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Mensagens entre Moraes e Vorcaro aumentam pressão e motivam investigação

Fonte: giropelabahia.com.br | Data: 01/09/2026 16:32:36

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Ministros do STF veem como graves as mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, que aumentaram a pressão sobre o magistrado. Relator André Mendonça consultou colegas e pediu parecer da PGR, que tem cinco dias.

Ministros do Supremo Tribunal Federal admitem, em caráter reservado, que são graves as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Banco Master. O conteúdo das conversas elevou a pressão sobre o magistrado e abriu debate interno sobre a necessidade de investigá‑lo.

O relator do inquérito que apura o escândalo do Master, André Mendonça, consultou colegas sobre a possibilidade de incluir Moraes formalmente na investigação. Antes de decidir, ele também solicitou uma manifestação da Procuradoria-Geral da República, que terá cinco dias para analisar o material reunido pela Polícia Federal.

Magistrados ouvidos demonstraram preocupação principalmente com a natureza das informações discutidas entre Moraes e Vorcaro. As mensagens indicam que o então banqueiro procurava o juiz do STF para obter detalhes sobre o avanço das investigações e para avaliar maneiras de impedir medidas da Polícia Federal contra ele e o banco.

Integrantes do Supremo reconhecem que o caso impõe uma situação delicada à Corte. Embora ressaltem que somente uma investigação poderá esclarecer o alcance da atuação de Moraes, ministros consideram que o conteúdo conhecido até agora não pode ser ignorado.

O principal ponto de preocupação é saber se informações protegidas por sigilo foram transmitidas a Vorcaro e se Moraes tentou interferir na atuação da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República. Como as respostas do magistrado não foram recuperadas, ainda não é possível determinar o teor das orientações dadas ao empresário.

Por envolver um integrante do STF, uma investigação contra Moraes dependeria de autorização do plenário. Nesse cenário, Mendonça poderá encaminhar um pedido formal ao presidente da Corte, Edson Fachin, depois de receber o parecer da PGR.

O movimento do relator ganhou impulso depois que a Polícia Federal entregou um relatório com mensagens extraídas do celular de Vorcaro. O relator havia determinado que a corporação identificasse o destinatário de textos escritos pelo banqueiro no aplicativo de notas do aparelho.

Segundo o material reunido, Vorcaro redigia mensagens, fazia capturas de tela e as enviava pelo WhatsApp no modo de visualização única. Moraes teria utilizado o mesmo recurso para responder. Por essa razão, os peritos conseguiram recuperar somente o conteúdo enviado pelo banqueiro, sem acesso às manifestações do ministro.

“É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo para o saco”,

Em uma mensagem de 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirmou ter sido informado de que o Banco Central, a Polícia Federal e o Ministério Público preparavam uma ofensiva contra ele e o Master, citando nominalmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em outra mensagem, o banqueiro perguntou se a medida cogitada pelas autoridades poderia envolver busca ou quebra de sigilo e se havia alguma providência capaz de bloqueá‑la. Dois dias antes da primeira prisão, Vorcaro consultou Moraes sobre deixar o Brasil:

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”

Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Malta, com plano posterior para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A defesa afirmou que a viagem tinha finalidade empresarial e estava relacionada à negociação para a venda do Master. Horas antes da prisão, Vorcaro voltou a procurar Moraes para perguntar se havia alguma novidade e se o ministro havia conseguido obter informações ou “bloquear” a medida. O relatório não permite saber o que Moraes respondeu, e essa lacuna deverá ser examinada caso o plenário autorize o aprofundamento da investigação.

Outro elemento que ampliou o desgaste foi a identificação da participação de Moraes na análise de um contrato entre o Master e o escritório do qual sua mulher, Viviane Barci, é sócia-diretora. O acordo previa o pagamento de aproximadamente R$ 130 milhões pela prestação de serviços advocatícios. Registros obtidos pelos investigadores indicam que Moraes teve acesso à minuta antes da assinatura.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou o magistrado em razão da abrangência dos serviços que seriam prestados ao banco, com o objetivo de verificar a existência de impedimentos legais para a contratação.