Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Brasil e Moçambique entram em nova fase de cooperação para construir capacidade produtiva e ampliar negócios na África

Fonte: brasil247.com | Data: 02/09/2026 01:41:00

🔗 Ler matéria original

247 – O Brasil é o país de honra da Feira Internacional de Maputo (FACIM), a maior feira multissetorial de negócios de Moçambique, que abriu suas portas na segunda-feira (31) contando com a presença do presidente moçambicano, Daniel Chapo. O chefe de Estado visitou de perto o pavilhão brasileiro da ApexBrasil e inaugurou oficialmente o espaço.

O pavilhão brasileiro reuniu 70 pessoas entre representantes de empresas, cooperativas e entidades do país, na maior participação brasileira da história da FACIM. Ao longo do evento, foram realizados encontros entre 30 empresas brasileiras e 100 empresas moçambicanas, movimentando uma intensa agenda de negócios entre os dois países.

A passagem por Maputo marca a etapa final da missão da ApexBrasil pela África Austral, que também passou por Angola, África do Sul e Zâmbia. As empresas brasileiras que vieram a Moçambique buscam negócios e novas parcerias no país, em um movimento que se soma ao alinhamento de agendas entre a ApexBrasil e a Apiex moçambicana. Durante o evento, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, teve duas reuniões com o presidente Chapo para alinhar áreas de cooperação entre os dois governos.

O encontro também reservou destaque à presença dos Emirados Árabes Unidos, representados pelo ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros do país, sheik Shakboot Nahayan Mabarak Al-Nahyan.

“Queremos ser um país prioritário para Moçambique”

Para Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, a relação entre os dois países precisa avançar além do comércio tradicional. “Em vez de uma relação baseada exclusivamente na exportação de produtos, queremos construir capacidade de produção local, desenvolver fornecedores e integrar tecnologia e conhecimento técnico ao setor empresarial moçambicano”, afirmou, durante o Encontro Empresarial Brasil-Moçambique.

Müller informou que 64 empresas brasileiras já exportam para Moçambique e reforçou a ambição do Brasil na região: “É claro que não é o único, mas queremos ser um país prioritário para Moçambique”.

Segundo ele, o país tem uma vocação natural como porta de entrada para o mercado regional: “Moçambique é a plataforma logística ideal e porta de entrada natural para os produtos e investimentos brasileiros acessarem os países membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC)”.

O presidente da ApexBrasil também revelou a intenção de criar uma rota aérea direta conectando o Brasil a Maputo, com o objetivo de dinamizar o fluxo de passageiros, negócios e logística de carga comercial entre as duas nações. Ele definiu a jornada como um “dia histórico” para a relação bilateral.

Moçambique como plataforma de expansão para a África

Álvaro Massingue, presidente da Confederação das Associações Econômicas de Moçambique (CDA), destacou no encontro o potencial do país como base de operações para empresas brasileiras em todo o continente:

“Queremos que o capital brasileiro encontre em Moçambique não apenas um mercado, mas uma plataforma de produção e expansão para a África”.

A CDA, segundo ele, está preparada para atuar na aproximação entre empresas: “está preparada para desempenhar o seu papel, de aproximar empresas, facilitar aos governos, promover B2Bs, identificar oportunidades e acompanhar a transformação das intenções em negócios”.

Massingue citou ainda a base institucional que sustenta essa cooperação, por meio do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos Moçambique-Brasil e da parceria entre a ApexBrasil e a Apiex.

Pelo lado do governo brasileiro, Carlos Moscardo, diretor de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Ministério das Relações Exteriores, reforçou a disposição de dar concretude aos projetos discutidos:

“Todos aqui estão dispostos a colaborar com esse projeto de retomada de relacionamento com a África, e nesse caso específico com Moçambique, com nova energia e novo ímpeto, e tornar esses projetos muitos mais concretos”.

Uma nova fase nas relações bilaterais

O embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra, destacou o significado da parceria. Ele saudou os presentes sublinhando a importância da formação técnica: “Damos as boas-vindas a todos que estão aqui, justamente na concretização desse apoio de formação técnica e profissionalizante, e o capital humano é indispensável, sem dúvidas, porque sem ele, nada disso estaria de pé”.

Seabra descreveu o caráter quase missionário do trabalho diplomático na região: “Nos comove muito a profissão de acreditar, de desbravar e de ter não apenas uma parceria bilateral, e sim de tornarem-sem missionários, antecipando uma grande fronteira de desenvolvimento econômico, que é a África de modo geral, e Moçambique em particular”. Segundo ele, a relação entre os países se renova a cada dia:

“Para nós, da Embaixada do Brasil, cada dia é uma FACIM diferente. Cada dia o Brasil é um país homenageado por Moçambique, e cada dia Moçambique é um país homenageado para nós. Cada dia é um esforço diário para que esse projeto se realize e que essas tarefas se concretizem”.

O embaixador garantiu que o compromisso não termina com o encerramento da feira: “Mesmo após o encerramento da FACIM, queremos estar juntos com cada um desses empresários. Queremos acompanhar a interlocução direta com o governo moçambicano, queremos operar e trabalhar para a abertura de mercados, defesa comercial, melhoria de investimentos, que é uma questão fundamental, na formação de parcerias empresariais com as empresas moçambicanas, capacitação moçambicana para o empreendedorismo”.

Seabra também associou o desenvolvimento brasileiro ao de Moçambique: “Imaginamos que, para nós, o projeto de desenvolvimento brasileiro, que queremos para o nosso país, é um projeto que sempre estará incompleto enquanto Moçambique também não for uma grande nação, que também ofereça e distribua riquezas e permita igualdade de oportunidades para todos e toda sua população também”.

Ele relembrou que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Moçambique, no ano passado, foi o ponto de partida para essa nova fase: “Há uma grande perspectiva que foi aberta ao longo das relações bilaterais, que sempre foram exemplares e edificantes, e que, a partir da visita do presidente Lula no ano passado, em que declarou uma série de processos, com alguns em andamento um pouco mais lentos, alguns um pouco mais rápidos e alguns que já temos. A visita deflagrou uma série de processos”.

Segundo o embaixador, os avanços já são visíveis: “Avançamos muito já em poucos meses nesse período, houve uma evolução já de uma série de processos, de desenvolvimento agrário. Houve um grande avanço, e para além há também a questão da participação do Brasil em projetos no mercado de hidrocarbonetos, energias renováveis, infraestrutura, saúde, setor aeronáutico, serviços e toda essa parte que envolve a questão da digitalização do Estado. É uma relação das mais densas e mais estreitas entre nossos países para que realizemos todos esses projetos”.

Para Seabra, o protagonismo do Brasil na FACIM deste ano amplia as responsabilidades do país: “A deferência ao Brasil que nos foi concedida aumenta nossa responsabilidade e nos faz querer ampliar a projeção aqui em Moçambique, ampliando imensamente essa nova fase”.

Compartilhar a experiência brasileira de desenvolvimento

O embaixador fez ainda uma reflexão sobre a trajetória do Brasil como parceiro internacional: “Hoje o Brasil é um país que, mesmo com nossas dificuldades e também nossos sonhos e aspirações e esperanças, mas também somos um país que temos uma grande história de desenvolvimento, uma bela história que se realiza a partir de experiências acumuladas, com grande cooperação e presença em diversos países e regiões do mundo, que sempre acreditaram no Brasil. O Brasil é uma síntese de todos esses interesses estrangeiros, que nos ajudaram a oferecer a nossa população, vindos de todos os continentes e de todas as formas”.

Ele detalhou as diferentes formas dessa cooperação recebida pelo Brasil ao longo de sua história — “como por meio de investimentos, da cooperação técnica, de desenvolvimento de projetos, de desenvolvimento setorial, de inclusão” — e concluiu que essa bagagem é hoje compartilhada com Moçambique:

“Essa experiência acumulada faz o Brasil ser grande também, como uma síntese de tudo isso. E temos o prazer, dessa mesma forma, compartilhar essa experiência com Moçambique”.

“O Brasil é um parceiro de excelência, de primeira ordem, interessado em que Moçambique seja grande e próspero”, resumiu o embaixador, ecoando uma fala do próprio presidente Daniel Chapo mais cedo no evento: “não queremos uma parceria apenas comercial, técnica e política, é uma verdadeira parceria entre nós”.

Um chamado a joint ventures

Encerrando a rodada de discursos, o diretor-geral da APIEX (Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique), Luís José Machava, situou a parceria em uma perspectiva histórica: “A cooperação entre Moçambique e Brasil acende profundos laços históricos, culturais e de amizade sincera. Contudo, hoje somos chamados a traduzir este patrimônio em um fluxo estruturado de investimentos diretos, comércio bilateral a vibrar e parcerias inovadoras que impulsionam a industrialização e o desenvolvimento sustentável de ambos os países”.

Machava apontou áreas específicas nas quais a experiência brasileira pode contribuir diretamente para o desenvolvimento moçambicano: “A vasta experiência brasileira na descarbonização de sua matriz energética, no desenvolvimento da biologia e nas suas experiências produtivas e industriais representam missões valiosas que podem ser integradas nas propriedades de Moçambique”.

Ele também destacou o ambiente institucional favorável a investidores no país: “A nossa legislação para investir consagra uma ampla gama de benefícios fiscais e aduaneiros” e “os nossos processos foram inovados para incentivar radicalmente a construção de empresas, o licenciamento de projetos e investimentos, a facilitação de vistos e um regime de assistência voltada ao crescimento de negócios”.

Por fim, o diretor-geral da APIEX fez um convite direto aos empresários dos dois países: “Gostaria de incentivar ativamente todos empresários moçambicanos e brasileiros a explorar este espaço ao máximo, identificando sinergias comerciais, estabelecendo joint venturas para a transferência de tecnologias e estruturando alianças comerciais duradouras, que transformam as fronteiras territoriais na FACIM”.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.

Marque o Brasil 247 como fonte preferida no Google:

Apoie o jornalismo independente do 247:

Cortes 247