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Em Lusaca, Brasil e Zâmbia consolidam parceria natural para impulsionar o agronegócio e a transição energética

Fonte: brasil247.com | Data: 28/08/2026 13:39:21

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247 – O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou nesta sexta-feira (28), em Lusaca, a “parceria natural” entre Brasil e Zâmbia, defendendo a ampliação das relações comerciais e o aprofundamento da cooperação bilateral entre os dois países. A declaração foi feita durante a abertura do Brazil-Zambia Business Meeting, evento organizado pela ApexBrasil em conjunto com a Zambia Development Agency (ZDA), a Embaixada do Brasil em Lusaca e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

A Zâmbia vem aprofundando a aproximação com o Brasil em áreas como agronegócio, infraestrutura e desenvolvimento produtivo. Em 2025, ministros zambianos visitaram a ApexBrasil para discutir a atração de empresas brasileiras para o Corredor Econômico de Lobito, importante rota que conecta o Porto do Lobito, em Angola, à província de Katanga, na República Democrática do Congo, e ao Cinturão de Cobre, na Zâmbia. Na ocasião, os ministros também conheceram experiências brasileiras de desenvolvimento e industrialização das cadeias de milho, trigo, mandioca e soja.

O encontro desta sexta-feira também reuniu empresas brasileiras como Embraer, Mutari Cosméticos, Razzo, PMI Foods, Vibra Foods, Tirolez, Valverde Agribusiness, Comil Silos, Instituto Nacional do Plástico (INP), Fiocruz, Cooperacaju, entre outras.

Na abertura do evento, Müller enquadrou a aproximação com a Zâmbia dentro de uma estratégia mais ampla do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o continente africano. “O retorno da cooperação econômica do Brasil com o continente africano é uma prioridade central do projeto do presidente Lula. Historicamente, em todos os seus mandatos, o presidente colocou a África no centro da nossa agenda, no centro da nossa estratégia. E observamos os resultados práticos disso, e o grande salto no nosso comércio, que foi de cerca de 5 bilhões de dólares em 2002 para 28 bilhões de dólares em 2013”, afirmou.

O presidente da ApexBrasil reconheceu um recuo na corrente comercial nos anos seguintes. “Entretanto, não podemos negar que o Brasil perdeu um espaço significativo na última década. Nosso comércio caiu de 28 bilhões de dólares a 11,5 bilhões de dólares em 2020”, afirmou.

Sob a diretriz do presidente Lula de aprofundar a aproximação entre o Brasil e os países africanos, esse cenário vem sendo revertido, ressaltou Müller: “Agora, sob o atual governo estamos promovendo um grande esforço para recuperar. Em 2025, já alcançamos 24 bilhões de dólares em comércio total, um evidente progresso, contudo, ainda abaixo do nosso verdadeiro potencial”.

Por que a África é estratégica

O presidente da ApexBrasil detalhou os fatores que tornam o continente uma região prioritária para o Brasil, destacando as projeções demográficas e a abundância de recursos naturais estratégicos como elementos centrais. “E por que a África é uma prioridade? Por que a África é tão importante para o Brasil e o presidente Lula? Primeiro, temos laços culturais profundos que nos unem, mas também por motivos estratégicos. Os países africanos são essenciais para lidar com os desafios globais. Enquanto o velho mundo enfrenta uma crise demográfica, a África está acesa, com uma população jovem e dinâmica”, declarou.

“Em 2050, a população global alcançará 10 bilhões, e um quarto dela estará na África. O continente já possui 60% de terras agriculturas no mundo – a resposta natural do desafio global da segurança alimentar. A África também possui grandes reservas de minerais críticos, essenciais para a transição energética e também para as transformações industriais”, afirmou.

Retomada da atuação da ApexBrasil no continente

Müller apresentou um balanço das ações desenvolvidas desde 2023, destacando os resultados concretos obtidos no período: “Nesse contexto, a ApexBrasil ajudou a aprofundar nossa cooperação econômica. Desde 2023, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, realizamos oito missões empresariais, esta sendo a oitava, na África, em 20 países, com a participação de mais de 600 empresas. Realizamos 92 iniciativas comerciais na África nesse período, incluindo 53 missões, e nós participamos de 31 feiras comerciais na África, alcançando 700 empresas”.

“Os resultados destes esforços são significativos. Em 2025, mais de 1 mil empresas, apoiadas pela ApexBrasil, exportaram para países africanos. Apenas no último ano, 200 novas empresas começaram a exportar para a África, com o apoio da Apex, e 600 começaram a exportar a um novo destino na África. Apoiamos 30 empresas que exportam para a Zâmbia, e apenas no último ano 14 novas empresas começaram a exportar”, afirmou.

Zâmbia como exemplo do potencial africano

O presidente da ApexBrasil elogiou a trajetória recente da economia zambiana e dirigiu uma mensagem de confiança ao governo do país. “A Zâmbia é um exemplo do potencial africano se tornando realidade. Acompanhamos o positivo caminho econômico do país, marcado por forte crescimento e a redução do desemprego”, afirmou.

“Desejamos um bom mandato ao novo presidente [Hakainde] Hichilema, com a esperança de que neste novo governo possamos expandir e aprofundar nossa parceria. Fechamos 2025 com somente 7,5 milhões de dólares em comércio bilateral, um número que não reflete o tamanho das nossas economias, mas demonstra um enorme espaço que temos para crescer”, afirmou.

De acordo com dados apresentados, a corrente de comércio entre Brasil e Zâmbia em 2025 totalizou aproximadamente US$ 7,5 milhões, com exportações brasileiras de US$ 7,1 milhões, destacando-se máquinas agrícolas e máquinas industriais especializadas. A abertura do mercado zambiano para o café verde brasileiro também ampliou o potencial de diversificação das exportações.

Gráfico: ApexBrasil

Dados: ApexBrasil

Sinergias econômicas

Müller apontou complementaridades entre as duas economias, em especial no setor do agronegócio. “Para tornar esse potencial em realidade, queremos trabalhar juntos. Observamos uma grande sinergia entre nossos países. A Zâmbia busca ampliar a produtividade e modernizar sua agricultura, e o Brasil é o parceiro natural para este salto. Oferecemos máquinas agrícolas, bens de mineração, genética animal e a tecnologia tropical para agricultura, que desenvolvemos no Brasil e pode ser facilmente adaptada para a Zâmbia, uma vez que nossas condições climáticas são muito semelhantes”.

O presidente da ApexBrasil apoiou a transferência de conhecimento e tecnologia para agregar valor à produção local zambiana: “Para agregar valor, estamos preparados para fornecer máquinas especializadas e transferências técnicas. Isto permitirá à Zâmbia a processar seus próprios recursos e aumentar sua capacidade de oferta”.

No setor energético, ele destacou o potencial da cooperação com a Zâmbia para impulsionar a transição para uma matriz energética mais limpa: “Ao mesmo tempo, enfrentando os desafios do setor energético, o Brasil oferece soluções comprovadas em fontes renováveis, ajudando a diversificar a matriz energética zambiana e apoiar as indústrias e áreas rurais. Também vemos sinergia no Corredor de Lobito, um projeto logístico transformador que abre novas fronteiras para o comércio. O comércio não deve ser visto apenas como troca de mercadorias. Quando fortalecemos nossos fluxos comerciais, geramos mais renda na prática, criando empregos de qualidade e promovendo o desenvolvimento produtivo”.

Por fim, Müller anunciou a assinatura de um acordo entre ApexBrasil e ZDA. “Estamos aqui com o objetivo de compartilhar prosperidade e, por isso, a ApexBrasil e a ZDA estão assinando este Memorando de Entendimento. Estamos prontos para aproximar empresas brasileiras e zambianas para gerar bons negócios e ampliar nossa capacidade mútua”.

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