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Contrato de R$ 131 milhões liga Banco Master a escritório de Viviane Barci

Fonte: portalpapoaberto.com.br | Data: 01/09/2026 18:11:21

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O ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, alertou o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre atrasos em pagamentos destinados ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A informação consta em relatório da Polícia Federal (PF) tornado público nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça.

Em conversa ocorrida no dia 15 de março de 2024, Faria enviou uma captura de tela ao banqueiro com a frase “O careca não pode atrasar”. As mensagens indicam que Vorcaro considerava esses valores o compromisso “mais importante” da instituição financeira, orientando que fossem quitados “do jeito que for”, inclusive sem a emissão de nota fiscal.

As cobranças referem-se a parcelas mensais de um contrato de R$ 131 milhões assinado em janeiro de 2024 com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia. Embora o acordo previsse pagamentos até o quinto dia útil de cada mês, os repasses de fevereiro e março de 2024 sofreram atrasos. Vorcaro chegou a cobrar a tesouraria do banco, afirmando que o descumprimento do calendário traria “problemas”. Em abril de 2025, o empresário solicitou restrição de acesso ao contrato na empresa para evitar vazamentos.

O relatório de 218 páginas foi produzido pela PF após a análise do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. A investigação apura fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025.

O escritório Barci de Moraes informou, em nota, que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes sobre possíveis impedimentos legais para a contratação, dado que ele é marido da sócia diretora. A banca afirmou que, diante da inexistência de atuação do ministro no STF em causas envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços foram prestados.

A PF explicou que a análise do aparelho não foi exaustiva, pois ocorreu no prazo de 72 horas determinado pela Justiça. Parte do conteúdo era invisível por ter sido enviada via recurso de visualização única do WhatsApp, o que impediu a reconstrução integral de diálogos com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Vorcaro não responderam aos questionamentos.