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Bahia escondida: conheça 10 destinos turísticos com cachoeiras, cânions, serras e ilhas que valem a viagem

Fonte: muitainformacao.com.br | Data: 29/08/2026 08:05:40

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Com paisagens que vão da Mata Atlântica à Caatinga, destinos menos conhecidos oferecem aventura, história e gastronomia

Quem pensa em viajar pela Bahia costuma escolher destinos como Chapada Diamantina, Porto Seguro, Morro de São Paulo, Boipeba ou as praias da Linha Verde. Mas o estado vai muito além dos roteiros tradicionais: há cachoeiras escondidas, serras, rios cristalinos, ilhas silenciosas, cidades históricas, cânions, trilhas e experiências gastronômicas espalhadas por diferentes regiões.

Para quem quer fugir de praias lotadas e dos destinos mais conhecidos, a Bahia oferece alternativas que surpreendem pela diversidade. Do Vale do Jiquiriçá ao sertão de Canudos, passando pelo Piemonte da Diamantina, pelo Vale do São Francisco e pelo Cerrado do Oeste, há lugares capazes de entregar aventura, natureza, história e cultura sem repetir os roteiros de sempre.

Vale do Jiquiriçá

Vale do Jiquiriçá, Cachoeira dos Prazeres
Crédito: Reprodução/Prefeitura Municipal de Jiquiriçá

A cerca de 250 km de Salvador, o Vale do Jiquiriçá reúne 20 municípios em uma região marcada por serras, rios, áreas de Mata Atlântica e pequenas cidades do interior. O território é uma alternativa para quem busca ecoturismo sem enfrentar o movimento dos destinos baianos mais conhecidos.

Em Jiquiriçá, a Cachoeira dos Prazeres é um dos principais cartões-postais. A queda d’água passou por um processo de recuperação ambiental e foi transformada em parque ecológico, com áreas de convivência, quiosques e espaço para alimentação.

A viagem também pode incluir Mutuípe, onde o visitante encontra a Casa de Cultura, trilhas em áreas de Mata Atlântica e construções históricas. Já em Santa Inês, o projeto cultural Dino Vale chama atenção pelas réplicas de animais pré-históricos em tamanho real.

A experiência pelo Vale do Jiquiriçá também passa pela gastronomia e pelo artesanato. A região tem tradição na produção de peças de barro, palha, cipó e madeira, enquanto a culinária valoriza ingredientes dos rios, como o pitu, utilizado em pratos típicos e moquecas.

Piemonte da Diamantina

Piemonte da Diamantina, Parque das Macaqueiras
Crédito: Reprodução/Consórcio Piemonte

Se a Chapada Diamantina aparece entre os destinos mais procurados da Bahia, o Piemonte da Diamantina pode ser uma alternativa para quem quer encontrar serras, cachoeiras e trilhas com uma atmosfera menos movimentada. A região reúne nove municípios e tem Jacobina como principal polo econômico e turístico.

A aproximadamente 340 km de Salvador, Jacobina é cercada por serras e pode servir como base para explorar diferentes atrações naturais. O Pico do Jaraguá é uma das opções para quem gosta de trilhas e mirantes, oferecendo uma vista panorâmica da cidade e das formações montanhosas ao redor.

A região também concentra diversas cachoeiras. Entre os destaques estão as cachoeiras dos Noivos, Véu de Noiva e Itaitu, enquanto o distrito de Itaitu se destaca pelo ecoturismo e pelo ambiente mais tranquilo. Em Saúde, as quedas d’água e os poços naturais são alternativas para quem procura banho de rio e contato com a natureza.

Em Miguel Calmon, o Parque Estadual reúne áreas de preservação, vales, florestas de encosta e cachoeiras. Já em Ourolândia, o Poço Verde combina águas claras e formações rochosas. O território também guarda marcas do ciclo do ouro, que diferencia sua história da tradição diamantina associada a outros municípios da Chapada.

Caminhos do Sudoeste

Caminhos do Sudoeste, Barra do Choça, Rota dos Cafés Especiais do Planalto da Conquista
Crédito: Reprodução/Instagram:@bacelarmauricio

A região dos Caminhos do Sudoeste mostra uma Bahia diferente da imagem associada ao calor e às praias. Com áreas de altitude, clima mais ameno, cafezais e cachoeiras, o território reúne municípios como Vitória da Conquista, Jequié, Iguaí e Boa Nova.

Vitória da Conquista, a cerca de 520 km de Salvador, funciona como uma das principais portas de entrada. A cidade está em uma área de altitude elevada e ganhou fama pelo clima frio durante o inverno, além da produção de cafés especiais no Planalto da Conquista.

Em Iguaí, o visitante encontra um dos grandes tesouros naturais da região. Conhecido pelo volume de recursos hídricos, o município possui mais de uma centena de cachoeiras catalogadas e opções para trekking, rapel, boia-cross e outros esportes de aventura.

O turismo também pode seguir pela Rota dos Cafés Especiais do Planalto da Conquista, que reúne propriedades produtoras e permite conhecer etapas como cultivo, colheita, torrefação e degustação. Em Boa Nova, o destaque é o birdwatching, favorecido pela transição entre Mata Atlântica e Caatinga e pela presença de espécies raras.

A experiência ainda passa pela gastronomia regional, com itens como biscoito de avoador, chimango e carne de sol com mandioca. Durante o período junino, Ibicuí acrescenta outro elemento ao roteiro, com festas tradicionais que preservam a cultura do forró de interior.

Costa do Dendê

Costa do Dendê, Praia de Pratigi, Ituberá
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Ituberá

A Costa do Dendê costuma ser imediatamente associada a Morro de São Paulo e Boipeba, mas o território guarda uma face menos conhecida. Para quem quer fugir do circuito das praias mais famosas, o segredo está em explorar cachoeiras, rios, manguezais, cidades históricas e áreas da Mata Atlântica.

Em Ituberá, a Cachoeira da Pancada Grande é um dos principais exemplos. Com uma queda de mais de 40 metros, o atrativo está cercado pela vegetação e pode ser observado a partir de um mirante acessado por uma longa escadaria.

Ainda na região, a Praia do Pratigi oferece uma experiência diferente das praias mais disputadas do Baixo Sul. O extenso trecho de areia cercado por coqueiros também ficou conhecido por receber grandes eventos ligados à música e à cultura alternativa.

Na região de Maraú, o visitante pode deixar de lado as piscinas naturais mais famosas da península e explorar a área interna da Baía de Camamu. Passeios de barco levam a áreas de rios, manguezais e cachoeiras que formam uma paisagem marcada pelo encontro entre água doce, Mata Atlântica e mar.

Jaguaripe e Taperoá completam o roteiro com cidades de ritmo mais lento e forte presença da cultura ribeirinha. A gastronomia valoriza pescados, mariscos, pitu, siri e caranguejo, enquanto comunidades tradicionais preservam técnicas de pesca, mariscagem e produção de derivados do dendê.

Caminhos do Sertão

Caminhos do Sertão, Tucano, Águas Termais
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Tucano

Para quem quer se afastar completamente do roteiro de praias, os Caminhos do Sertão apresentam uma Bahia marcada pela literatura, pela religiosidade, pela história e pela paisagem da Caatinga. A região se estende de áreas próximas a Feira de Santana até municípios do sertão profundo, incluindo Canudos e Monte Santo.

Em Canudos, a história da Guerra de Canudos ganha dimensão de turismo cultural. O Parque Estadual de Canudos preserva áreas relacionadas ao conflito de 1897, enquanto o Mirante do Conselheiro proporciona uma vista do Açude de Cocorobó e da paisagem onde existiu o antigo arraial de Antônio Conselheiro.

Monte Santo apresenta uma das experiências religiosas mais marcantes do interior baiano. O Santuário de Monte Santo ocupa a serra e é acessado por um caminho de pedras de quase quatro quilômetros, acompanhado por capelas que representam as estações da Via Sacra.

Outra possibilidade está nas águas termais. Cipó é conhecida por suas fontes de águas minerais e por construções históricas, enquanto Caldas do Jorro, em Tucano, atrai visitantes pelas águas quentes que chegam a temperaturas próximas de 48°C.

A viagem pelo sertão também permite conhecer manifestações da cultura popular e uma gastronomia marcada pela carne de sol, bode assado, carneiro na brasa, feijão de corda, umbu e licuri. É uma experiência para quem quer trocar a paisagem do litoral pela imersão na história e na cultura do interior baiano.

Baía de Todos-os-Santos

Baía de Todos-os-Santos, São Félix, Rio Paraguaçu
Crédito: Reprodução/Wikipédia

Mesmo cercando Salvador, a Baía de Todos-os-Santos ainda guarda lugares que parecem distantes da capital. A maior baía tropical do mundo reúne 56 ilhas e 18 municípios, criando possibilidades de turismo náutico, histórico, cultural e gastronômico longe das áreas mais movimentadas.

Na Ilha dos Frades, a Praia de Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe combina águas transparentes com uma paisagem preservada e uma pequena igreja no alto da região. Já o vilarejo de Loreto chama atenção pela Igreja de Nossa Senhora do Loreto, construída à beira-mar.

A Ilha de Maré oferece outro ritmo. A comunidade de rendeiras de bilro e praias como a Praia das Neves preservam características da Bahia tradicional. Em Bom Jesus dos Passos, a ausência de carros e as ruas estreitas e floridas ajudam a criar uma atmosfera ainda mais tranquila.

No continente, Bom Jesus dos Pobres, em Saubara, ganha destaque quando a maré baixa e revela extensos bancos de areia. Já Cachoeira e São Félix, às margens do Rio Paraguaçu, permitem combinar arquitetura histórica, manifestações religiosas, cultura popular e gastronomia.

Os sabores também fazem parte da experiência. Mariscos, sururu, ostras, siri e pescados aparecem em receitas tradicionais, enquanto o contato com pescadores, marisqueiras e artesãos ajuda a conhecer uma dimensão da Bahia que vai muito além dos cartões-postais mais conhecidos.

Vale do São Francisco

Vale do São Francisco, Juazeiro
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Juazeiro

O Vale do São Francisco é uma das regiões que mais quebram estereótipos sobre a Bahia. No semiárido, a irrigação transformou a paisagem e criou um dos principais polos de produção de frutas e vinhos do país.

Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, funcionam como os principais centros da região e são conectadas por uma ponte sobre o Rio São Francisco. A partir dali, o visitante pode conhecer vinícolas, parreirais, ilhas fluviais e paisagens completamente diferentes das encontradas no litoral.

Uma das experiências mais conhecidas é o passeio Vapor do Vinho, que combina navegação pelo Lago de Sobradinho, gastronomia, música e parada para banho. O roteiro ainda pode incluir visita a vinícolas e degustações de produtos elaborados na região.

Em Casa Nova, a Vinícola Terra Nova, do Grupo Miolo, permite conhecer os parreirais irrigados com águas do São Francisco e acompanhar parte da produção de vinhos e espumantes. O clima possibilita ciclos de produção diferentes daqueles encontrados nas regiões tradicionais de viticultura do país.

A gastronomia regional completa o passeio com carne de bode, carne de sol e peixes de água doce. A combinação entre pratos sertanejos e vinhos produzidos no próprio território ajuda a criar uma das experiências turísticas mais particulares do interior baiano.

Caminhos do Oeste

Caminhos do Oeste, São Desidério, Mirante da Lagoa Azul
Crédito: Divulgação/Prefeitura de São Desidério

No extremo oeste da Bahia, o Caminhos do Oeste revela um cenário que contrasta com a imagem mais conhecida da região, associada ao agronegócio. O território reúne áreas do Cerrado, rios, cachoeiras, cavernas e formações rochosas que criam um dos roteiros de natureza mais diferentes do estado.

Barreiras e São Desidério são os principais pontos de apoio para conhecer a região. A cerca de 850 km de Salvador, o destino pode ser acessado por estrada pela BR-242 ou por avião, com chegada ao Aeroporto de Barreiras.

Em Barreiras, as cachoeiras do Acaba Vida e do Redondo estão entre os principais atrativos. A primeira possui uma queda de aproximadamente 36 metros, enquanto a segunda apresenta uma piscina natural cercada pela vegetação.

Em São Desidério, a Lagoa Azul impressiona pelas águas claras e pelos paredões rochosos. A Gruta do Catão acrescenta uma experiência de aventura ao roteiro, com formações subterrâneas esculpidas pela ação da água.

A região também guarda vestígios da ocupação humana pré-histórica. Sítios arqueológicos com pinturas rupestres ampliam o passeio para além do ecoturismo e mostram que o Cerrado baiano também preserva registros de milhares de anos.

Lagos do São Francisco

Lagos do São Francisco, Cachoeira de Paulo Afonso
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Paulo Afonso

No norte da Bahia, os Lagos do São Francisco formam uma paisagem em que a Caatinga encontra grandes extensões de água. O principal polo é Paulo Afonso, cidade marcada pelo Rio São Francisco, pelos cânions e pela história da geração de energia no Nordeste.

O Cânion do Rio São Francisco pode ser explorado em passeios de barco, que percorrem trechos cercados por paredões rochosos. As águas profundas e as formações da Caatinga criam um cenário que parece distante dos roteiros turísticos mais tradicionais da Bahia.

A história da energia também está presente no território. A Usina Hidrelétrica Angiquinho, construída em 1913 por Delmiro Gouveia, é um dos marcos da industrialização nordestina. A região também guarda referências à antiga Cachoeira de Paulo Afonso e ao complexo hidrelétrico que transformou a paisagem local.

Para quem prefere terra firme, a Serra do Umbuzeiro oferece trilhas, formações rochosas, cavernas e pontos de observação. Já o roteiro relacionado ao cangaço pode levar visitantes às áreas do Raso da Catarina, território associado à passagem de Lampião e Maria Bonita.

Em Glória, o São Francisco aparece sob uma perspectiva mais tranquila. As águas represadas formam áreas de lazer de água doce que podem ser uma alternativa para famílias que querem descansar longe do movimento das praias. Na mesa, aparecem tilápia, carne de bode, baião de dois e preparos com umbu.

Costa dos Coqueiros Continental

Costa dos Coqueiros Continental, Mata de São João, Reserva Ecológica do Sapiranga
Crédito: Reprodução/Ufba

A Costa dos Coqueiros Continental mostra que até mesmo o Litoral Norte pode ser explorado sem necessariamente passar o dia na praia. Logo depois da Linha Verde, o cenário muda e aparecem áreas rurais, rios, trilhas, Mata Atlântica e comunidades que vivem em um ritmo diferente do circuito turístico mais conhecido.

Um dos destaques é a Reserva Ecológica Sapiranga, em Mata de São João. Localizada próxima a Praia do Forte, a reserva reúne trilhas que podem ser percorridas a pé, de bicicleta ou em veículos apropriados, levando o visitante para dentro de uma área de Mata Atlântica.

As trilhas também conduzem ao Rio Pojuca, onde é possível realizar atividades como passeio de caiaque e aproveitar trechos de água doce cercados por vegetação. A experiência contrasta diretamente com o movimento das áreas comerciais e das praias próximas.

Em Entre Rios, o curso do Rio Subaúma revela cachoeiras e poços naturais escondidos em áreas rurais. O acesso por estradas vicinais leva a lugares onde o silêncio e a vegetação predominam, criando uma experiência de contato com a natureza sem a estrutura típica dos grandes destinos turísticos.

Mais ao norte, Esplanada guarda áreas ligadas ao Rio Inhambupe, com possibilidades de passeios de barco e experiências de turismo de base comunitária. A culinária acompanha o cenário rural, com galinha caipira, carne de sol, macaxeira, doces de frutas tropicais e cocadas artesanais.

No fim das contas, a Bahia escondida não está necessariamente distante dos grandes cartões-postais. Ela pode estar atrás de uma serra, depois de uma estrada de terra, em uma ilha sem carros, às margens de um rio ou dentro de uma pequena cidade histórica. Para quem aceita sair do roteiro mais conhecido, o estado oferece uma coleção de destinos capazes de transformar a viagem em uma experiência de descoberta.

Iago Bacelar

Iago Bacelar

Formado em Jornalismo pela UniFTC, com cerca de 2 anos de experiência em veículos online e 1 ano em assessoria de imprensa. Apaixonado por cultura, entretenimento e iniciando na política.