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Candidata no Pará promete lutar por Mounjaro gratuito no SUS e proposta agita as redes

Fonte: diariodopara.com.br | Data: 01/09/2026 13:42:00

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A candidata a deputada federal pelo Pará Lena Pinto (União Brasil) colocou o Mounjaro no centro de uma de suas propostas para as eleições de 2026. Em publicação divulgada nas redes sociais e em sua propaganda eleitoral, ela defende que o medicamento à base de tirzepatida seja disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade e afirma que, se eleita, pretende levar a discussão ao Congresso Nacional. A proposta rapidamente provocou repercussão nas redes, dividindo opiniões sobre acesso ao tratamento, custo para os cofres públicos e prioridades da saúde.

Lena Pinto afirma que milhões de brasileiros convivem com a obesidade e usa como referência experiências internacionais de acesso a medicamentos para tratamento da doença. “O Brasil pode e deve seguir esse êxito”, declarou a candidata ao defender a criação de recursos públicos para ampliar o acesso à medicação.

Apesar da repercussão, a proposta apresentada na propaganda ainda não detalha quanto custaria o eventual programa, de onde sairia o dinheiro, quais pacientes teriam prioridade ou quais seriam os critérios clínicos para receber o medicamento. O jornal O Liberal também chamou atenção para a ausência, até agora, de detalhamento sobre a fonte dos recursos.

Proposta movimenta as redes sociais

A publicação colocou em debate um medicamento que se tornou um dos mais procurados do mercado brasileiro. Parte da repercussão gira em torno da possibilidade de pessoas sem condições financeiras terem acesso ao tratamento, enquanto outras manifestações questionam a viabilidade econômica de bancar uma terapia de alto custo com recursos públicos.

Os comentários específicos do post do Instagram, porém, não puderam ser recuperados integralmente pela consulta pública, já que a plataforma restringiu o acesso externo à publicação. Por isso, não é possível atribuir aos seguidores frases ou percentuais de aprovação e rejeição sem acesso verificável aos comentários.

O que está confirmado é que a proposta ultrapassou o perfil da candidata e passou a repercutir em veículos paraenses, que destacaram justamente a promessa de defender a distribuição gratuita e a falta de informações sobre seu financiamento.

Quem é Lena Pinto, candidata pelo Pará

Lena Ribeiro Pinto de Oliveira, nome completo da candidata, tem 61 anos, nasceu em Belém e declarou como ocupação a de servidora pública estadual. Ela disputa uma cadeira de deputada federal pelo União Brasil, integrante da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

Lena já disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2022, quando estava filiada ao PSDB, mas não foi eleita. Em 2026, voltou à disputa eleitoral pelo União Brasil. Na consulta realizada aos dados eleitorais, seu pedido de registro ainda aparecia aguardando julgamento.

Mounjaro aprovado para obesidade no Brasil

A proposta eleitoral ocorre pouco mais de um ano depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliar oficialmente a indicação do Mounjaro no Brasil.

Em junho de 2025, a agência autorizou o medicamento, em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, para controle crônico do peso em adultos com IMC igual ou superior a 30, caracterizando obesidade, ou a partir de 27 quando houver pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso.

O princípio ativo do Mounjaro é a tirzepatida, substância que atua sobre receptores dos hormônios GIP e GLP-1, envolvidos, entre outros mecanismos, no controle glicêmico e na saciedade. O medicamento também possui indicação para diabetes tipo 2.

Isso não significa, entretanto, que qualquer pessoa que queira emagrecer tenha indicação para utilizar a medicação. O tratamento depende de avaliação e prescrição médica, considerando indicação clínica, contraindicações e acompanhamento do paciente.

Medicamento ainda não integra o SUS

O principal obstáculo à promessa de Lena Pinto está justamente na incorporação do medicamento à rede pública. Atualmente, a tirzepatida não integra a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) e não está incorporada nacionalmente ao SUS para tratamento da obesidade.

A rede pública possui linhas de cuidado para obesidade, envolvendo acompanhamento multidisciplinar e, nos casos que atendam aos critérios médicos estabelecidos, tratamento cirúrgico.

Portanto, uma eventual chegada do Mounjaro ao SUS em escala nacional não dependeria simplesmente da decisão de um deputado federal. A incorporação de tecnologias e medicamentos ao sistema público envolve avaliação técnica e econômica, definição de critérios clínicos e decisões do Ministério da Saúde, além da necessidade de financiamento.

Custo do Mounjaro é um dos desafios

O preço ajuda a explicar por que a discussão sobre acesso ganhou força. O tratamento regular pode representar uma despesa elevada para uma família, sobretudo porque a terapia pode exigir acompanhamento prolongado.

Em agosto, o endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial de Obesidade, defendeu que o Brasil discuta com as farmacêuticas mecanismos para reduzir os preços das chamadas canetas emagrecedoras e ampliar futuramente o acesso pelo SUS. O especialista ressalvou que oferecer apenas o medicamento não resolveria o problema: seriam necessários acompanhamento médico, nutricional e, conforme o caso, psicológico, além da avaliação dos efeitos e resultados do tratamento.

A discussão ganha ainda mais peso diante do crescimento da obesidade. Dados citados nas novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes mostram que a prevalência da doença nas capitais brasileiras cresceu 118% entre 2006 e 2024.

Debate sobre Mounjaro já chegou ao Congresso

Embora Lena Pinto apresente a distribuição gratuita como bandeira de campanha, o debate sobre ampliar o acesso à tirzepatida já existe no Congresso Nacional.

Na Câmara dos Deputados tramita o Projeto de Lei 590/2026, apresentado pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que pretende incluir Mounjaro, Zepbound e outros medicamentos agonistas de GLP-1 com eficácia comprovada no Programa Farmácia Popular do Brasil para tratamento de obesidade, sobrepeso com risco metabólico e diabetes tipo 2.

No Senado, o PL 160/2026, da senadora Dra. Eudócia (PL-AL), propõe medidas relacionadas ao licenciamento compulsório da tirzepatida, produção nacional e ampliação do acesso ao tratamento da obesidade.

Ou seja, caso conquiste uma cadeira na Câmara, Lena poderá defender projetos e destinação de recursos para essa política, mas a promessa de disponibilização gratuita dependerá de um caminho mais amplo envolvendo Congresso, Executivo, autoridades sanitárias, avaliação de custo-efetividade e orçamento público.

Alerta para uso de Mounjaro sem acompanhamento

A popularidade das canetas também trouxe um problema paralelo. Em agosto, o Conselho Federal de Medicina alertou profissionais sobre produtos à base de tirzepatida sem registro sanitário válido, enquanto a Anvisa determinou a apreensão de itens irregulares que usavam referências ao Mounjaro em promessas de emagrecimento.

A discussão eleitoral, portanto, ocorre em meio a um desafio que vai além de colocar o medicamento na prateleira do SUS: garantir prescrição adequada, acompanhamento clínico, segurança sanitária e recursos suficientes para que um eventual programa seja sustentável.