Eneva deixa carvão e reforça hub de gás em acordo com a Diamante Energia
Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 02/09/2026 10:21:14
A Eneva fechou acordo para venda da termelétrica Porto do Itaqui para a Diamante Energia, em uma operação que marca a saída da companhia da geração de energia elétrica a carvão. Pelo acordo, a Eneva receberá os 50% que ainda não detém da Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM), além de R$ 400 milhões em dinheiro e uma parcela contingente que pode chegar a R$ 467 milhões.
A transação foi anunciada na sequência da conclusão da venda da UTE Pecém II, que também utiliza o carvão para a geração de energia, para a Diamante por R$ 748,4 milhões.
No novo acordo, a Eneva vai transferir à Diamante 100% da Itaqui Geração de Energia e, em contrapartida, receberá a participação de 50% da Diamante na PPTM, passando a deter integralmente a companhia.
O pagamento de até R$ 867 milhões à Eneva, passará por correção monetária e ajustes até o fechamento. O montante final ainda dependerá de uma eventual antecipação do início do período de suprimento da UTE Porto do Itaqui no leilão de reserva de capacidade (LRCap) de 2026.
A UTE Porto do Itaqui tem 360 MW de capacidade instalada e contratos no mercado regulado até 21 de dezembro de 2027. A térmica foi vencedora do LRCap de março no produto com início de suprimento em 2031, com contrato por dez anos.
Eneva reforça aposta em hubs de gás
Do lado da Eneva, a operação também amplia a participação da companhia na infraestrutura do Complexo Industrial do Pecém. A PPTM fará parte da implantação de um terminal de importação, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL), com capacidade de escoamento de até 14 milhões de m³ por dia.
A estrutura reforça uma frente de negócios que a Eneva já desenvolve no Hub Sergipe, em Barra dos Coqueiros. O complexo reúne a UTE Porto de Sergipe I, térmica a gás de 1,6 GW, e um terminal de GNL com capacidade de regaseificação de 21 milhões de m³ por dia. Desde 2024, o terminal também está conectado à malha de transporte da TAG, permitindo à Eneva atuar na comercialização de gás natural a partir do hub.
O Hub Sergipe já é usado pela companhia para ampliar sua atuação além da geração de energia, com contratos de fornecimento industrial de gás a partir do portfólio do complexo, que inclui o terminal de GNL, a mesa de comercialização e a conexão à malha da TAG.
Saída do carvão
Na segunda-feira, 31 de setembro, a Eneva concluiu a venda de 100% da Pecém II Geração de Energia por R$ 748,4 milhões. O enterprise value da operação ficou em R$ 839,2 milhões, e o acordo ainda prevê uma parcela contingente de até R$ 149 milhões vinculada à antecipação dos contratos obtidos no LRCap.
A Pecém II tem 365 MW de capacidade instalada e contratos no mercado regulado até setembro de 2028. Ao Cade, a Eneva havia explicado que a venda fazia parte de sua estratégia de realocação de capital, com a monetização de um ativo a carvão para preparar o crescimento de longo prazo em geração a gás natural.
Com Itaqui, a Diamante amplia, por sua vez, sua presença na geração a carvão. A companhia já controla a Pecém I, de 720 MW, e passou a controlar também a Pecém II após a conclusão da aquisição nesta semana, além do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, o maior da América Latina, com capacidade instalada de 857 MW, em Capivari de Baixo, Santa Catarina.
A Eneva informou ainda que a Diamante decidiu não exercer a opção que lhe dava direito à aquisição de 30% das sociedades responsáveis pelos projetos de geração do Hub Ceará. Com isso, a opção foi cancelada sem exercício.
A conclusão da permuta envolvendo Itaqui e a PPTM ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).