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RN em Foco: potenciais econômicos abrem espaço para o RN crescer

Fonte: tribunadonorte.com.br | Data: 29/08/2026 17:04:33

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Redação Tribuna do Norte




17h00

A interiorização do turismo pode aumentar não apenas o fluxo de visitantes, mas fortalecer rotas e ajudar a desenvolver o turismo religioso. Santa Cruz é uma das áreas promissoras| Foto: Divulgação/Emprotur

O Rio Grande do Norte chega ao próximo ciclo de governo com ativos capazes de sustentar uma nova etapa de crescimento. Energia renovável, turismo, petróleo, mineração, economia do mar e uma base diversificada de comércio e serviços abrem caminhos para ampliar emprego e renda. Converter esse potencial em resultados dependerá de planejamento, ambiente de negócios e diálogo com o setor produtivo.

É essa perspectiva que orienta o RN em Foco 2027-2030, elaborado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio RN). O estudo reúne diagnóstico técnico e a escuta de 1.617 empresários em 20 cidades. Entre 17 e 19 de agosto, o documento foi entregue a Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL) e Cadu de Lula (PT), os três candidatos ao Governo mais citados nas pesquisas de intenção de voto.

Marcelo Queiroz destacou as prioridades para o desenvolvimento| Foto: Divulgação/Fecomercio tn

A percepção dos empreendedores do Comércio, dos Serviços e do Turismo tem peso relevante nesse debate. Juntos, esses segmentos respondem por 38,3% do PIB estadual e 60,9% da economia privada, com 388,9 mil empregos formais e R$ 13 bilhões em massa salarial anual.

A partir dos levantamentos, a agenda organiza propostas sobre equilíbrio fiscal, desburocratização, ambiente de negócios, parcerias público-privadas, infraestrutura, logística, mobilidade, segurança pública, vetores de crescimento, revitalização de áreas comerciais, qualificação profissional e turismo. O objetivo é combinar responsabilidade na gestão pública com melhores condições para empreender, investir e gerar empregos.

Entre os ativos destacados está a energia renovável. O RN possui usinas com capacidade instalada de 13,2 gigawatts e projetos já autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que, se implantados, poderão acrescentar outros 8,9 gigawatts à geração no estado.

“A energia renovável pode atrair indústrias eletrointensivas, projetos de hidrogênio verde e centros de dados. Mineração, petróleo e comércio exterior podem avançar com licenciamento previsível, infraestrutura e qualificação”, avalia o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz.

A infraestrutura que conecta essas vocações é outro ponto da agenda. A Pesquisa CNT de Rodovias de 2025 avaliou 1.883 quilômetros e estimou em R$ 2,2 bilhões os investimentos necessários. Entre as recomendações estão recuperar estradas estaduais, apoiar concessões das BRs 304, 406 e 101 Norte, expandir portos e integrar áreas produtivas, aeroportos e destinos turísticos.

Candidato pelo União Brasil, Allyson Bezerra e o vice Hermano Morais| Foto: Canindé Soares

Para viabilizar esse movimento, o RN em Foco recomenda que o poder público recomponha gradualmente sua capacidade de investimento. Planejamento fiscal plurianual, controle integrado, regularização de passivos e recuperação de receitas não tributárias aparecem como instrumentos para abrir espaço a políticas de desenvolvimento.

A participação privada complementaria a estratégia. A agenda propõe um escritório permanente de parcerias público-privadas, um banco de projetos e garantias para concessões em saneamento, rodovias, mobilidade, resíduos e equipamentos turísticos. Licenças digitais, prazos definidos e regras previsíveis completam o conjunto.

Candidato pelo Partido Liberal e ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias| Foto: Canindé Soares

Além de indicadores públicos, o estudo incorpora a percepção empresarial como ligação entre o diagnóstico e as propostas. As respostas ajudam a ordenar prioridades e a transformar questões relacionadas à segurança, ao ambiente de negócios e à infraestrutura em medidas que possam ser acompanhadas ao longo do mandato.

Queiroz ressalta que a Federação apresentou a mesma agenda aos candidatos para ouvir suas visões e ampliar o diálogo institucional, técnico e apartidário. “O nosso objetivo é ajudar o Rio Grande do Norte a transformar potencial em desenvolvimento, com mais segurança, competitividade, emprego e oportunidades”, afirma.

Candidato pelo PT, Cadu de Lula, e sua vice Larissa Rosado| Foto: Canindé Soares

Com coordenação entre governo, empresas e instituições de formação, a proposta é converter as vocações potiguares em crescimento mais produtivo e abrangente. O desafio para o próximo governo será transformar as prioridades identificadas em metas, projetos e resultados capazes de chegar às diferentes regiões do estado.

Segurança, emprego e ambiente de negócios são prioridades

A pesquisa que integra o RN em Foco ouviu 1.617 empresários entre 1º e 5 de junho, em 20 cidades das quatro mesorregiões. Formada principalmente por pequenos negócios e empresas do varejo, a amostra reflete uma parcela representativa da estrutura empresarial potiguar.

Os resultados revelam uma agenda que começa pela segurança, mas se estende às condições para produzir e investir. A segurança pública foi apontada por 61,4% como prioridade para o próximo governo, à frente da economia. Nesse campo, predominam a geração de empregos e o apoio aos pequenos negócios.

A percepção sobre os desafios ao crescimento reforça a busca por um ambiente mais simples e previsível. A tributação aparece como a principal dificuldade, e quase oito em cada dez participantes consideram a redução de impostos a medida de maior apoio ao comércio formal. Menos burocracia e estabilidade nas regras também influenciam as decisões de investimento.

No cotidiano das empresas, rodovias, videomonitoramento e saneamento concentram as demandas de infraestrutura. A reorganização do Alecrim também ganhou destaque: quase três em cada quatro entrevistados consideram a medida uma prioridade alta ou média, associando o fortalecimento das áreas comerciais a ordenamento, segurança, acessibilidade e circulação.

A pesquisa mostra ainda que preservação ambiental e atividade econômica não são vistas como agendas opostas. Ao analisar as candidaturas, os empresários observam principalmente a consistência do plano econômico, o compromisso com o setor produtivo e a capacidade de execução. O conjunto aponta para uma expectativa de propostas viáveis, regras estáveis e resultados acompanháveis.

Conectividade e interiorização são necessidades para o turismo

A receita turística do Rio Grande do Norte voltou a crescer em 2026. Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, o estado ocupava o quinto lugar no país e o primeiro no Nordeste na expansão da receita do segmento. Manter esse avanço depende de conectividade e planejamento contínuo.

A agenda propõe ampliar a malha aérea e melhorar os acessos. Mossoró recebe atenção especial: o aeroporto alcançou 52,2 mil passageiros em 2024, mas perdeu operações regulares. A recomendação é sustentar rotas regionais e aproximar o Oeste potiguar das capitais nordestinas.

Para interiorizar o fluxo, o documento recomenda consolidar a Rota dos Ventos, entre Maxaranguape, São Miguel do Gostoso, Galinhos e Macau, além de desenvolver produtos esportivos, culturais, religiosos, históricos, gastronômicos e de natureza.

As propostas incluem ainda a requalificação da Via Costeira e do acesso à Pipa, parcerias para equipamentos turísticos, promoção permanente, segurança, licenciamento mais ágil e qualificação. As diretrizes foram construídas com representantes do trade a partir de reuniões da Câmara Empresarial do Turismo da Federação e durante a oficina Vai Turismo, iniciativa da CNC.

Para George Costa, coordenador da CET, “o turismo depende diretamente de planejamento, integração e visão de futuro. É importante que o trade construa, de forma conjunta, propostas alinhadas às necessidades reais do setor.”

Marcelo Queiroz destaca que o turismo impacta diretamente 70 atividades econômicas e representa 8% do PIB estadual. “É preciso que o segmento seja tratado como uma política de Estado, com governança entre poder público, entidades e empresas”, afirma.

Formação técnica pode ampliar oportunidades

A expansão da educação profissional aparece como um dos caminhos para aproximar as vocações econômicas do Rio Grande do Norte de uma ampla reserva de talentos. Segundo o RN em Foco, 162 mil jovens de 15 a 29 anos não estudam nem trabalham, enquanto comércio, turismo, logística, tecnologia e energias renováveis demandam profissionais qualificados.

Em 2024, o estado registrou 12.986 matrículas no ensino técnico e precisa alcançar 29.458, conforme meta estabelecida pelo Ministério da Educação. A diferença corresponde a 16.472 matrículas, o que exigirá uma expansão de 127% sobre o patamar atual.

A importância do tema também aparece na escuta empresarial. A educação profissional foi apontada por 26,7% dos participantes como prioridade para o próximo governo, enquanto a qualificação da mão de obra está entre as principais medidas sugeridas para fortalecer o comércio formal.

Entre as propostas estão ensino médio integrado à formação técnica, cursos de reinserção profissional de 200 a 400 horas, ampliação dos programas de aprendizagem e capacitações ligadas às vocações econômicas potiguares.

A agenda sugere ainda uma parceria entre o Governo do Estado e o Sistema S. Instituições como o Senac já possuem unidades credenciadas, cursos autorizados, estrutura e metodologia que podem ser aproveitadas inclusive nas escolas estaduais. A articulação permitiria ampliar a oferta com mais rapidez, aproximar a formação das necessidades das empresas e criar novas oportunidades para os jovens no mercado de trabalho.

Acesse o documento RN em Foco na íntegra

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