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Lula sanciona lei que permite reduzir impostos sobre combustíveis e cria incentivos para etanol e fertilizantes

Fonte: bmcnews.com.br | Data: 28/08/2026 10:08:27

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Complementar 235/2026, que cria uma regra excepcional para permitir a redução de tributos federais sobre combustíveis em meio aos efeitos da crise internacional no mercado de energia.

A legislação não reduz automaticamente todos os impostos a partir da publicação. Ela cria autorização para que o governo adote reduções em determinadas condições e permite compensar a perda de arrecadação utilizando receitas extraordinárias relacionadas ao setor de petróleo e gás.

A lei também incorporou benefícios para etanol, fertilizantes e projetos estratégicos de Defesa e entrou em vigor nesta sexta-feira (28).

Entre as receitas que poderão ser utilizadas para compensar medidas sobre combustíveis estão royalties, participações especiais, tributos e dividendos recebidos pela União em razão da atividade petrolífera.

Os impostos sobre gasolina e diesel já foram reduzidos?

Não necessariamente. A nova lei autoriza o governo a reduzir tributos federais sobre combustíveis em 2026, mas isso não significa que todas as alíquotas tenham sido automaticamente zeradas ou reduzidas com a sanção.

A norma abrange combustíveis como diesel, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação.

A utilização do mecanismo dependerá das decisões que forem adotadas pelo Executivo dentro dos limites estabelecidos na lei.

O desenho tenta permitir uma resposta fiscal a variações extraordinárias do mercado internacional de energia sem deixar a perda de arrecadação sem fonte de compensação.

Como será feita a compensação fiscal?

A lei permite utilizar receitas extraordinárias obtidas pela União com petróleo e gás. Em períodos de forte valorização do barril, o governo pode receber mais recursos por diferentes canais.

Royalties e participações especiais, por exemplo, estão vinculados à produção e ao valor econômico da atividade petrolífera.

A arrecadação de determinados tributos também pode subir.

Além disso, dividendos recebidos de empresas nas quais a União possui participação podem compor esse fluxo.

A legislação permite considerar essas receitas adicionais na compensação de eventuais reduções tributárias sobre combustíveis.

Quais são os incentivos previstos para o etanol?

A lei autoriza até R$ 1,2 bilhão em subvenções destinadas a produtores e cooperativas de etanol hidratado.

O texto também permite que produtores utilizem créditos de PIS/Pasep e Cofins para compensar obrigações tributárias, dentro de um limite de R$ 750 milhões em 2026.

Há ainda uma regra relacionada à diferença de tributação entre gasolina e etanol.

Se a carga federal da gasolina cair em 30% ou mais em relação à referência estabelecida pela legislação, as alíquotas do etanol deverão ser reduzidas a zero conforme os critérios previstos no texto.

A preocupação é evitar que uma redução tributária significativa sobre gasolina prejudique a competitividade do etanol hidratado.

Quanto a lei destina aos fertilizantes?

A legislação cria créditos fiscais para projetos relacionados à produção de:

  • fertilizantes;
  • matérias-primas;
  • bioinsumos;
  • biofertilizantes;
  • remineralizadores.

O limite será de R$ 1 bilhão por ano entre 2027 e 2031, totalizando potencialmente até R$ 5 bilhões durante o período.

O crédito poderá corresponder a até 20% dos gastos considerados elegíveis na produção nacional.

O objetivo é incentivar investimentos e produção doméstica em uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio.

Existe outro benefício para projetos de fertilizantes?

Sim. A lei também prevê a suspensão do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) sobre mercadorias destinadas a determinados projetos beneficiados.

A renúncia associada a esse dispositivo poderá chegar a R$ 200 milhões por ano, de acordo com as condições previstas na legislação.

A redução desses custos procura tornar projetos industriais mais competitivos, especialmente aqueles que dependem da importação de equipamentos e insumos.

O que mudou para os gastos de Defesa?

Outro dispositivo permite retirar da meta de resultado primário e do limite de despesas do arcabouço fiscal até R$ 2,5 bilhões adicionais para projetos estratégicos de Defesa em 2026.

Na prática, essas despesas poderão receber tratamento excepcional dentro das regras fiscais.

A lei também permite antecipar para 2026 até R$ 3 bilhões de uma destinação de recursos originalmente prevista para 2027.

Essas medidas ampliaram o escopo da legislação para além dos combustíveis.

Por que etanol e fertilizantes entraram no mesmo projeto?

A proposta sofreu alterações durante a tramitação no Congresso. O texto inicialmente concentrado em medidas relacionadas a combustíveis incorporou outros dispositivos econômicos e tributários.

Com isso, a versão final passou a reunir políticas para energia, agricultura, indústria e Defesa.

No caso dos fertilizantes, a medida complementa outras iniciativas aprovadas pelo governo para ampliar crédito e estimular produção nacional.

No etanol, a preocupação está ligada à relação competitiva entre o biocombustível e a gasolina.

A lei resolve o problema dos preços dos combustíveis?

A norma oferece instrumentos para atuação do governo, mas o preço final ao consumidor depende de diversas variáveis.

Entre elas estão:

  • preço internacional do petróleo;
  • câmbio;
  • custos de refino;
  • tributação;
  • margens de distribuição e revenda;
  • logística.

Por isso, uma autorização para reduzir tributos não permite concluir, isoladamente, qual será o valor da gasolina ou do diesel nos postos.

A legislação cria principalmente uma estrutura fiscal para que o governo possa reagir a choques de preços.

O efeito concreto dependerá das reduções efetivamente adotadas e de como as demais variáveis do mercado de combustíveis se comportarem.

A partir de agora, o ponto central será acompanhar quais mecanismos da Lei Complementar 235/2026 serão efetivamente utilizados pelo Executivo e quanto das autorizações previstas para etanol, fertilizantes e Defesa será executado.

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