, aproximadamente 15,7 milhões de toneladas de CO₂ equivalente poderiam ser negociadas. A estimativa aponta movimentação de até R$ 2,4 bilhões em acordos bilaterais envolvendo os chamados Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, os ITMOs.

O valor poderia chegar a R$ 3,5 bilhões caso os créditos fossem elegíveis para o Corsia, mecanismo internacional criado para compensar e reduzir o crescimento das emissões da aviação civil internacional. A próxima fase do programa, prevista para começar em 2027, tende a ampliar a procura por créditos que atendam aos critérios ambientais exigidos pelo sistema.

As cifras, porém, representam potencial econômico, e não receitas já asseguradas. O resultado dependerá de fatores como preços dos créditos, demanda internacional, certificação dos projetos e autorização brasileira para as transferências.

Regulamentação será decisiva

Transformar esse potencial em negócios dependerá principalmente do avanço das regras para o funcionamento do mercado. O Brasil já conta com o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042, de dezembro de 2024, mas ainda trabalha na regulamentação necessária para sua implementação.

Para o agronegócio, será necessário estabelecer critérios para a autorização dos créditos destinados ao exterior, reconhecer metodologias aplicáveis às atividades rurais e definir quanto das reduções de emissões poderá ser negociado sem comprometer o cumprimento das próprias metas climáticas brasileiras.

A consolidação dessas regras pode tornar o carbono mais uma variável de competitividade do agro. Além de criar receitas adicionais, os créditos podem ajudar a financiar recuperação de pastagens, melhoria do manejo do solo, tratamento de resíduos da pecuária e outras tecnologias de baixo carbono.

Com escala produtiva, disponibilidade de áreas e experiência em agricultura tropical, o Brasil reúne condições para ocupar uma posição relevante nesse mercado. O desafio agora é transformar o potencial ambiental identificado no campo em ativos reconhecidos, negociáveis e capazes de abrir novos mercados para a produção agropecuária brasileira.