Mendonça admite encontro com Vorcaro, mas nega ter tratado sobre o Master
Fonte: brasil247.com | Data: 02/09/2026 09:13:51
247 – O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou ter recebido pessoalmente o banqueiro Daniel Vorcaro no início de 2025, em um instituto educacional mantido por ele em São Paulo. O magistrado, no entanto, negou que a conversa tenha tratado do Master ou de questões envolvendo o Banco Central. A informação foi confirmada pelo próprio ministro em nota divulgada nesta quarta-feira (2).
Segundo Mendonça, o encontro durou entre 20 e 30 minutos e teve como tema uma ação jurídica específica relacionada a precatórios.
A confirmação ocorre um dia depois de o ministro retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontava suspeitas de ligações impróprias entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e Daniel Vorcaro. O documento integra o contexto das apurações sobre o Banco Master, instituição financeira que posteriormente passou por processo de liquidação.
De acordo com o jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras, mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro indicam que a reunião com Mendonça teria sido articulada ao longo de semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Em um áudio enviado a Vorcaro em 8 de fevereiro de 2025, acompanhado de uma foto, o advogado afirmou: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”.
Em outra mensagem, Ciro Rocha Soares disse: “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”. Na sequência, acrescentou: “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele”.
Mendonça afirmou à Coluna do Estadão que a reunião foi intermediada por Cezinha de Madureira a partir de um pedido de pessoas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha, da qual o ministro faz parte. O integrante do STF sustentou que, durante o encontro, não houve discussão sobre o Banco Central, embora o Master já estivesse sob atenção de apurações que mais tarde levariam à liquidação da instituição.
Segundo o ministro, a conversa teve como foco a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo que discute o pagamento de precatórios decorrentes de prejuízos adquiridos de uma usina do setor sucroalcooleiro, a Agroindustrial Tabu.
A ação já tramitava havia meses no Supremo. Em 2024, o relator era o ministro Luís Roberto Barroso, e o placar estava em 6 a 0 a favor da tese quando Alexandre de Moraes pediu vista, em novembro daquele ano. O processo só foi devolvido em fevereiro de 2026, quando Vorcaro já havia sido preso pela primeira vez.
O Banco Master passou a recorrer aos precatórios depois que o Banco Central impôs restrições ao uso da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Mendonça também declarou ter realizado outros atendimentos relacionados ao processo no âmbito de suas funções institucionais. Entre eles, citou encontros com o advogado Wilson Ramalho Cavalcante Neto, que representava partes envolvidas na causa.
De acordo com o ministro, após a conversa inicial com Vorcaro, ele orientou que o advogado responsável pelo caso procurasse seu gabinete no STF para apresentar os argumentos da defesa. Posteriormente, Mendonça recebeu Wilson Ramalho Cavalcante Neto no Supremo, ocasião em que o advogado entregou um memorial técnico com os pontos da ação.
Sobre o advogado Ciro Batelli, Mendonça disse já tê-lo encontrado em diversas ocasiões, mas afirmou não se recordar de ter tratado com ele sobre o Banco Central ou sobre o caso Master antes de as investigações chegarem oficialmente ao Supremo. Depois da chegada do processo à Corte, o ministro confirmou ter mantido conversas com Batelli sobre o tema nas dependências do STF.
Confira a nota de André Mendonça:
Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro.
Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto.
Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos.
Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade.
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