Dono do Banco Master tentou intervenção de Moraes para barrar ação da PF antes de ser preso
Fonte: jogopolitico.com.br | Data: 01/09/2026 17:00:29
Mensagens recém-divulgadas pelo blog do jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo, revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em diversas ocasiões, buscando uma interlocução privilegiada com as cúpulas da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O contato mais incisivo ocorreu na tarde de 16 de novembro de 2025, às vésperas de sua prisão. Na ocasião, Vorcaro enviou uma mensagem direta a Moraes perguntando se o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, poderia adiar para a semana seguinte o cumprimento de medidas cautelares que estavam na iminência de serem deflagradas.
Como justificativa para o apelo, o banqueiro argumentou que a execução imediata das ordens judiciais provocaria a quebra irreversível do Banco Master.
Para os investigadores, o teor dessa conversa é uma evidência contundente de que Vorcaro teve acesso a informações vazadas e sabia, de forma antecipada, que seria alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero.
A suspeita se confirmou na noite do dia seguinte (17 de novembro), quando o banqueiro foi preso em flagrante no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), enquanto tentava embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Lobby e Contratos Milionários
As tentativas de aproximação com o STF, no entanto, não foram um ato de desespero de última hora. Semanas antes, em 30 de outubro, Vorcaro já havia recorrido a Moraes pedindo que o ministro interviesse junto a Andrei Rodrigues (PF) e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O objetivo era barrar iniciativas de delegados e procuradores que, segundo ele, pudessem prejudicar a imagem e as operações do banco.
Naquele mesmo período, o Master preparava o anúncio de uma suposta e vultosa negociação com a Fictor Holding Financeira e com um grupo de investidores dos Emirados Árabes.
As mensagens expõem ainda um elo financeiro sensível. Foi revelado que Vorcaro havia firmado um contrato no valor de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Documentos fiscais do Banco Master, entregues e analisados pela CPI do Crime Organizado, apontam que R$ 80 milhões desse total foram repassados ao escritório de Barci em outubro de 2024, meses antes do banqueiro começar a pedir intervenções diretas nas investigações.
Procurados pelo Estadão para comentar o teor das mensagens e o contrato milionário, o ministro Alexandre de Moraes, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, o PGR Paulo Gonet e a defesa de Daniel Vorcaro não haviam se manifestado até a publicação desta matéria.