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Data centers da Pahlavan perdem disputa para reservar espaço na rede

Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 31/08/2026 16:25:10

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negou pedido de medida cautelar das empresas Pahlavan Ventures One, Pahlavan Ventures Two e Pahlavan Ventures Three para manter três projetos de data centers na fila de acesso à rede básica até que surgisse capacidade para ampliar o consumo dos empreendimentos.

Os três empreendimentos integram o Complexo Pahlavan, em Paulínia, São Paulo, com conexão compartilhada no barramento de 440 kV da subestação Replan. As empresas pretendem elevar, a partir de 2029, o Must de cada unidade de 71 MW para 157 MW.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no entanto, concluiu pela inviabilidade técnica dos incrementos. Os estudos apontaram problemas de carregamento na transmissão, especialmente uma sobrecarga na linha Fernão Dias–Bom Jardim, em 440 kV, em caso de contingência da linha Fernão Dias–REC Bandeirantes. Segundo a análise, nem as obras futuras consideradas seriam suficientes para eliminar a restrição no horizonte avaliado.

Diante do resultado, a Pahlavan pediu à Aneel que determinasse a reabertura das análises e preservasse sua posição na fila até o surgimento de capacidade para atender à expansão dos projetos. Também buscou precedência sobre outras solicitações e o afastamento das Temporadas de Acesso e de eventuais processos competitivos previstos na Pnast.

A diretoria da Aneel negou a cautelar por meio do despacho nº 3.319/2026. A análise de mérito da área técnica também concluiu que não há fundamento para assegurar aos projetos prioridade sobre uma capacidade futura que hoje não está disponível.

“O que já foi contratado deve ser preservado; o que ainda não foi contratado deve submeter-se ao regime vigente”, resumiu a área técnica.

Segundo a área técnica, manter os pedidos indefinidamente na fila até o aparecimento de nova margem produziria, na prática, uma reserva individual de capacidade. A medida colocaria os projetos em posição mais vantajosa do que os interessados submetidos às Temporadas de Acesso, que precisam disputar a capacidade disponível quando a demanda supera a oferta.

ONS aponta restrição para data center

As solicitações para aumentar o Must dos três data centers foram apresentadas ao ONS em 1º de janeiro de 2026. Em abril, o operador emitiu os pareceres revisados e concluiu que não seria possível atender aos incrementos pretendidos.

Além da sobrecarga identificada na linha Fernão Dias–Bom Jardim, os estudos apontaram que a restrição permaneceria mesmo considerando obras futuras. Segundo a análise, não havia, até a emissão dos pareceres, obras estruturantes licitadas ou publicadas no Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (Potee) suficientes para solucionar o problema.

A Pahlavan argumentou que o resultado desfavorável estaria relacionado, em grande medida, à inclusão nos estudos do ONS de cargas de outros projetos encaminhados pelo MME no âmbito das regras de transição da Pnast. Para a empresa, esses empreendimentos estariam em estágio menos avançado e não deveriam prejudicar a continuidade dos data centers do complexo.

A área técnica da Aneel, no entanto, afirmou que não foi demonstrado que essas cargas tenham sido responsáveis pela inviabilidade dos incrementos. Segundo a análise, os estudos consideraram também empreendimentos com contratos de uso celebrados, pareceres de acesso vigentes, solicitações anteriores e a configuração futura da transmissão.

Além disso, a Pahlavan não apresentou estudo que demonstrasse erro de modelagem, inadequação dos cenários ou outra falha técnica nos pareceres do ONS que justificasse sua revisão, segundo a área técnica.

Aneel rejeita reserva de espaço futuro

Outro da disputa trata da tentativa da Pahlavan de manter seus pedidos ativos até que apareça capacidade suficiente para os aumentos de carga.

A empresa defendeu que os incrementos seriam uma continuidade dos data centers já implantados e citou a maturidade técnica e econômica dos empreendimentos, os investimentos realizados e os contratos e autorizações já obtidos.

Para a área técnica, porém, a implantação escalonada dos projetos não garante capacidade para etapas futuras. Cada aumento relevante de Must representa uma nova utilização da rede e depende de disponibilidade sistêmica, análise técnica e contratação específica.

A avaliação é que manter os pedidos indefinidamente ativos e com precedência para ocupar a primeira margem que surgisse equivaleria, na prática, à criação de uma reserva individual de capacidade futura.

A medida também colocaria a Pahlavan em posição mais vantajosa do que outros interessados sujeitos às Temporadas de Acesso, que precisam registrar suas demandas e, quando a procura superar a capacidade disponível, participar dos mecanismos competitivos previstos pelas novas regras.

Segundo a área técnica, a Pnast busca justamente impedir que capacidade escassa seja apropriada por solicitações mantidas indefinidamente em carteira, sem análise conjunta das demais demandas.