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Delação de ex-dono da Reag atinge Jaques Wagner

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 27/08/2026 22:19:34

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O ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, entregou à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada com 17 anexos, em movimento que amplia o impacto político do caso Master sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA). O acordo ainda não foi formalmente assinado e depende de análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso.

Segundo a proposta, o foco da delação é Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mansur afirma que a Reag prestava serviços para o Master desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle do banco, e que a instituição teria sido usada para desviar dinheiro do banco com o uso de laranjas e estruturas offshore. Ele também relata que negociava diretamente com Vorcaro, que teria conhecimento dos desvios e os operava.

Na delação, há menção ao senador Jaques Wagner. Augusto Lima, ex-sócio do Master, teria pedido a Mansur, em 2023, que comprasse ingressos para o show da Taylor Swift que custariam R$ 63.300. Os ingressos seriam destinados ao senador.

Procurado, Wagner afirmou que a compra foi “um pedido pessoal a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos”. O senador acrescentou que não conhece Mansur nem tem relação com a Reag.

Contexto das investigações

Mansur havia tentado anteriormente fechar uma delação em conjunto com Vorcaro, quando ambos eram clientes do advogado José Luís Oliveira Lima. Na época, PGR e Polícia Federal consideraram as informações prestadas por Vorcaro insuficientes. A defesa de Mansur foi posteriormente assumida pelo criminalista Aloísio Medeiros.

O ex-dono da Reag foi alvo das operações Carbono Oculto e Compliance Zero. A primeira apura fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis com participação do PCC. A segunda investiga emissão de títulos de crédito falsos e suspeitas de desvio de recursos ligados a Vorcaro.

No âmbito do caso Master, o Banco Central apontou que fundos da Reag Trust estruturaram operações irregulares com o banco de julho de 2023 a julho de 2024.

Supostos laranjas e fundo offshore

Mansur identificou pessoas que, segundo ele, atuavam como laranjas e cotistas de fundos ligados a Vorcaro. Um dos casos envolve o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman, para onde o Master enviou R$ 494 milhões. Formalmente, o beneficiário do fundo é Benjamim Botelho, ex-dono da gestora Sefer, também alvo da Compliance Zero. Mansur afirma, no entanto, que o verdadeiro dono do Jaguar é Vorcaro.

ACM Neto também citado

Outro político citado na delação é o candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), titular das cotas do fundo de investimento Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. Neto afirmou que o fundo foi criado no final de 2021 por meio de aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita e que contratou a Reag como administradora para cumprimento das regras da CVM.

O candidato declarou que a rentabilidade do fundo foi compatível com o mercado e que todos os impostos foram recolhidos. Ele aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95 em 10 depósitos, valor que chegou a R$ 11,94 milhões em outubro de 2025.

Procurada, a defesa de Mansur não respondeu até a publicação desta reportagem.