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PicPay registra lucro ajustado de R$ 283 mi, alta de 135%

Fonte: letsmoney.com.br | Data: 27/08/2026 13:19:33

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O PicPay fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 283 milhões, alta de 135% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 4,1 bilhões, avanço de 67% em um ano, acima do guidance que a companhia havia divulgado ao mercado. O ROE anualizado ficou em 20,2%.

A conta de rentabilidade vem de dois movimentos que andaram juntos. A margem financeira (NII) alcançou R$ 2 bilhões, crescimento de 65%, e o lucro bruto chegou a R$ 1,2 bilhão, alta de 48%. O EBT ajustado somou R$ 291 milhões, avanço de 174%.

PicPay no 2º trimestre de 2026

Indicador Valor Variação anual
Receita líquida R$ 4,1 bilhões +67%
Lucro líquido ajustado R$ 283 milhões +135%
Lucro bruto R$ 1,2 bilhão +48%
Margem financeira (NII) R$ 2 bilhões +65%
EBT ajustado R$ 291 milhões +174%
Carteira de crédito R$ 31,9 bilhões Quase o dobro
ROE anualizado 20,2% Sem base comparativa divulgada

Resultados do 2º trimestre de 2026 divulgados pela companhia. Fonte: PicPay

O cliente rende quatro vezes o que custa

A receita média por cliente ativo (ARPAC) chegou a R$ 92,0, alta de 52% em um ano, contra um custo de servir de R$ 21,3 que subiu apenas 13% no mesmo intervalo. A base alcançou 70,4 milhões de usuários, crescimento de 10%. O volume total de pagamentos da carteira digital cresceu 19%, para R$ 142,6 bilhões, puxado pelo uso do Pix e pela penetração do PicPay Card.

Produtos sem risco e de baixo risco cresceram 81% e responderam por 71% da receita. As linhas que não vêm de crédito, como carteira, adquirência, float e seguros, somaram R$ 1,9 bilhão, alta de 57%. A companhia levou consulta de conta e saldo para dentro do ChatGPT em agosto de 2026.

“Os resultados do segundo trimestre refletem a continuidade de um trabalho sólido, baseado em crescimento com rentabilidade, disciplina financeira e aprofundamento do relacionamento com os clientes […]”, afirma Eduardo Chedid, CEO do PicPay.

Consignado privado vira o motor da carteira

O consignado privado foi o principal vetor do trimestre. A companhia já fez mais de 3,6 milhões de contratos na modalidade, concede cerca de R$ 700 milhões por mês em novas operações e tem 6% do mercado, entre os cinco maiores do segmento. Quem contrata a linha gera um ARPAC 8,9 vezes maior que a média da plataforma.

A carteira total de crédito somou R$ 31,9 bilhões, praticamente o dobro de um ano antes, com 55% em produtos garantidos ou parcialmente garantidos. O custo de risco ficou em 3,9%. Já o NPL acima de 90 dias encerrou o trimestre em 9,8%, e o estágio 3 representava 13% da carteira. A empresa atribui os números à maturação de safras anteriores, a efeitos sazonais e a uma tomada intencional de risco incremental para acelerar o crescimento.

“Estamos executando nossa estratégia de crédito com sucesso ao combinar crescimento forte com controle de risco. A dinâmica que observamos nos indicadores é um reflexo do amadurecimento natural da nossa carteira e não uma piora na qualidade das novas concessões”, afirma André Cazotto, CFO. O Desenrola, que já vinha reduzindo o custo dos bancos, teve efeito positivo pontual sobre alguns indicadores de crédito e provisão. A cobertura da carteira ficou estável em 13,9% e o CET1, em 15,6%. Para o terceiro trimestre, a projeção é de receita perto de R$ 4 bilhões e custo de risco entre 3,9% e 4,1%. No período também foi concluída a compra da seguradora Kovr, que teve aval final do Banco Central em julho de 2026.

O que observar

Um balanço que cresce receita em dois dígitos altos e ao mesmo tempo mostra inadimplência de quase 10% pede leitura em duas velocidades. O indicador atrasado reflete concessões de trimestres anteriores, enquanto o custo de risco fala do que está sendo originado agora. Vale acompanhar se a fatia garantida da carteira continua subindo nos próximos trimestres e se o crédito com desconto em folha mantém a margem depois que a régua de juros do produto for testada em escala.

Fontes: PicPayPicPay Investor RelationsLet’s Money