Lula e Marina contestam negacionismo ambiental de Flávio Bolsonaro e apontam risco de desmonte total
Fonte: brasil247.com | Data: 31/08/2026 05:18:25
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, hoje candidata ao Senado por São Paulo, reagiram ao discurso negacionista de Flávio Bolsonaro sobre as mudanças climáticas e alertaram para os riscos de um novo e ainda mais profundo desmonte da política ambiental brasileira. Durante sabatina na TV Globo, o candidato afirmou que os eventos climáticos observados atualmente decorreriam de ciclos naturais, minimizando a influência da atividade humana sobre o aquecimento global e contrariando o consenso científico internacional.
A declaração de Flávio Bolsonaro reacendeu a memória do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, período marcado pelo avanço do desmatamento, pelo enfraquecimento dos órgãos de proteção ambiental e pelo isolamento internacional do Brasil nas discussões sobre o clima. Um dos símbolos daquela política foi a declaração do então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que, durante reunião ministerial em abril de 2020, defendeu aproveitar a atenção da imprensa concentrada na pandemia para “passar a boiada” e flexibilizar normas ambientais.
Lula denuncia “amadorismo irresponsável”
Lula classificou a posição de Flávio Bolsonaro como “amadorismo irresponsável” e argumentou que negar a emergência climática revela falta de preparo para governar um país com as dimensões e a diversidade ambiental do Brasil.
Para o presidente, a questão climática deixou há muito tempo de ser um debate exclusivamente ambiental. Seus efeitos alcançam a agricultura, a infraestrutura, a geração de energia, a segurança alimentar, as cidades, a economia e a vida cotidiana da população, especialmente dos brasileiros mais pobres e vulneráveis aos eventos extremos.
Lula contrapôs o negacionismo do adversário às medidas adotadas por seu governo. Entre elas, destacou a criação da Sala de Situação para acompanhamento dos riscos climáticos, os R$ 18,6 bilhões em investimentos previstos pelo Novo PAC, a modernização do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o reforço das ações de prevenção e combate aos incêndios com recursos do Fundo Amazônia.
Governo Lula aponta recuperação ambiental
O presidente também ressaltou os resultados obtidos com a reconstrução das políticas de fiscalização e proteção ambiental desde 2023. Segundo os dados apresentados pelo governo, o desmatamento caiu 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal.
A redução ocorreu paralelamente ao fortalecimento de instituições como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que haviam sofrido um processo de enfraquecimento durante a administração anterior.
Para o governo, esses resultados demonstram a diferença entre duas concepções de Estado: uma baseada em fiscalização, prevenção, ciência e planejamento e outra que minimiza os riscos ambientais e questiona as próprias evidências científicas sobre a mudança do clima.
Marina alerta para ameaça à ciência e à economia
Marina Silva também contestou diretamente Flávio Bolsonaro. Segundo a ministra, o candidato “não entendeu e nem quer entender o problema”, apesar das evidências acumuladas pela ciência e da sucessão de eventos climáticos extremos registrados no Brasil e em diferentes regiões do planeta.
Marina argumenta que o negacionismo não constitui apenas uma opinião sobre o meio ambiente. Quando transformado em política de Estado, pode representar uma ameaça à capacidade do País de prevenir desastres, proteger sua população, planejar investimentos e preservar suas vantagens econômicas e ambientais.
A ministra também advertiu para os efeitos sobre os negócios e a estabilidade social. Secas prolongadas, enchentes, incêndios florestais e ondas de calor atingem diretamente a agricultura, a infraestrutura, as cadeias produtivas, o setor de seguros e as contas públicas. Para Marina, negar essa realidade significa também colocar em risco a verdade científica, a responsabilidade pública e a própria paz social.
Brasil voltou ao centro do debate climático
Lula também contrapôs o discurso de Flávio Bolsonaro à recuperação do protagonismo internacional do Brasil na agenda ambiental. Depois do isolamento registrado durante o governo de Jair Bolsonaro, o País voltou a ocupar posição central nas negociações climáticas internacionais e sediou a COP30, em Belém, no Pará.
A estratégia defendida pelo governo Lula busca associar preservação ambiental a desenvolvimento econômico, transição energética, reindustrialização, inovação tecnológica, agricultura sustentável e geração de empregos. A biodiversidade brasileira e a matriz energética relativamente limpa são apresentadas como ativos estratégicos para o desenvolvimento nacional nas próximas décadas.
Negacionismo reacende temor de novo desmonte
A posição manifestada por Flávio Bolsonaro durante a sabatina amplia a preocupação de ambientalistas e integrantes do governo com a possibilidade de retorno das políticas adotadas durante a gestão de seu pai. A avaliação é que, se o negacionismo climático for convertido novamente em orientação governamental, o Brasil poderá enfrentar um desmonte ainda mais abrangente de sua estrutura de proteção ambiental.
A controvérsia coloca a política ambiental no centro da disputa presidencial de 2026. Lula e Marina defendem que enfrentar as mudanças climáticas exige ciência, planejamento, fiscalização e investimento público. Flávio Bolsonaro, ao atribuir os fenômenos atuais essencialmente a ciclos naturais, aproxima-se do discurso que marcou a gestão de Jair Bolsonaro.
Para Lula e Marina, o que está em jogo não é apenas a preservação das florestas. É a capacidade do Estado brasileiro de proteger vidas, defender sua economia, preservar seus recursos naturais e preparar o País para uma crise climática cujos efeitos já fazem parte da realidade brasileira.
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