Petrobras, Itaú e Gerdau estão entre as ações favoritas para setembro; veja as recomendações
Fonte: estadao.com.br | Data: 02/09/2026 10:00:50
As carteiras recomendadas para setembro chegam em um mês marcado por decisões de juros, tensão geopolítica e a reta final da eleição presidencial. No Brasil e nos Estados Unidos, as próximas decisões de política monetária podem mexer com as expectativas dos investidores, enquanto o avanço da disputa eleitoral tende a aumentar a sensibilidade do mercado a pesquisas e declarações dos candidatos. Diante desse cenário, Genial, BTG Pactual, Planner e Terra promoveram mudanças em suas seleções de ações para o período.
Agosto já ofereceu uma prévia desse cenário. O Ibovespa encerrou o mês aos 177.418 pontos, depois de atravessar onze pregões consecutivos de queda, tocar a região dos 166 mil pontos e, a partir do dia 18, recuperar terreno com uma sequência de altas. O dólar terminou o último pregão cotado a R$ 5,118. Ao longo do mês, a saída de investidores estrangeiros, o conflito entre Estados Unidos e Irã e a temporada de balanços contribuíram para a volatilidade dos mercados.
A conta externa também permanece aberta. O mercado entra em setembro atento à política monetária americana depois do discurso mais duro de Kevin Warsh em Jackson Hole, enquanto novas tensões no Oriente Médio mantêm petróleo e câmbio sensíveis ao noticiário. No Brasil, a inflação deu sinais mais benignos, mas juros elevados, inadimplência e as dúvidas sobre a política econômica depois da eleição continuam no radar.
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As ações recomendadas refletem as diferentes estratégias adotadas pelas casas para setembro. Nas cinco seleções analisadas, a Genial promoveu desde uma troca pontual até uma reformulação de metade do portfólio; a Planner substituiu seis das dez posições; a Terra trocou quatro nomes; e o BTG deslocou parte da carteira para saneamento e saúde.
No meio dessa rotação, três ações se repetem com mais frequência. Petrobras (PETR4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Gerdau (GGBR4) aparecem, cada uma, em três dos cinco portfólios.
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Genial 5+ troca Caixa Seguridade por Petrobras
A carteira mais concentrada da Genial fez uma única mudança para setembro. Sai Caixa Seguridade (CXSE3) e entra Petrobras (PETR4), que passa a dividir espaço com Ultrapar (UGPA3), BB Seguridade (BBSE3), Copasa (CSMG3) e Vibra Energia (VBBR3).
A Petrobras chega à seleção pela classe preferencial, de maior liquidez. A tese combina crescimento expressivo do lucro no último ano, margem elevada e um preço inferior a cinco vezes o lucro acumulado em 12 meses. Para uma carteira de apenas cinco empresas, a estatal acrescenta uma companhia com forte geração de caixa sem depender diretamente de uma queda dos juros para justificar a avaliação atual.
A mudança também deixa a carteira bastante exposta à cadeia de combustíveis. Ultrapar, dona da rede Ipiranga, e Vibra aparecem juntas apoiadas pela melhora do ambiente regulatório da distribuição. Segundo a análise da gestora, o combate à concorrência irregular devolveu rentabilidade às distribuidoras formais, movimento considerado estrutural pela casa.
BB Seguridade ocupa outra função. A empresa mantém retorno sobre patrimônio elevado, múltiplo de lucro de um dígito e resultados menos sensíveis ao ciclo econômico. Já a Copasa representa a parcela de maior previsibilidade operacional, sustentada por receitas reguladas no setor de saneamento.
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| Ação | Ticker |
| Ultrapar | UGPA3 |
| BB Seguridade | BBSE3 |
| Copasa | CSMG3 |
| Vibra Energia | VBBR3 |
| Petrobras | PETR4 |
Genial 10+ troca metade da carteira
Na carteira de dez ações, a Genial fez uma reforma bem mais extensa. Cinco papéis deixam o portfólio. Copasa (CSMG3), Itaú Unibanco (ITUB4), JHSF (JHSF3), Prio (PRIO3) e Bradsaúde (SAUD3) saem para a entrada de Méliuz (CASH3), Petrobras (PETR4), Gerdau (GGBR4), Fleury (FLRY3) e Locaweb (LWSA3).
Segundo a análise, as saídas não decorreram de uma deterioração dos resultados. Os papéis perderam posição relativa dentro da estratégia utilizada para selecionar os dez nomes.
Entre as novidades, a Petrobras oferece a exposição mais direta a resultado e geração de caixa já presentes. A Gerdau ocupa o outro extremo. A siderúrgica atravessa uma fase mais fraca do ciclo, com lucro e rentabilidade pressionados, mas negocia abaixo do valor patrimonial. A aposta considera a possibilidade de o preço das ações antecipar uma recuperação antes que ela apareça nos balanços.
Fleury acrescenta um perfil mais estável, apoiado pelo crescimento recorrente de receita e lucro. A Locaweb entra como uma tese de recuperação, com a receita novamente em expansão, embora a companhia ainda opere no prejuízo. O Méliuz completa as estreias e carrega o maior risco individual entre elas. A plataforma apresenta forte crescimento de receita, mas ainda não transformou a expansão em lucro.
Permanecem BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3), além de Ultrapar (UGPA3) e Vibra (VBBR3). A Eneva (ENEV3) completa o grupo de ações mantidas, apoiada pela expansão contratada dos negócios de geração de energia.
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| Ação | Ticker |
| Méliuz | CASH3 |
| BB Seguridade | BBSE3 |
| Ultrapar | UGPA3 |
| Petrobras | PETR4 |
| Eneva | ENEV3 |
| Gerdau | GGBR4 |
| Caixa Seguridade | CXSE3 |
| Fleury | FLRY3 |
| Vibra Energia | VBBR3 |
| LWSA | LWSA3 |
BTG abre espaço para Sabesp e Rede D’Or
O BTG Pactual também mexeu na composição da 10SIM. Copasa (CSMG3) e Totvs (TOTS3), que tinham participação de 5% cada, deixam a seleção. Entram Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3), ambas com peso de 10%.
Para acomodar as duas estreias, o banco também reduziu o peso de Itaú Unibanco de 15% para 10% e o da Cury (CURY3) de 10% para 5%. O resultado amplia a presença de saúde por meio da Rede D’Or, preserva saneamento com a substituição de Copasa pela Sabesp e retira a exposição direta a software que vinha da Totvs.
A maior posição, porém, permanece intacta. Petrobras representa 15% da carteira. Axia Energia (AXIA3), Embraer (EMBJ3), Eneva (ENEV3), Gerdau (GGBR4) e Motiva (MOTV3) ficam com 10% cada.
A composição reúne ações com diferentes exposições aos fatores que devem movimentar o mercado em setembro. Petrobras, Embraer e Gerdau oferecem exposição maior a petróleo, câmbio ou ciclo internacional, enquanto Axia, Eneva e Sabesp ocupam setores com receitas mais previsíveis. Itaú mantém a presença financeira e Cury conserva uma parcela da aposta no mercado imobiliário.
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| Ação | Ticker |
| Petrobras | PETR4 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 |
| Axia Energia | AXIA3 |
| Sabesp | SBSP3 |
| Rede D’Or | RDOR3 |
| Embraer | EMBJ3 |
| Eneva | ENEV3 |
| Gerdau | GGBR4 |
| Motiva | MOTV3 |
| Cury | CURY3 |
Planner troca seis ações e procura preços castigados
A Planner fez a maior rotação proporcional entre as carteiras analisadas. Depois de recuar 1,54% em agosto, ante queda de 0,33% do Ibovespa, a corretora substituiu seis das dez posições. O relatório atribui a mudança à busca por empresas que, na avaliação da corretora, apresentam bons fundamentos e voltaram a negociar a múltiplos considerados atraentes após a turbulência do mês.
Saíram BB Seguridade (BBSE3), Bradesco (BBDC4), Itaúsa (ITSA4), Motiva (MOTV3), Multiplan (MULT3) e Sanepar (SAPR11). Copasa (CSMG3), CPFL Energia (CPFE3), Itaú Unibanco (ITUB4), Lojas Renner (LREN3), Porto (PSSA3) e Grupo SBF (SBFG3) ocupam as vagas.
Algumas escolhas nascem diretamente da queda das ações. A Copasa retorna depois da forte correção de agosto e com a expectativa da Planner de ganhos de eficiência após a privatização e a entrada da Equatorial como acionista de referência. A Renner também volta depois de uma queda considerada excessiva pela casa diante dos resultados do segundo trimestre.
No setor financeiro, a troca de Itaúsa pelo Itaú tem uma tese específica. A Planner estima ganho relativo de 7,6% em 12 meses na operação e destaca a rentabilidade, a qualidade da carteira de crédito e a geração de caixa do banco. Porto retorna apoiada pela melhora de eficiência em seguros e saúde.
A entrada do Grupo SBF acrescenta uma empresa mais exposta ao consumo. O resultado do segundo trimestre recebeu ajuda das vendas ligadas à Copa do Mundo, mas a corretora também cita a evolução orgânica dos negócios e a extensão do contrato de distribuição da Nike até maio de 2034. CPFL completa as novidades com uma tese centrada em geração de caixa, previsibilidade e crescimento da demanda de energia.
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| Ação | Ticker |
| Cogna | COGN3 |
| Direcional | DIRR3 |
| Telefônica Brasil | VIVT3 |
| WEG | WEGE3 |
| Copasa | CSMG3 |
| CPFL Energia | CPFE3 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 |
| Lojas Renner | LREN3 |
| Porto | PSSA3 |
| Grupo SBF | SBFG3 |
Terra troca quatro nomes e reforça saúde, bancos e indústria
A Terra Investimentos também promoveu uma mudança relevante. Embraer (EMBJ3), Assaí (ASAI3), Cury (CURY3) e Marcopolo (POMO4) deixam a carteira. Entram Cyrela (CYRE3), WEG (WEGE3), Rede D’Or (RDOR3) e Itaú Unibanco (ITUB4). Permanecem Bradesco (BBDC4), Copel (CPLE3), Gerdau (GGBR4), Klabin (KLBN11), Lojas Renner (LREN3) e Vale (VALE3).
As quatro estreias chegam respaldadas pelos balanços mais recentes. Na WEG, a Terra destaca receita líquida de R$ 10,1 bilhões e lucro de R$ 1,56 bilhão no segundo trimestre, além de retorno sobre o capital investido de 33,6%. A Cyrela entra depois de lançar R$ 3,84 bilhões e registrar R$ 2,56 bilhões em vendas contratadas no trimestre, com lucro de R$ 452 milhões.
Rede D’Or acrescenta exposição à saúde depois de registrar crescimento de 18,2% do Ebitda no segundo trimestre. O Itaú completa a renovação com lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões e retorno sobre o patrimônio de 24,3%, números usados pela Terra para sustentar a tese de eficiência e rentabilidade do banco.
Entre os nomes preservados, a seleção mantém características bastante diferentes. A Gerdau oferece exposição ao ciclo industrial e aos Estados Unidos, a Vale depende em maior grau da dinâmica das commodities, enquanto Copel acrescenta receitas reguladas e geração de caixa mais previsível.
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| Ação | Ticker |
| Bradesco | BBDC4 |
| Copel | CPLE3 |
| Gerdau | GGBR4 |
| Klabin | KLBN11 |
| Lojas Renner | LREN3 |
| Vale | VALE3 |
| Cyrela | CYRE3 |
| WEG | WEGE3 |
| Rede D’Or | RDOR3 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 |
Depois de agosto levar o Ibovespa dos 166 mil aos 177 mil pontos em poucas semanas, as carteiras de setembro parecem menos interessadas em escolher uma única direção para a Bolsa e mais ocupadas em decidir quais empresas conseguem suportar seus próximos solavancos.

Petrobras, Itaú e Gerdau aparecem em três das cinco carteiras recomendadas para setembro. Veja as escolhas de Genial, BTG, Planner e Terra.
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